- Izuku, eu entendo que Hitoshi era o seu amigo, e, por mais que não quisesse causar escândalo, você deveria ter relatado à polícia, mesmo que isso fosse o afetar - Fumiko me olhava repreensiva - Ele era menor de idade na época mas ainda assim receberia uma punição adequada - Assegurou. Eu estava ciente disso, sabia o que era o certo a se fazer, mas eu não entendia isso naquela época. Pedi desculpas com a cabeça baixa, a final eu tinha um motivo válido para ser repreendido. A doutora suspirou e prosseguiu com as perguntas - Pois bem, como foram os dias seguintes?
- Nós ficamos um bom tempo tranquilos, sem nada de importante... Mas em um dia, de repente, tudo mudou. Aconteceram coisas das quais mudaram completamente a minha vida e me levaram a tomar as piores decisões possíveis...
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Em uma tarde de um dia comum, quando minha mãe havia conseguido uma folga, ela reuniu a mim e meu irmão na sala para nos dizer que aquele seria um dia especial para nós, e repentinamente me entregou uma lista de coisas da qual ela precisava para poder preparar um grande jantar.
A lista era um tanto quanto longa então ao invés que questionar resolvi que apenas compraria tudo e iria lhe perguntar assim que chegasse em casa.
Andava pelas ruas a caminho do mercado distraído ouvindo música em meu fone com minha playlist no aleatório quando senti meu braço ser puxado de inesperadamente. Ao olhar para quem me segurava meu corpo paralisou, enquanto meu coração o contrariava batendo aceleradamente.
- Izuku! - Chamou meu nome enquanto olhava para baixo ofegante. Aquela pessoa era ninguém menos do que aquele ao qual eu mais queria evitar de encontrar... meu pai.
- Me solta - Falei baixo mas ainda em um tom em que ele pudesse escutar. Estava assustado, mas nós ainda estávamos na rua e eu não estava a fim de chamar a atenção.
- Por favor... me escute, só um pouco - Disse ainda meio ofegante mas agora me olhando nos olhos. Ele estava com olheiras profundas nos olhos e seu rosto estava pálido, provavelmente pela falta de descanso - Só por alguns minutos... Eu imploro! - Soltou meu braço agora se ajoelhando no chão. Seu ato resultou naquilo que eu estava evitando e começára a chama a atenção das pessoas que estavam perto de nós, e estas já estavam a cochichar sobre a estranha cena que viam.
- ...Dez minutos, e nada mais - Me olhou esperançoso ao ouvir minha frase. Seja lá o que ele fosse dizer, seria melhor se eu apenas escutasse e acabasse com tudo aquilo de uma vez. Quando ele se levantou pedi para que fossemos até um dos bancos do ponto de ônibus próximo a nós para podermos conversar melhor - Eu tenho coisas a fazer - Dizia enquanto pegava meu celular e programava o temporizador para tocar em dez minutos - Então, por favor, se apresse - Completei um pouco impaciente.
- ...Eu sei que não vai adiantar de nada pedir desculpas pelo que fiz a você e à sua mãe, porque estou ciente de que não mereço ser perdoado - Iniciou encarando seus dedos entrelaçados sobre suas coxas.
- Você teve um caso com uma mulher enquanto ainda era casado com minha mãe, e mesmo depois de ela ter te perdoado e te aceito de volta em nossa casa, você voltou para procurar essa mulher enquanto minha mãe estava de cama devido ao acidente que ela sofreu... - Cada palavra dita carregava consigo as lembranças do que minha mãe me relatou naquele fatídico dia. A raiva se tornava mais forte e com ela a angústia que guardava a algum tempo - ...e ainda assim ela te aceitou... - Pequenas lágrimas insistiam em se acumular em meus olhos tornando minha visão parcialmente embaçada. Odiava o fato de chorar sempre que algo me frustrava - ainda assim permitiu que você ficasse dentro da nossa casa casa... você sabe o porquê, pai? - Perguntei finalmente o encarando - Porque ela não tinha condições de nos criar sozinha! - Acabei por aumentar meu tom de voz pois já não dispunha de muito controle sobre minhas emoções - Ela sabia das traições! Ela sabia do seu filho! Ela sabia! E ela permitiu que você cuidasse da sua amante, enquanto ela, a SUA mulher, estava sofrendo! - Apertei o banco sob mim sentindo as pontas dos meus dedos arderem, mas não me importei.
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I'm Sorry for Leaving (BakuDeku)
RomanceMidoriya Izuku, 17 anos, um passado do qual o leva a ter pesadelos nos dias atuais, um pai alcoólatra, uma mãe que trabalha duro todos os dias para sustentar sua família, um irmão que não o suporta e uma paixão por alguém que o odeia. Na prova da de...