Quinto Capítulo

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Após aquela longa conversa com Yris em que ficaram sabendo todos os detalhes da vida de Ludmilla, Brunna decidiu subir pra descansar um pouco. Sua barriga já estava pesada demais e não sabia direito porque, mas depois daquela conversa havia ficado um pouco melancólica, talvez fosse a gravidez que a tornava mais sensível!

Mas Marcos parecia querer continuar naquele tema, só que dessa vez sozinho com Brunna. Assim que entraram no quarto dela, ele foi logo comentando:

- Menina, que história essa hein?! A mulher num momento tem tudo, dinheiro, família, o amor da vida dela ao lado e, de uma hora pra outra fica só no mundo! Apenas com um pai que a vê uma vez ao ano e não dá a mínima pra ela! Não me surpreende que tenha ficado maluca! Quem não ficaria?!

Brunna não estava passando muito bem e queria ficar um pouco só pra relaxar e pensar no que tinha acabado de ouvir. Falou impaciente com Marcos:

- Bicha, me deixa sozinha um pouco vai, tô com a cabeça explodindo e não quero mais ouvir falar dessa história por enquanto. Me deixou chateada, não sei por que!
- Ora, eu sei! Porque é triste! Porque nos identificamos com ela na solidão.

Brunna já estava ficando irritada:

- Ah, Marcos, dá um tempo tá?! Identificar com ela em que? Ela viveu feliz por muitos anos, cheia da grana, cercada de gente que a amava, encontrou a mulher perfeita pra ela, então o que na vida dela lembra a nossa? Me diz, o que? A solidão?! Ah, me poupe dessa comparação! Ela está só agora! Tem dois anos e meio que tudo aconteceu. Antes ela era feliz e curtiu muito essa felicidade! Tá bom que foi uma tragédia ela perder todo mundo que amava assim, num espaço de 6 meses, mas daí a achar que a vida dela é semelhante a nossa não tem cabimento! Eu nunca tive família direito, nunca tive dinheiro à vontade, nunca fui amada por ninguém como ela foi, nunca tive quem cuidasse de mim quando eu ficava doente! E você então?! Agora chega dessa conversa, preciso ficar só e descansar, depois falamos.

Marcos a olhou pensativo e levantando-se pra sair comentou:

- Pode até ser que você tenha razão, mas pense no que a dona Yris te pediu agora no final.

E antes de fechar a porta completou:

- Fique aqui até o bebê nascer! Acho que vai ser bom não somente para Ludmilla, mas também pra você! Ela tem o mesmo sangue de sua filha e isso deve de algum modo mexer com ela. Talvez dona Yris tenha razão, quem sabe essa criança não seja a salvação de Ludmilla?! A criatura que irá tirar ela dessa apatia permanente e trazer de volta à vida?! Aproveite pra pensar muito bem sobre isso, Bru, é a sua chance de mostrar mais uma vez que sabe ser generosa como foi comigo. Te amo, minha bruxinha! Agora vou tentar jogar um pouco de charme para aquela gracinha de advogado!

E saiu deixando a amiga com a cabeça latejando mais ainda e afogada em pensamentos.

Ficou horas rolando pela cama tentando colocar as ideias em ordem. As palavras de Yris e de Marcos martelavam em sua cabeça e sentia certa indignação em saber que o marido nunca havia comentado uma linha sequer sobre o que se passou com a filha. Nem mesmo a morte dos pais e da companheira de Ludmilla , que pelas suas contas, deve ter ocorrido meses antes de se conhecerem.

"Que homem mais egoísta! Não se dignou sequer a dar apoio à filha num momento tão delicado! Deixou-a sozinha! Claro, foi mais fácil fingir que nada tinha acontecido a ter que atrapalhar a vida de orgia para cuidar da própria filha! E eu que cheguei a pensar que era parecida com ele, mas não quero ser assim, eu não sou assim! Não, eu nunca faria isso com minha filha... ou será que faria?"

E atormentada por esses pensamentos, Brunna adormeceu.

Já era noite alta quando Marcos entrou no quarto dela dizendo que deveriam descer para o jantar. Brunna tomou um banho e colocou um agasalho por cima do vestido leve, pra se proteger do frio que fazia àquela hora. Desceu imaginando que teria que passar por outra refeição como aquela do almoço, com Ludmilla muda e Yris falando pelos cotovelos pra não dar tempo de ninguém tentar puxar conversa com ela. Era tão constrangedor! Estava com o humor alterado e não via a hora de ir embora logo daquele lugar, logo após o funeral.

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⏰ Última atualização: Sep 15, 2020 ⏰

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A Vinha e o Girassol 🌻 Brumilla Onde histórias criam vida. Descubra agora