No dia da conversa, tudo parecia mais claro. Eu não tinha em mente falar mal da menina de apelidos, não iria ser mandona e falar "você é minha", por que eu sempre soube que ela nunca foi apenas minha. Na verdade, imagino que só iria falar que amava muito ela, falar o quanto ela era importante e que gostaria de ter um pouco de atenção, por que havia voltado a me sentir sozinha a cada conversa que falava com as paredes. Mas a vida havia preparado algo a mais para mim.
Naquele dia foi dado na aula de inglês uma atividade em grupo, do qual uma amiga da Sofia me chamou. Aceitei com um sorriso no rosto, ela era uma boa pessoa. Logo sentei e ela começou a falar "promete que não conta para ninguém?". Já havia uma promessa na frase, não era uma boa coisa.
E foi naquela carteira rabiscada de frases de músicas bobas que derramei lágrimas de desespero. Naquele dia, a menina dos apelidos havia me olhado estranho, sem um bom dia como sempre falava e a Sofia parecia mais distante de mim. Era isso.
Essa amiga da Sofia havia ido visitar a Sofia no dia anterior e como novidade, a menina dos apelidos estava lá. E ela ouviu tudo quietamente. Foi isso que ouvi. Mas hoje não acredito em mais nada.
Se o que ouvi veio da boca da Sofia, me recuso a acreditar que as pessoas são de verdade. Sofia, como você pode? Você não gostava de mim desde o início? Você achava que eu tinha ciúmes da menina dos apelidos? Por que não me perguntou antes de falar o que não deve? Por que eu confiei em você? Eu não era mais a mesma.
E o professor além de surdo era cego e não viu minhas lágrimas e o meu desespero. Só pedi licença e corri para o banheiro. Era só a necessidade de chorar sem ninguém por perto.
E quando saí da sala, a menina dos apelidos sem querer falou um pouco alto demais. "Só suposto ela por causa da Sofia". Você deveria ser mais esperta e saber que eu estava na porta.
E agora, como seria a conversa minha e da Sofia? Como eu iria dizer que gostava de ser amiga dela? Só Deus sabe o que eu passei.
No final da aula, chamei ela, mas ela estava ajudando a menina dos apelidos a guardar o material. Espero do mesmo jeito. Segurei o choro. Andei sem me arrastar. Eu estava segura.
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Sofia
Short StoryA vida tem regras básicas. E a principal delas é que não se deve magoar um poeta. A vida dá voltas e a poesia é quem faz o trajeto. Obrigada Sofia.
