Naquela noite, acordei completamente assustado.
Mesmo que eu tentasse me enganar, as evidências estavam presentes em toda parte. Era só olhar para mim. Minha camiseta regata estava encharcada de suor, e o meu coração martelava desvairado contra o peito. Eu sabia que estava na segurança de minha cama, mas - ainda sim - sentia como se o pesadelo não tivesse acabado... Eu sentia como se o ser produzido pelo meu subconsciente pudesse estar ali, escondido nas sombras da madrugada, só esperando para me atacar.
Fechei os olhos novamente e procurei respirar fundo. Aquilo era a porra de um maldito inferno.
Eu tinha plena consciência de que estava sendo irracional. Eu sabia que não havia um motivo real para entrar em pânico e começar a pirar. Tudo aquilo não passava de um sonho... Um sonho aterrorizante que - noite sim, noite não - me tirava o sono há mais de um mês. O que significava que eu estava fodido.
- Mas que merda, Adrian... Se controle - sussurrei para mim mesmo, enquanto me encolhia feito uma bola por de baixo do cobertor - Você está sendo um medroso!
No mesmo instante, a porta do quarto foi aberta com energia - se chocando contra a parede lateral do cômodo e provocando um ligeiro tremor no piso. Sob a luz fraca do corredor se encontrava um homem alto e esguio, seus cabelos escuros emaranhados de uma forma estranha no topo de sua cabeça, o rosto quadrado e bonito ligeiramente deformado em uma careta dura de preocupação.
- Filho, você está bem?!
-Estou sim, pai - murmurei, sentido o sangue pulsar em minhas orelhas - Foi só um maldito pesadelo.
- Ah, claro. É só que eu te escutei lá do quarto e... bem, esquece! - no mesmo instante, percebi que todo o corpo de Cirus se descontraiu, e ele conseguiu abrir um ligeiro sorriso. Um tipo de sorriso condescendente que os pais geralmente dão aos filhos, e que me mostrou que, além de tudo, eu deveria ter gritado como uma menininha durante o sono. E isto era constrangedor, em muitos níveis diferentes.
- Ok, não precisa me dizer mais nada - eu respondi, fechando os olhos com força - Só vamos esquecer o que acabou de acontecer, tudo bem?
Isto era tudo o que eu podia falar sem entregar o medo que me consumia por dentro. Eu estava mais apavorado do que queria realmente demonstrar, e isto era fodidamente ridículo, ainda mais considerando o que de fato eu era.
- Mas o que é isso, Adrian? - perguntou meu pai, uma de suas sobrancelhas negras erguida em incredulidade - Você sabe muito bem que não tem motivo nenhum para se envergonhar. Qualquer um pode ficar com a guarda baixa durante a noite... Até mesmo alguém como você.
Mas é claro que eu tinha motivos. Eles eram bem grandes. Afinal, se não fossem por minhas ''particularidades'', talvez aquele sonho fosse menos assustador. Ou melhor: Talvez eu nem tivesse esse tipo de sonho.
Percebendo a minha expressão preocupada, Cirus deixou a sua posição protetora na porta do quarto e se aproximou de onde eu estava, se sentando na beirada de minha cama de solteiro e me avaliando com um ar cansado e abatido. O que não era comum para ele. Não mesmo. Meu pai sempre exibia com orgulho todo o seu ar jovial em cem por cento do tempo. Ele era conhecido por isto.
O que só provava o quão errada a minha vida estava naquele momento. Pois, se fosse outro tempo, com certeza eu teria visto os sinais e estaria preparado pela bomba que ele estava prestes a lançar no meu colo.
- Afinal, filho - ele começou, um dos cantos de seus lábios se crispando para baixo deliberadamente - Que sonhos são esses que você anda tendo ultimamente? Você realmente acha que são apenas sonhos?
Naquele pequeno segundo de antecipação, senti o meu sangue gelar. Minha reação natural seria a negação, pura e simples. E, acreditem em mim, eu era um mestre nisto. Mas, não foi o que eu fiz; na verdade, eu me pus a pensar. Deliberadamente. Pois, como eu, meu pai era um Arcano. E, assim como eu, ele também tinha plena certeza que eu não acabara de ter um sonho comum.
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Terra das Sombras: O Guardião
FantasyVersão reescrita e reeditada de "TERRA DAS SOMBRAS: O GUARDIÃO'', originalmente publicado em epub pela Amazon, em 2012. PLÁGIO É CRIME. Adrian Regis é um adolescente extraordinário. Dotado com a incrível e - ao mesmo tempo - assustadora capacidade d...