Capítulo 4

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Casa de Anna

Depois de resolverem a situação no hospital, Anna e Lucy estavam paradas em frente à casa da jovem. Anna segurava uma sacola, visivelmente pensativa, preocupada e insegura.

(Meu Deus... Não tem como eu ficar com essa garota... Por que eu faço tudo impulsivamente assim?)

Ao entrarem, Lucy observou o ambiente: muitas caixas empilhadas, poucos móveis, tudo sugeria que Anna havia se mudado recentemente.

— Vamos comer? — perguntou Anna, tentando soar tranquila.

Lucy a olhou com um leve sorriso, e isso foi o suficiente para que a jovem começasse a preparar um lanche. Enquanto mexia na sacola, a pequena observava cada gesto dela com atenção. Para Lucy, naquele momento, Anna já se tornara um novo alicerce.

Durante o lanche, Anna encarava a garotinha à sua frente e, num tom suave, disse:

— ...A enfermeira me contou o que aconteceu com você... Eu sinto muito.

Lucy parou de comer e a encarou com um olhar sério.

— Mas olha... você pode falar quando quiser, tá?

Lucy franziu levemente a testa, sem entender.

— É por isso que você não quer falar, não é? O que você passou... deve ter sido muito assustador. Talvez seja um trauma forte...

As palavras "não quer falar" e "trauma" ecoaram na mente de Lucy. Ela balançou a cabeça negativamente.

— Ah... "não"? Mas o quê? Não é por isso...? Então... por quê?

Lucy começou a gesticular: apontou para a boca, apertou as mãos, fez sinal de negação. Repetiu os mesmos gestos, mas dessa vez levantando um dedo no final. Depois dois, três... até chegar a seis.

— Alguém te bateu seis vezes?! Ou você comeu alguma coisa seis vezes?! Eu não tô entendendo!!!

Anna suspirou, frustrada por não conseguir compreender.

— Espera... você já sabe escrever?

Lucy respondeu com um sorriso e levantou o polegar.

— Ótimo! Espera só um pouco.

Anna vasculhou sua bolsa com pressa.

— Cadê?! Às vezes dá raiva carregar tantos remédios nessa bolsinha...

Lucy olhou preocupada para a quantidade de frascos.

— Não se preocupa, tá? Não são pra mim... quer dizer, não agora, sabe? É que eu tenho medo de precisar e não ter nenhum. É uma mania minha, hehe... Achei!

Ela entregou um caderninho e uma caneta para Lucy.

— Pronto! Agora escreve o que quer me contar.

Lucy sorriu e começou a escrever devagar. Anna, ansiosa, tentava esperar pacientemente.

(Meu Deus, como ela escreve devagar!)

Finalmente, Lucy entregou o caderno. Anna abriu, animada, mas sua empolgação logo murchou ao ver a caligrafia desajeitada.

— ("NAU FAOLO NAD BEBE PEQNA"... o quê?! Ela escreveu isso mesmo?) Espera só um pouquinho, tá?

Após alguns segundos tentando decifrar:

— Então... deixa eu ver se entendi. Você nunca falou nada? Desde bebezinha? É isso?

Lucy pulou animada e confirmou com um largo sorriso.

Lucy (2021)Onde histórias criam vida. Descubra agora