24 de julho de 2019
Colin Bridgerton era um homem bonito. Seus olhos verdes, juntamente de seus cabelos pretos cheios - tradicionais da família Bridgerton - e seu senso de humor único o tornavam alguém com uma beleza muito acima do considerado aceitável pela sociedade.
Benedict Bridgerton, por sua vez, era mais introvertido do que o irmão mais novo. Mas não que isso atrapalhasse sua beleza. De forma alguma. Com alguns centímetros a mais, olhos azuis e um porte digno da realeza ele era um cavalheiro perfeito, capaz de arrancar suspiro de todas as mulheres por onde quer que passasse.
Mas Anthony Bridgerton.
Anthony Bridgerton era apenas Anthony Bridgerton.
Não haviam palavras para descrevê-lo.
Considerando a genética da família eu imaginava que, apesar de não ser alguém que eu fosse simpatizar, o homem seria bonito e que não haveria como negar isso. Ledo engano.
Colin era um homem bonito. Benedict era um homem bonito. Anthony era simplesmente Anthony, não havia um adjetivo melhor.
Com o cabelo preto mais brilhante que eu vira na vida e os olhos mais negros que petróleo, Anthony Bridgerton fora pessoa mais bela que eu já conhecera em toda minha existência.
Qualquer que fosse a atração que eu sentira por Benedict a primeira vista, neste instante, parecia uma chama de fósforo comparada ao que Anthony despertara. Sim, o primogênito da família Bridgerton era tão mulherengo e arrogante quanto eu imaginara, isso estava estampado em sua face. Ele tinha aquela expressão segura que apensa pessoas que realmente sabem o quão atraentes são podem ter. Ele era arrogante - e talvez com razão. Mas era lindo. Eu não poderia negar. Nem mesmo se quisesse. Nem mesmo se minha vida dependesse disso.
Anthony Bridgerton simplesmente... Anthony Bridgerton.
Em uma fração de segundo após olhar em direção a porta meus olhos se encontraram com o seu. E, de repente, era como se o mundo não existisse. Não havia mais namoro falso. Não havia mais casamento algum. Não havia mais ninguém. Não havia mais nada.
Talvez fosse apenas meu ego tentando restaurar a última gota de dignidade que habitava em meu corpo, mas algo me fazia acreditar que Anthony também se sentira assim.
- Anthony! - falava mais uma vez Violet, agora já abraçada no filho mais velho. Eu nem mesmo notara que ela tinha atravessado a sala de jantar. E Anthony também não, considerando sua reação de surpresa com o abraço da mãe. - Você disse que só chegaria na sexta!
- Resolvi fazer uma surpresa. - respondeu ele finalmente desviando o olhar do meu.
Sua voz fazia jus a sua beleza.
- Você está com fome? Recém começamos a jantar. - mentiu a matriarca já levando o filho em direção a mesa. A maioria de nós já estava até mesmo satisfeita, algo que não parece ter passado batido por Anthony. - Anders, traga mais um prato por favor. - continuou Violet.
- Não precisa. - interrompeu o recém chegado. - Eu comi antes de vir.
- Ah! - respondeu a mãe um pouco decepcionada - Estamos comendo pernil assado com cerveja, você sabe, o favorito do Colin.
- Todo tipo de pernil é o favorito do Colin. - respondeu olhando para o irmão mais novo com aquela implicância e cumplicidade que apenas irmãos que realmente se amavam podiam ter. - Ou melhor, todo tipo de comida é a favorita de Colin. - continuou Anthony dando início a uma breves discussão.
***
26 de julho de 2019.
Para a surpresa de absolutamente ninguém, nos dias que se sucederam, Anthony Bridgerton se provara tudo de ruim que eu esperava - e muito mais. Ele não era engraçado como Colin. Não era tão cavalheiro como Benedict. Definitivamente não era agradável como Daphne ou Francesca. Nem mesmo a sagacidade de Eloise estava lá. Talvez a única qualidade Bridgerton, além da beleza óbvia, presente naquele ser irritante fosse o cuidado e devoção à família - herdados de Violet e do falecido pai, eu pressupus.
Também para a surpresa de absolutamente ninguém, Gregory e Hyacinth se juntaram a parcela de irmãos que eu gostava. O irmão mais novo dos 4 homens da família era a mistura de tudo de bom dos irmãos mais velhos (dos que tinha algo de bom a oferecer). Já a caçula da família, por sua vez, parecia ser a mistura das irmãs mais velhas.
Hyacinth era sagaz, divertida, curiosa e muito inteligente. Não foi difícil gostar dela, assim como de nenhum dos outros irmãos - com excessão de Anthony, obviamente.
Por fim, Simon, o noivo de Daphne, era tão bonito como o restante da família, de uma forma diferente, mas ainda assim esplêndido. A princípio o considerei um pouco arrogante, mas depois percebi que era apenas timidez. Eu tinha mais coisas em comum do que imaginava com o futuro membro da família Bridgerton.
Como também era de se esperar, eu simpatizara com agregado - mas se era devido sua personalidade ou ao fato de que ele e Anthony eram incapazes de ficar por mais de cinco segundos no mesmo ambiente sem que houvesse uma troca de alfinetadas, eu não podia dizer.
Pelo que Colin me contara, eles eram melhores amigos desde o ensino fundamental. Contudo, o primogênito da família Bridgerton não aceitou muito bem o cortejo do amigo à sua irmã, e a relação que outrora fora uma bela amizade se tornara um concurso de egos e farpas.
***
27 de julho de 2019.
Era um lindo sábado em Nice. E mais tarde aconteceria o jantar - na verdade festa - de ensaio de casamento de Daphne e Simon. Os noivos (muito mais a noiva para ser bem sincera) estavam radiantes . E Violet também (ela mal conseguia acreditar que finalmente casaria um dos filhos).
O evento, que aconteceria em um luxuoso hotel em Mônaco - onde todos os convidados ficariam hospedados para o casamento -, seria uma festa-à-fantasia-baile-de-máscaras. A ideia da noiva era que fosse uma festa à fantasia, mas como nem mesmo os irmãos (e o próprio noivo) ficaram muito contentes com a ideia de se fantasiar, foi decidido que o dress code ficaria restrito a uma máscara obrigatória e que quem se sentisse mais a vontade poderia ir com a fantasia que desejasse.
Os homens da família, inclusive Simon, como já era esperado se restringiram a usar um smoking preto e uma máscara discreta - a última peça do traje apenas para não despertar a fúria de Daphne Bridgerton, que já não tinha aprovado a falta de fantasias. Já as mulheres foram mais criativas - inclusive eu. Se fosse por minha própria escolha eu também não teria usado fantasia, mas como todas as representantes femininas da família, inclusive Eloise, estavam animadas com a escolha dos trajes, fui moralmente obrigada a entrar no clima.
Violet usava uma luxuosa fantasia de Maria Antonieta. Já Daph optara um lindo vestido longo dourado, com recortes modernos. Para completar a produção, ela usava uma linda coroa e uma máscara requintada, ambas douradas também - ela era o sol. Eloise, como era de se esperar, foi um pouco mais radical e se fantasiara de Frida Kahlo. Francesca ,assim como a mãe, escolhera uma fantasia de época. Segundo a própria, ela era Elisabeth Bennet, de Orgulho e Preconceito. Não achei que alguém realmente fosse adivinhar sem que ela contasse quem era, mas resolvi guardar a opinião para mim mesma. A jovem Hyacinth era uma linda e cintilante borboleta. Por fim, eu havia me fantasiado de Bela, de A Bela e A Fera.
Em pouco tempo chegamos no local da festa para o que seria, com toda certeza, uma longa e inesquecível noite.
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A proposta - O ABC do amor
RomanceA vida de Kate Sheffield era boa. Ela trabalhava com o que gostava, tinha o cachorro mais fofo do mundo, e uma família unida. Não era uma vida perfeita, mas definitivamente boa e organizada - extremamente organizada. Até Colin Bridgerton, seu melho...
