Casa de Anna
Depois de resolverem a situação no hospital, Anna e Lucy estavam paradas em frente à casa da jovem. Anna segurava uma sacola, visivelmente pensativa, preocupada e insegura.
(Meu Deus... Não tem como eu ficar com essa garota... Por que eu faço tudo impulsivamente assim?)
Ao entrarem, Lucy observou o ambiente: muitas caixas empilhadas, poucos móveis, tudo sugeria que Anna havia se mudado recentemente.
— Vamos comer? — perguntou Anna, tentando soar tranquila.
Lucy a olhou com um leve sorriso, e isso foi o suficiente para que a jovem começasse a preparar um lanche. Enquanto mexia na sacola, a pequena observava cada gesto dela com atenção. Para Lucy, naquele momento, Anna já se tornara um novo alicerce.
Durante o lanche, Anna encarava a garotinha à sua frente e, num tom suave, disse:
— ...A enfermeira me contou o que aconteceu com você... Eu sinto muito.
Lucy parou de comer e a encarou com um olhar sério.
— Mas olha... você pode falar quando quiser, tá?
Lucy franziu levemente a testa, sem entender.
— É por isso que você não quer falar, não é? O que você passou... deve ter sido muito assustador. Talvez seja um trauma forte...
As palavras "não quer falar" e "trauma" ecoaram na mente de Lucy. Ela balançou a cabeça negativamente.
— Ah... "não"? Mas o quê? Não é por isso...? Então... por quê?
Lucy começou a gesticular: apontou para a boca, apertou as mãos, fez sinal de negação. Repetiu os mesmos gestos, mas dessa vez levantando um dedo no final. Depois dois, três... até chegar a seis.
— Alguém te bateu seis vezes?! Ou você comeu alguma coisa seis vezes?! Eu não tô entendendo!!!
Anna suspirou, frustrada por não conseguir compreender.
— Espera... você já sabe escrever?
Lucy respondeu com um sorriso e levantou o polegar.
— Ótimo! Espera só um pouco.
Anna vasculhou sua bolsa com pressa.
— Cadê?! Às vezes dá raiva carregar tantos remédios nessa bolsinha...
Lucy olhou preocupada para a quantidade de frascos.
— Não se preocupa, tá? Não são pra mim... quer dizer, não agora, sabe? É que eu tenho medo de precisar e não ter nenhum. É uma mania minha, hehe... Achei!
Ela entregou um caderninho e uma caneta para Lucy.
— Pronto! Agora escreve o que quer me contar.
Lucy sorriu e começou a escrever devagar. Anna, ansiosa, tentava esperar pacientemente.
(Meu Deus, como ela escreve devagar!)
Finalmente, Lucy entregou o caderno. Anna abriu, animada, mas sua empolgação logo murchou ao ver a caligrafia desajeitada.
— ("NAU FAOLO NAD BEBE PEQNA"... o quê?! Ela escreveu isso mesmo?) Espera só um pouquinho, tá?
Após alguns segundos tentando decifrar:
— Então... deixa eu ver se entendi. Você nunca falou nada? Desde bebezinha? É isso?
Lucy pulou animada e confirmou com um largo sorriso.
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Lucy (2021)
Mystery / ThrillerLucy... Uma jovem criança com um simples objetivo: viver sua vida em paz e tranquilidade. Porém, após tantos acontecimentos, sua vida, que era parcialmente calma e pacífica, volta a se tornar uma bagunça - assim como foi em sua infância - logo após...
