- Eu não aguentava mais guardar todo aquele estresse e aquela frustração que estava carregando por mêses. Eu sempre fui muito racional e nunca me deixei tomar pela tristeza ou raiva, mesmo estando em momentos de desespero eu fazia de tudo para me manter estável... mas passei todo aquele tempo colocando as objeções da minha mãe, sua superproteção e contentação acima da minha própria felicidade.
- Eu nunca me incomodei em pensar na felicidade dos outros, se eu conseguisse deixar alguém contente com as minhas ações isso me deixava mais do que satisfeito... a alegria dos outros me deixa feliz.
- Eu sei que estava errado quando escondi aquelas coisas de minha mãe... mas... fui tão compreensível por... toda a minha vida... que queria ser egoísta pelo menos uma vez... somente uma fez... eu quis pensar em mim mesmo. Aquele número para quem mandei a mensagem era o de meu pai... e aquela mensagem simples me levou a tomar a pior decisão possível... Aquele dia... foi o dia que eu fugi de casa...
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Tudo o que fiz foi digitar a minha localização e enviar a mensagem e no mesmo instante meu celular desligou sem bateria. Meu único meio de me comunicar com meus conhecidos foi embora e o que eu consegui fazer foi mandar uma mensagem para alguém que eu nem sabia se iria sequer ler e entender o que aquela simples localização significava.
Com um suspiro pesado me sentei no meio fio daquela rua estranhamente deserta, se meu pai viria até mim ou não... não fazia ideia, mas não havia muito o que fazer, não pretendia nem queria voltar para casa, não passava de uma criança rebelde e emburrada, mas não me importava. Nada era considerado um mínimo relevante naquele momento.
Minha mente era coberta por uma densa nevoa que não me permitia raciocinar direito e tudo o que eu enxergava era a minha mãe com o rosto vermelho de choro me dizendo que eu iria viver preso em minha casa, sem contato com a sociedade e meus amigos, sem permissão para ver ninguém, proibido de ver o meu melhor amigo. Aquele que era o único que conseguia me dar um momento, mesmo que curto, mas prazeroso e alegre ao seu lado.
- Kacchan - Disse seu nome que era repetido insistentemente na minha mente ainda nublada e completamente devastada mas que pouco a pouco ia me lembrando do aconteceu naquele dia a nos anteriores.
Fiquei sentado ali, sozinho e inundado por pensamentos sufocantes por um não tão longo período de tempo, mas que pareceram infinitas horas, até que me surpreendi quando um carro nada familiar parou na minha frente. Dele saiu um homem alto e apressado correndo até mim com o rosto preocupado, esse era meu pai.
- Izuku! - Gritou meu nome colocando os braços em volta do meu corpo me abraçando - Eu fiquei tão preocupado! Nunca esperei que você me mandaria uma mensagem e fiquei muito feliz quando vi que finalmente resolveu me responder, mas quando vi que era somente a sua localização e que assim que recebi a mensagem você não estava mais online me desesperei - Soltou-se do abraço agora segurando meus ombros - Pensei que algo havia acontecido e vim o rápido que pude. Estou tão feliz que está bem! - Afirmou com um sorriso aliviado.
- O carro é seu? - Perguntei ignorando toda a sua preocupação comigo e olhando para o carro que parecia caro demais para que meu pai pudesse pagar. Não ignorei de propósito, apenas não conseguia raciocinar muito bem naquele momento.
- Hãn? - Olhou em meus olhos confuso enquanto eu permanecia olhando para atrás de sí distraído - S-Sim. Harumi me deu de presente a alguns mêses - Respondeu se afastando contrangido por ter se exaltado. Aparentemente pensou que eu ainda estava desconfortável com ele, o que não fugia muito da verdade.
- Pode me dar uma carona? - Pedi finalmente o olhando nos olhos. Meu pai me encarou desconexo.
- ...Claro - Confimou mesmo que confuso com a situação. Abriu a porta da frente como um indício para que eu me sentasse ao seu lado. Não questionei apenas entrando e me sentando tranquilamente enquanto ele fechava a porta e dava a volta no carro - Para a sua casa, não é? - Perguntou assim que adentrou no carro e se sentou no seu assento.
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I'm Sorry for Leaving (BakuDeku)
RomanceMidoriya Izuku, 17 anos, um passado do qual o leva a ter pesadelos nos dias atuais, um pai alcoólatra, uma mãe que trabalha duro todos os dias para sustentar sua família, um irmão que não o suporta e uma paixão por alguém que o odeia. Na prova da de...