Capítulo OITO - De frente para um sacrifício

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  Eu decidi ajudar Luke, os deuses não estavam nem um pouco preocupados comigo e não sabiam o fardo de carregar o destino da civilização ocidental nas costas, meu pai nunca apareceu para me ajudar, nunca deu as caras. Deixou minha mãe e eu sozinhes, passando dificuldades e agora eu iria me vingar deles.

Não dei satisfação a Quíron e no outro dia no mesmo horário fui para a floresta. Luke já estava a minha espera.

— Eu sabia que viria. — Ele disse assim que me viu.

— O que vamos fazer?

— Iremos embora.

— Preciso das minhas coisas.

— Não, está tudo no carro.

Não perguntei nada, sabia como o mundo dos meio-sangues funcionava, tudo o que você não acredita existe e pode acontecer.

Saímos da floresta e subimos a colina sem ninguém nos ver, o dragão que protegia a barreira estava em um sono profundo.

Havia um carro nos esperando no fim da Colina. Entrei nele e não me surpreendi, havia um esqueleto no volante.

Fomos de carro até Manhattan, onde descemos e pegamos um avião para ir para Los Angeles, onde o mundo inferior ficava. Os mortais não percebiam que haviam um esqueleto dirigindo um carro, por causa da névoa e eu queria saber o que eles estavam vendo. Me sentia um pouco insegure, estava eu tomando a decisão certa?

Por volta das dez da noite, estávamos em frente o Estúdios de Gravação M.A.C. O saguão estava iluminado e cheio de gente, por mais que fosse tarde. No balcão, um guarda de óculos escuros lia atentamente à um jornal.

Entramos no saguão do Estúdio. Dos alto-falantes tocava um música suave. O carpete e as paredes eram cinza-chumbo. Cactos cresciam nos cantos como mãos de esqueletos. Os móveis eram de couro preto, e todos os assentos estavam ocupados. Havia gente sentada em sofás, gente em pé, gente olhando pela janela ou aguardando o elevador. Ninguém se mexia, nem falava, não faziam nada. Com o canto do olho, eu podia vê-los muito bem, mas, se me concentrasse em qualquer um em particular, eles começavam a parecer... transparentes. O balcão da segurança ficava em cima de um degrau, portanto tínhamos de olhar para o alto para falar com o guarda.
  Ele era alto e elegante, com pele na cor de chocolate e cabelo tingido de loiro, cortado em estilomilitar. Usava óculos com armação de casco de tartaruga e um terno de seda italiano que combinava com o cabelo. Uma rosa negra estava presa à lapela, embaixo de um crachá de prata.
Li o nome no crachá e olhei para ele perplexe.

— Seu nome é Quíron?

Ele se inclinou por cima da mesa. Não consegui ver nada em seus óculos exceto meu próprio reflexo,
mas seu sorriso era doce e frio.

— Que garote mais engraçadinhe... diga-me, eu pareço um centauro?

— Não, senhor — respondi.

Ele segurou o crachá e correu o dedo embaixo das letras.

— Consegue ler isto, garote? Aqui diz C-A-R-O-N-T-E. Diga comigo: CA-RON-TE.

— Caronte.

— Fantástico! Agora: senhor Caronte.

— Senhor Caronte — disse eu.

— Muito bem. — Ele se recostou. — Detesto ser confundido com aquele homem-cavalo. E agora,
como posso ajudá-los, pequenos defuntos?

— Queremos ir para o Mundo Inferior. — Luke disse.

Ele nos olhou de cima a baixo.

— Então, como vocês morreram?

Salve o Olimpo | 𝐈𝐦𝐚𝐠𝐢𝐧𝐞𝐬 𝒑𝒋𝒐Onde histórias criam vida. Descubra agora