Era dez da noite, estávamos em frente o Estúdios de Gravação M.A.C. O saguão estava iluminado e cheio de gente, por mais que fosse tarde. No balcão, um guarda de óculos escuros lia atentamente à um jornal.
- Certo. Vocês se lembram do plano. - Annabeth disse e nos encarou.
- O plano. - Percy disse.
Entramos no saguão do Estúdio. Dos alto-falantes tocava um música suave. O carpete e as paredes eram cinza-chumbo. Cactos cresciam nos cantos como mãos de esqueletos. Os móveis eram de couro preto, e todos os assentos estavam ocupados. Havia gente sentada em sofás, gente em pé, gente olhando pela janela ou aguardando o elevador. Ninguém se mexia, nem falava, não faziam nada. Com o canto do olho, eu podia vê-los muito bem, mas, se me concentrasse em qualquer um em particular, eles começavam a parecer... transparentes. O balcão da segurança ficava em cima de um degrau, portanto tínhamos de olhar para o alto para falar com o guarda.
Ele era alto e elegante, com pele na cor de chocolate e cabelo tingido de loiro, cortado em estilomilitar. Usava óculos com armação de casco de tartaruga e um terno de seda italiano que combinava com o cabelo. Uma rosa negra estava presa à lapela, embaixo de um crachá de prata.
Li o nome no crachá e olhei para ele perplexe.- Seu nome é Quíron?
Ele se inclinou por cima da mesa. Não consegui ver nada em seus óculos exceto meu próprio reflexo,
mas seu sorriso era doce e frio.- Que garote mais engraçadinhe... diga-me, eu pareço um centauro?
- Não, senhor - respondi.
Ele segurou o crachá e correu o dedo embaixo das letras.
- Consegue ler isto, garote? Aqui diz C-A-R-O-N-T-E. Diga comigo: CA-RON-TE.
- Caronte.
- Fantástico! Agora: senhor Caronte.
- Senhor Caronte - disse eu.
- Muito bem. - Ele se recostou. - Detesto ser confundido com aquele homem-cavalo. E agora,
como posso ajudá-los, pequenos defuntos?- Queremos ir para o Mundo Inferior - Annabeth disse.
Ele nos olhou de cima a baixo.
- Então, como vocês morreram?
Cutuquei Percy.
- Ah - disse ele. - Ahn... afogados... na banheira.
- Os três? - perguntou Caronte.
Nós assentimos.
- Que banheira grande. - Caronte pareceu levemente impressionado. - Suponho que vocês não
têm moedas para a passagem. Com adultos, vocês sabem, eu poderia debitar no cartão de crédito, ou
acrescentar o preço da travessia na sua última conta de telefone. Mas com crianças... infelizmente, vocês
nunca morrem preparadas. Acho que terão de ficar sentados por alguns séculos.- Ah, mas nós temos moedas. - Percy colocou três dracmas de ouro sobre o balcão
- Ora vejam... - Caronte umedeceu os lábios. - Dracmas de verdade. Não vejo uma dessas faz...
Seus dedos pairaram avidamente sobre as moedas.
Estávamos muito perto. Então Caronte me olhou. - Mas você não conseguiu ler meu nome direito. Você é disléxico(a), menine?- Não. Sou um/a morte.
Caronte inclinou-se para a frente e deu uma cheirada.
- Você não está morto. Eu devia saber. É um filhote de deus.
- Temos de chegar ao Mundo Inferior. - Annabeth insistiu.
Caronte rosnou no fundo da garganta.
No mesmo instante, todas as pessoas na sala de espera se levantaram e começaram a andar de um lado
para outro, agitadas, acendendo cigarros, passando as mãos pelos cabelos ou olhando para os relógios de
pulso.
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Salve o Olimpo | 𝐈𝐦𝐚𝐠𝐢𝐧𝐞𝐬 𝒑𝒋𝒐
Fantasy- Queride, semideus (a/e)! Neste livro você terá a chance de fazer escolhas que salvarão o Olimpo de uma grande ameaça. !! Um aviso: toda escolha há consequências, e na maioria das vezes elas são ruins, mas se você for esperto talvez consiga não aca...