O que é em sumo a beleza,
Senão a metamorfização do simplório?
Do canto do canário ao de Gregório,
Facultativa é a destreza.
O que há de mais belo no mundo
Não é a coisa em si,
Mas as ondas que perscrutam tua constituição,
O mar que habita em ti!
Revolto, ímpar às métricas de uma oração,
Ou, a qualquer código de conduta outrora imposto.
Admiro o que é anterior a tudo isto,
À natureza
e a inocuidade pureza,
Do que não está escrito nas estrelas,
Mas sim, no âmago de quem cria
E, concede sentido, tal qual epifania,
Pouco se importando com teoremas
Ou mesmo sua posterior compreensão.
A arte está nos atos,
No esguio do olhar dos apaixonados,
Nas piadas bobas
E nos sorrisos insossos,
Do muito dizer sem nada dizer.
A poesia por sua vez,
De nada arte tem.
Demonstra a falsa calidez
Do subversivo sem refém;
É a generalidade
À singularidade,
É a segurança de apontar o mundo
Em troca do profundo,
É o aplauso e o ovacionar,
Em detrimento do acalento,
DAQUELE que há muito, não permitia amar.
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Entorpe Essência
PoetryDepois da tempestade, as glórias! Entorpe essência é um retrato intimista que busca justamente marcar esse caminho de maturação do sujeito que redescobre os ares da vida, com um eu-lírico entorpecido pelo mundo e suas aquisições, se expressa de mane...
