Me lembro muito bem de quando fui garantir meu emprego no primeiro de trabalho e estava animada. Finalmente iria poder pagar meus alimentos, remedios com meu dinheiro. Haviam me mandado o endereço para que eu comparecesse para um rápido conhecimento dos produtos. Bom o email, especificava devidamente o local de trabalho, mas quando cheguei lá e adentrei a porta vendo que não era somente uma loja de linguries e sim que havia muito mais que isso, quase caí dura. Embora a fachada do estabelecimento seja pequena por dentro ela é imensa e é iluminada com uma luz rosa clara suave, mas que mesmo quando saio ao sol causa um choque de vista que dura alguns segundos. Tive que me adequar a alguns produtos da loja e consegui memorizar facilmente cada item e sua função.
Havia de tudo lá, dildos, balas quentes, cinturões, conjuntos comestíveis de calcinha e sutiã de vários sabores, sugadores clitorianos e muito mais. Deixei quieto que não nunca tiveram uma experiencia com qualquer que fosse esses brinquedos. Eu apenas atendia os clientes e se alguém quisesse tirar as dúvidas eu chamava Dália ou a dona da loja Keth.
Dália e Keth são primas, mas são tambem tão diferentes uma da outra que era duvidoso estabelecer um padrão parentesco se não consultasse a árvore genealógica. Enquanto Dália é gordinha de cabelos negros e longos, pele bem clara e deve medir 1,66. Sua prima é magra de cabelos curtos e loiros em um corte Chanel, é tão alta que parece uma modelo de passarela e sua pele é morena. Dália fica com a parte de atendimento já que é muito faladeira e Keth mais quieta e reservada, meche com a parte da renda do "Pétala Rosa" nome da sex shop. De todos os empregos que me imaginei atuando, tudo estava na minha mente menos uma Sex Shop de sucesso. Eu ia dando meia volta quando Dália abriu a porta e me viu parada lá olhando a logo da loja que consiste uma rosa com pernas verdes e sensuais no lugar do caule, e ainda o detalhe mais legal, ela usava sinta liga e salto alto. É, remete a algo sensual, não dá pra negar.
Passei a estudar os objetos da loja e Dália ou até mesmo Keth sempre me ajudavam, mais do que isso Dália ela me indicava, no começo ficava vermelha de vergonha de saber que "isso é para o anús" "isso é pra endurecer o pênis" "isso dá pra comer" "esse aqui faz maravilhas no..." E por aí vai.
Já fazia mais ou menos três messes que trabalhava lá e não havia nem comentado com meus pais os detalhes de meu emprego, eles sabiam que eu tinha um, fui bem caltelosa ao dizer que trabalhava em uma lojinha de acessórios do bairro. Os dois ficaram felizes. Minha mãe mais ainda, já que a loja fica mais próxima a casa dela, na cidade dela, para meu desespero ela ia me buscar todo dia no trabalho, ou melhor dizendo na esquina da rua de onde ficava o Pétala Rosa, lá sim era uma lojinha de acessórios
Atualmente eu curto a minha relação com meus pais. Tinha duas casas praticamente, duas cidades, ia de um lado pro outro, felizmente as cidades eram próxima então...
Como eu disse minha mãe achava que eu trabalha em uma loja de enfeites e acessórios fofos, Isso é só alguns dos detalhes que escondo da minha mãe além de minha religião. Mas um dia ela me pegou conversando com Dália na esquina da rua onde trabalho
— Aí a sua amiga é uma fofa — ela observou assim que entrei no carro.
Mesmo trocando nem meia dúzia de palavras com Dália, mãe achou minha colega de trabalho "uma fofa", se ela soubesse a influência que Dália estava sendo, acredito que o nome que ela iria dar pra isso não seria nada fofo e na concepção dela vergonhoso e totalmente despudorado.
Acontece que depois de alguns messes trabalhando juntas em uma loja de produtos eróticos, o assunto erotismo acaba entrando no meio de algumas conversas e adoro a forma gesticulada e totalmente normal de Dália falar tantas coisas relacionada a prazer sexual.
Estávamos reorganizando prateleiras quando ela iniciou o falatório de o quanto capas penianas eram maravilhosas
— Uma vez eu usei essa no meu Ex, fez maravilhas melhores do que sem esse treco
Apenas dei uma risadinha
Depois de colocar a caixinha de volta na alta prateleira ela perguntou
— Tá pode falar o quanto você fica sem graça com esses assuntos. Por que você sempre da essa risadinha chocha ?
Tentei direcionar a conversas pra outro ponto
— Nossa essas manequins estão empoeiradas não, olha é só olhar e daqui já vejo pó — estiquei minha mão pra pegar um pano e fui direto pra vitrine
Infelizmente Dália insistiu em me seguir com uma sacolinha com outro conjunto sensual pra colocar na vitrine. Esse era realmente mais bonito do que o outro, mas não estava ligando muito pra aparência do manrkin, só queria me livrar de mais uma conversa que nao iria levar a nada a não ser um interrogatório do por que ainda não fiz sexo, como se a resposta para sexo fosse tão rápida quanto pedir kindin na padaria. Pra mim sexo se baseava em pedir lanche no Subway, não dá pra ter resposta pronta quando se está perdida na multidão de opção de queijos e saladas.
Depois de um tempo ajeitando a nova lingerie, ajeitamos o boneco no pedestal e...
— Eu já saquei qual é a sua — o rosto redondo de Dália saia devagar por de trás do ombro do manequim – Você nunca fez
— Nunca fiz ? — tentei uma última vez me fazer de desentendida
— Sexo
Dei de ombros e comprimi os lábios para a resposta óbvia.
— Eu não sei por que as pessoas se interessam tanto pela vida sexual de outras pessoas !
Conclui
— Eu sabia
Descia o degrau pequeno da vitrine com Dália em meu encalço
— Ora então pra que a pergunta ?
— Só desencargo de consciência mana
Reviro meus olhos e vou para os sofazinhos coloridos que fica nos fundos da loja, geralmente é aqui que ficamos enquanto não tem ninguém pra atender. Me joguei em um deles aguardando o restante do monólogo de minha colega de trabalho. Por sorte veio apenas o silêncio, mas ela continuava me olhando com um olhar curioso como se eu fosse um projeto de ciência complexo. Ela deve ter percebido meu enconodo mas não conseguia esconder sua insana curiosidade, e eu não iria suportar por muito mais tempo seu olhar. No final do dia enquanto esperáva a carona de minha mãe e ela foi me acompanhar até a esquina resolvi dar uma colher de chá
— Pergunte, vamos sei que está louca pra saber
— Aí que bom ! – a animação em sua voz acompanhada de pequenas palminhas já dizia tudo — é que é difícil ver alguém já da sua idade que não tenha transado antes, e você uma adulta, uma mulher que parece tão decidida...
— Mulher decidida — falei muito surpresa com a frase. Da missa Dália não sabia um terço
— É garota, empoderada sabe, não queria me meter mas achei curioso e fiquei pensando...
O resto do que ela dissia era carregado de desculpas para admirar "meu grande feito" em longos quase 21 anos de virgindade. Depois vieram as perguntas típicas "é medo ?" "Você é celibatária ?" "Sua religião não permite sexo antes do casamento". Para todas as perguntas era não, até uma delas se destacar "Você é Assexual".
Para essa eu apenas balbuciei algo como :
— Eu acho que não
Assim que respondi essa última questão em fim o carro de minha mãe chegou. Já tinha ouvido falar sobre grupo de pessoas que não se interessam por sexo mas nunca nem cheguei a pensar na hipótese. E se eu fosse assim também ? Confesso que nunca na vida havia debatido qualquer questão sobre sexualidade. Tentei me lembrar de algumas vezes que senti desejo. Consegui várias recordações, mas nunca direcionada a alguém, mas meu corpo reagia ao ver aquilo. Me lembro das vezes em que via uma cena ou outra de amor em um filme. Mais especificamente uma cena de "sexo fofo" digamos assim, não tinha muito costume de assistir romances mas essas cenas era algo que envolvia abraços e beijos e toque e isso me atraia muito. Eu sentia algo mas não sabia como aliviar aquela sensação.
Sexo nunca foi assunto discutido dentro de minhas casa, nem na de mamãe, nem na de papai, eu sabia que as pessoas gostavam e faziam sem qualquer compromisso. Mas quando elas não tinham alguém, como elas faziam para dar um jeito nessa sensação, eu não sabia. Esse pensamento continuou comigo durante mais ou menos uma semana então decidi fazer algo, vestir a carapuça da mulher decidida, embora eu estivesse longe desse tipo de rótulo, gostei da ideia de me empoderar e já sabia como. Eu tinha uma expert ao meu lado e poderia pedir ajuda a alguém com certeza sabia sobre essas...sensações, então decidi ser acertiva
— Dália presiso que me ajude em algo
— Fala que eu te escuto mona – Ela falava enquanto comia um pacote de batata Chips sentada em um dos pufs coloridos com o pé apoiado em outro.
Ela é dona daqui também e deicha isso bem claro quando se joga assim, como se estivesse em casa
— Presciso saber como fazer pra aliviar a vontade
Pronto. Parecia que eu tinha acabado de citar uma profecia sagrada. Dália parou a batata que ia levar a boca , que agora se abria em um grande "O" de admiração e veio até mim, pós suas mãos na minha bochecha que ficou ardendo
— Au !
— Do. Que . Você . Prescisa
Obviamente Dália ficou abismada com o fato de eu nunca ter falado sobre isso com ninguém, principalmente com amigos, mas se for contar a parte de que eu passei quatro anos sem ter amigos na adolescência por ter saído da escola e morar em um lar que ou você tem uma mãe conservadora ou bom...um pai que vc não quer ter essa conversa, só iria emcompridar mais a conversa. Dália me passou todas as dicas sobre masturbação possíveis e de quebra ainda me indicou vídeos de canais de mulheres que falavam sobre o assunto de forma despojada. Tudo que eu precisava era ficar sozinha e por o plano em prática.
Não era tão fácil quanto imaginei, nunca havia visto meu corpo de maneira sexual, eu gosto muito dele e se fosse pra mudar algo, talvez seria meus ombros largos de mais. Segundo o que Dália disse e segundo tudo que pesquisei em vídeos, esse momento é só meu e se sentir sexy era algo fundamental assim como se sentir insegura era normal também. Naquele momento me sentia normal, só eu deitada na cama de calcinha e sutiã com os cabelos enrolados estendidos no travesseiro. Dúvidas começaram a surgir de todos os lados.
"E se...meu pai aparecerno quarto?"
Me levantei imediatamente quando me ocorreu isso e tranquei a porta do meu quarto
"E se for tão bom que vou fazer barulho ?"
" E se eu não conseguir chegar lá ?"
Pensei tanto nas possibilidades que que quando vi estava cochilando. Eu definitivamente não estava no clima pra fazer aquela noite. Tentei outras noites de novo, e de novo e de novo. Até que desisti dessas tentativas forçadas que só me levavam a fuçar meu corpo, me apertar e nada acontecer. Como eu disse não era fácil, mas um dia, uma quarta feira que me recordo bem eu e meu pai estávamos mais uma vez maratona do uma série de terror, até que ele dormiu. Pausei os episódios pois sabia que ele iria ficar chateado se eu o ultrapassasse. Então fiquei ficando no catálogo do streaming procurando algo que fosse novo, até chegar em uma ficção cientifica que me chamou atenção, olhei no relógio e verifiquei que ainda era cedo pra iniciar uma seção. Me aconcheguei e coloquei uma almofada na cabeça e deitei no utro sofá
O filme estava ótimo e o casal principal chamava atenção graças a química constante durante as cenas. O que eu não contava é que do nada a química que tanto exalava do casal acabou pegando fogo e a cena começou a ficar diferente. Bom como eu já disse esse tipo de cena me chama muito mais atenção do que aquelas que são propositalmente feitas pra sentir o que eu estava sentindo naquela hora. Era aquilo que eu precisava, de um estímulo visual romântico, agora eu entendia. Meu pai estava do lado, eu não iria fazer aquilo ali. Fui pro meu quartoe levei a almofada junto, me tranquei e fiz tudo que estava ao meu alcance, fiz tudo que havia feito nos outros dias mas dessa vez havia vontade envolvida. Terminei jogada na cama sem força nas pernas, não sabia que meu corpo podia sentir tudo aquilo ao mesmo tempo. Me senti sexy por mais alguns segundos enquanto estava jogada na cama decidindo o que fazer depois. Será que iria conseguir mais outra vez ? Gostei da ideia porem a empurrei de lado quando descobri que meu pai ainda estava deitado cochilando na sala. Se fosse pra fazer de novo seria outra hora, agora só iria arrumar as coisas e acordar meu pai.
No outro dia quando fui trabalhar levantei o assunto pra Dália, que agora sugeria que agora que eu havia encontrado meu lado sexual e sexy devíamos comemorar indo em uma balada que tinha ali perto. Eu não questionara um convite tão... diferente. Antes desse emprego confesso que nunca sai pra lugar algum com alguém que tivesse a faixa etária perto da minha idade desde a escola, me empolguei por que não é sempre que aparece essa oportunidade e aceitei de bom grado.
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Olá meus leitores. Em fim mais um capítulo, semana passada não teve pois tive que ser cuidadosa ao escrever esse já que é um assunto mais pertinente.
Não se esqueçam de compartilhar e dar fav na história que isso ajuda ela a andarSemana que vem tem mais hein e não se esqueçam, comam bolo 🍰
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Clube Dos Gray
RomanceUma menina que nunca entendeu o conceito de "ficada", acaba se encontrando em um pequeno clube da cidade. Lá ela se encontra e descobre o que não está sozinha quando se é demisexual
