Dia de Lutas

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Hummmm só percebi depois que esse momento poderia ser a hora de falar com ele. Havia se passado três minutos desde incidente com a bola na aula educação física. Aquela bolada teria sido meu golpe de sorte ? Não sei. Uma maosinha do destino para me levar ao fim da vastidão do vale dos BV's ? Talvez sim. Nunca iria saber se não tentasse, ele está com o celular na mão e jogando aquele jogo, a faca e o queijo estão em minhas mãos, não posso dar bobeira.
  Me sentei um degrau a cima do degrau com uma pequena distância. Tinha que ser casual. Me certifiquei que o volume do jogo estivesse no máximo. Se eu queria que ele me disse tinha que fazer do jeito certo. O jogo na quadra não estava muito tumultuado então ele podia ouvir muito bem o som que saia do meu aparelho. A logo do jogo apareceu, teria de carregar...só um pouco, um pouco mais e... Menu e... Play. Tenho que admitir, o jogo pode ter um gráfico terrível e formas tão marcadas que se não fosse o tom sombrio do cenário ou as aranhas horripilantes daria pra confundir com um jogo pra menores de três anos, porém, é visitante de mais. Mirriam observava tudo de longe. A minha plateia era de uma só e agradesço por sermos uma dupla pq se eu tivesse mais de uma amiga me assistindo ficaria envergonhada.
  Já estava quase no final da fase quando Isac olhou pra mim
   — É você
   — Eu o que ? — respondi com os olhos grudados no celular como se não soubesse do que eles está falando
   — O Jogo. Spidertower Saga — Ele mostra a tela do celular
  Tirei os olhos da tela e encontrei o rosto de Isac roxo e com um tufo de algodão enfiado na narina que estava sangrando a pouco. Pobrezinho parecia que tinha saído de uma guerra.
   — Há sim sou eu. Você também joga ? — Nunca me senti tão pilantra quanto naquele momento. Eu lá bancando a desentendida só pra conseguir se aproximar do menino que estava a fim
   — Nossa, achei que só eu jogasse isso. É um pouco desvalorizado
   — Talvez seja a estética, o gráfico um pouco antiquado
  Eu falava de um jeito cuidadoso, era como um campo minado conversar com garotos e eu não queria explodir pagando outro mico.
   — Sim, esse visual retrô é o que eu mais gosto nele
  Notei certa empolgação na voz dele agora
   — Em que fase você está ?
   — Eu es...
  E o sinal pra saída toca. Eu nunca odiei tanto aquele sino como naquele momento
  Ele se ponha de pé e eu também. Costumava ser o tipo de aluna apressada que sai assim que o sinal toca mas Isac não tem pressa e no momento eu também não. Conto a ele que estou no início do jogo
   — Aproveite enquanto pode por que só piora com o passar dos níveis
  — Quantos níveis são ?
  — Não tenho ideia mas tenho um amigo que está no nível 33 —
   Ele falou isso e tira o capuz do moleton vinho que vestia, fez um gesto passando as mãos no cabelo que eu imterpretei rápido como um alerta. Assisti Aquamarine mais de dez vezes e me lembro dos sinais físicos de quando um cara está afim de uma garota, que Hailey relata pra sua amiga Claire. O ato era extremamente charmoso, seu cabelo variava entre castanho claro e escuro o que fazia um tom lindo de fios mais claros e escuros. Acho que ele notou o meu ligeiro momento de análise e passou a mão diante de meu rosto pra me acordar do transe que, ele nem sabia, mas era sua beleza que causava.
   — Há desculpa, dormi tarde e ainda estou com um pouco de sono
   — Okay então, treina mais no jogo, amanhã eu posso te mostrar alguns truques se quiser
   — Ela quer sim – ouço o som da voz de Mirriam, que chega por traz e passa o braço por cima do meu ombro me afastando e me levando para a escada.
  Ele vinha atrás da gente. Mirriam e eu contemos o silencio até passarmos do portão. Isac deu um pequeno tchau pra mim ao se afastar e cada um pegou o rumo de casa.
   — Meu Deus, ele mexeu no cabelo — Fui a primeira quando pegamos certa distância do emaranhado de alunos no portão
   — Lembrou de Aquamarine né ?
   — É lembrei — Admiti pra minha amiga que me olhava com um sorriso matreiro

Naquele dia cheguei em casa e meus pais estavam discutindo, desta vez não fizeram questão de disfarçar isso de mim, tava tudo que exposto diante de mim, como um quadro em uma exposição medíocre de arte para críticos medíocres. O pior é que a obra de arte era o relacionamento ferrado de meus pais, sendo assim eu era o crítico medíocre. Mas uma coisa me comturbava. Qual era o motivo dessa desavença entre eles.
  Mais tarde fui perguntar ao papai o que havia acontecido. Desci as escadas, não antes de conferir no quarto e ver que mamãe estava dormindo. Amarrei meus cachos rebeldes em um coque rápido, desci com cuidado pois as luzes estavam apagadas e só a luz da tv iluminava o cômodo . Papai assistia a um filme que a julgar pelos gritos era um terror tipo trash. Não era muito chegada no gênero desde que assisti O Exorcista quando tinha dez anos e quasse tive um treco na hora que a menina apareceu descendo as escadas como uma aranha, mas se fosse para saciar minha curiosidade do por que o clima estava tão pesado em casa eu faria o sacrifício, só não olharia pra tela da tv.
   — Oi pai — iniciei a conversa me jogando ao seu lado no sofá de forma bem despojada
   — Oi filhote
  Ele usava uma touca preta que cobria sua cabeleira, mas dava pra ver que por baixo da touca ostentava o coque frouxo que costumava usar em casa. Pairou um silêncio ameno entre nós, até que tomei coragem e perguntei :
   — pai...mais cedo, hoje, quer dizer hoje mais cedo, o que aconteceu com você e a mamãe ?
   — Ammm Gez eu achei que vc não gostasse de terror, desde o episódio dia do Exorcista ? Hummm — ele estava fugindo do assunto.
  Eu amo meu pai, amo o estilo e até seu gosto louco pra filmes que a maioria dos pais reprovaram mas uma coisa que eu não apreciava na personalidade do meu velho é a dele ser tão fechado
   — Já superei pai — Mentira. Meu olhar continuava em todo lugar que não fosse a droga da televisão – O que fez vcs ficarem com a cara virada um pro outro durante o dia todo ?
   — Isso é coisa de adulto filha, não se preocupa com isso okay
   — Mas eu achei que talvez...
   — Fica tranquila Jesebell, isso é entre mim e sua mãe
   — Tudo bem
  Me rescosto no sofá e me dou por vencida. A minha batalha mais cedo hoje na escola foi vitoriosa, afinal consegui finalmente sustentar uma conversa com Isac que continha mais de cinco palavras. Mas em casa a coisa era diferente, estava em tereno conhecido com meus pais e falhei, mas não era o fim, e o fim de uma luta não definia a guerra. Eu tinha fé que tudo podia ser conquistado

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Quais serão as próximas batalhas da nossa heroína ? Só iremos saber em mais um próximo emocionante capítulo

Comam bolo bebês 🍰

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