APRESENTANDO: TERESA ANGELLE

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Meu salto contra o piso laminado do saguão soava como música para os meus ouvidos

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Meu salto contra o piso laminado do saguão soava como música para os meus ouvidos. Eu sabia que todos por ali me olhavam de cima a baixo, mas seus olhares não me incomodavam. Deixem que falem, o dinheiro continua entrando.

Continuei andando com a cabeça erguida, até finalmente alcançar o elevador. A porta abriu automaticamente assim que eu parei em sua frente, revelando a grande parede espelhada do outro lado. E meu reflexo nela.

O vestido colado em meu corpo destacava minhas curvas e fazia minha pele brilhar ainda mais. O tom creme era um perfeito contraste com o tom escuro do meu colo e pernas nus. O blazer branco e os saltos pretos completavam o visual junto com a minha Hermès Birkin preta.

Impecável, perfeita.

A mulher que me encarava do reflexo era tudo o que todos viam e invejavam do lado de fora, a que nunca deixava transparecer uma única falha. Tão diferente da mulher por detrás da máscara.

Continuei com a expressão impassível, sabia que havia uma câmera em algum lugar daquele cubículo espelhado. Cada parede do espelho refletia uma face minha, nenhuma delas parecia muito convincente para mim.

O barulho do elevador me tirou dos meus pensamentos e eu respirei fundo antes de pisar no andar da minha revista. As últimas semanas vinham sendo extremamente caóticas, e pela primeira vez em toda a minha vida eu fui matéria da minha própria redação.

Apesar disso, nunca tínhamos vendido tanto. Eu deveria agradecer Dean por aquilo.

Caminhei pelo corredor que levava até minha sala e o silêncio reinou entre as mesas; eu era o assunto do mês de todas as revistas, mas ninguém ali ousaria dizer algo na minha presença. Eu apreciava aquilo, mas era ainda mais perturbador ter que lidar com o fato de que todos começariam a falar assim que eu fechasse a porta.

— Teresa, bom dia. — Alicia Lewis, dona da revista de fofocas do andar de baixo, me interceptou antes que eu pudesse entrar na minha sala.

O que ela estava fazendo ali em cima?

— Alicia. — sorri falsamente, respirando fundo para não fazer uma besteira. Ela tinha escrito coisas horríveis sobre o meu relacionamento em sua coluna na última semana. — Quem te deixou subir?

— Ora, querida, apenas vim ver como você está. — ela continuou sorrindo, e eu tive que realmente me forçar a ficar parada, se não gastaria minhas unhas para arrancar o sorriso de seu rosto.

— Você veio destilar seu veneno matinal, quer dizer. — retruquei, passando por ela para entrar na minha sala. — Não estou no clima. — fechei a cara, já abrindo a porta para entrar.

Antes que eu pudesse fechar a porta, ela a segurou com o pé, impedindo que eu pudesse batê-la em sua cara.

— Você me ofende falando desse jeito, Tessa. — ela pousou uma mão no peito, como se realmente estivesse sentida com algo. Falsa. — Só vim ver se você está bem depois das notícias de hoje.

— Noticias? — ecoei, eu realmente não tinha checado os sites de fofoca.

Ou qualquer rede social. Eu vinha evitando fazer isso.

— Você não soube? — seu tom era de pena, mas eu pude sentir uma pitada de vitória nele. — Está por toda a internet, eu sinto muito.

E então ela piscou os cílios postiços para mim e deu meia volta, saindo da redação com toda a elegância que fingia ter. A realidade era que Alicia Lewis era baixa, e tinha me atingido em cheio com seu veneno.

Respirei fundo, finalmente podendo fechar a porta da minha sala. Encarei a madeira por mais alguns segundos, deixando meus pensamentos lutarem entre si antes de finalmente me render a curiosidade. Caminhei apressadamente até a minha mesa, deixando a bolsa de qualquer jeito sobre a mesma. Ligar o laptop e procurar o que eu precisava não foi difícil.

E ali estava, pipocando de todos os lados.

Fotos, notícias, especulações, evidências.

Aparentemente meu ex-noivo tinha engravidado uma das kardashian-jenner. Isso explicaria todos os olhares voltados para mim mesmo após um mês depois da sua traição. Abri a página que realmente me interessava; a revista online de Alicia. Eu sabia que não deveria, mas eu tinha certeza que ela nunca perderia um furo como aquele.

Principalmente se ela pudesse me atingir de brinde.

Li a coluna em menos de cinco minutos, minha raiva aumentando a cada linha escrita. Ao fim de tudo, o que eu mais queria era pegar o elevador, descer até seu andar e dar uns bons tapas naquela cara de cínica dela. Porém, eu apenas engoli minha raiva e fechei o laptop.

Respirei fundo três vezes, contando até dez como minha instrutora de yoga sempre dizia para fazer. Na verdade eu poderia contar até duzentos que não conseguiria me acalmar naquela hora, e eu agradeci pelo meu resto de autocontrole; se não teríamos picadinho de Alicia para o jantar.

Para a minha sorte, meu telefone tocou exatamente naquele momento.

Agradeci mentalmente aos cosmos e procurei o aparelho dentro da minha bolsa, atendendo sem sequer olhar quem me ligava.

— Teresa Storm.

— Tess. — uma voz chorosa chamou do outro lado. Não demorei a reconhecê-la.

— Emilly? — perguntei apenas para confirmar. Fui respondida por uma fungada forte, e eu comecei a realmente ficar preocupada. Emilly Golden era uma mulher orgulhosa, em poucos dias de nossa amizade eu a tinha visto chorar daquele jeito. — O que aconteceu?

— Emilly! Meu Deus, você está bem? Você nunca liga, o que aconteceu? — outra voz desesperada falou na ligação.

Confusa, eu afastei o celular do ouvido, só para então perceber que Emilly tinha feito uma ligação em grupo. Voltei a colocar o celular na orelha quando Roxanne entrou na ligação, também desesperada.

Ambas, Lucy Brown e Roxanne Love, estavam desesperadas e falavam muito rápido, enquanto Emilly apenas chorava do outro lado. Eu respirei fundo, afundando na cadeira e me sentindo novamente no ensino médio. Cocei a testa, sentindo o ponto entre minhas sobrancelhas latejar com o início de uma dor de cabeça.

— Gente. — chamei, obtendo um silêncio em seguida. — Deixem a Emilly falar, por favor.

Ouvi um suspiro do outro lado da linha, seguido por um som de algo sendo arrastado. Rezei para que ela não tivesse feito uma grande besteira, mas o que eu ouvi em seguida me fez ficar em pé rapidamente.

— Milly, já ouvi o suficiente. Estou indo aí. — eu sequer me importava se teria que deixar a redação nas mãos de minha assistente. — Preparem as coisas, teremos uma reunião hoje a noite.

 — Preparem as coisas, teremos uma reunião hoje a noite

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