Passado que me machuca

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Terminei meu treinamento e fiquei ali, deitada na grama, olhando as estrelas. Achei que estava sozinha, mas recebi companhia. Uma companhia bem inesperada.

— O que faz aqui sozinha? — perguntou Shikamaru.

— Olhando as estrelas e pensando. — Sorri.

Observei-o se deitar ao meu lado. Virei o rosto e o encarei, e ele fez o mesmo. Ficamos assim por alguns minutos. Não pude contar quanto tempo, pois estava concentrada em seus olhos. Não desviei o olhar em nenhum momento.

— O quê? — riu, todo sem graça.

— Admirando sua beleza. — Ri, voltando a olhar para o céu. — Meu pai dizia que as estrelas são parentes mortos. Então, metade delas é a minha família. — Ri.

— Você não está... — Ele me olhou sem acreditar.

— Chorar não vai trazer ninguém de volta. — Neguei com a cabeça. — Meu alívio é fazer piadas sobre isso. Meu pai odiaria me ver chorando pelos cantos.

Levantei-me, estendi a mão para Shikamaru e o ajudei a ficar de pé.

— Tenho uma casa para limpar. Até mais. — Despedi-me e voltei para casa.

Estava uma bagunça. Precisava arrumar aquilo. O bom de ter apenas três cômodos é que eu limpava tudo bem rápido.

Comecei pelo quarto, depois fui para a sala e o banheiro e, por fim, para a cozinha.

Voltei para a sala e me deitei no tapete, encarando o teto enquanto lembranças dos almoços em família invadiam minha mente.

Flashback

Era Natal, uma das épocas que eu mais amava.

Porque a família sempre estava reunida. E, além da comida, que eu particularmente adorava, quando meus primos chegavam tudo ficava ainda melhor.

— Oi, S/N! — Sasuke correu até mim, animado.

— Achei que vocês não fossem vir. Nem me animei.

— Você acha que perderíamos as histórias dos nossos pais? Nunca. — Itachi sentou-se ao meu lado.

Eu odiava o fato de ele ser meu primo de primeiro grau.

Sempre tive um crush nele... e ele na Izumi.

Pois é, isso seria tecnicamente impossível, já que somos primos, e ele respeitava esse nosso laço sanguíneo.

— Vamos, crianças. Venham comer. — Papai chamou.

Fomos para a mesa e nos sentamos um ao lado do outro.

Comíamos enquanto conversávamos. Tio Fugaku contava como era bagunceiro quando criança, mesmo sem aparentar.

Já tia Mikoto dizia que era completamente o oposto e jurava que até hoje não sabia o que tinha visto nele.

— Ah, sabe sim. — Mamãe riu. — Eu, você e Kushina fizemos uma aposta. Se eu conseguiria ficar com Yuri, você com Fugaku e Kushina com Minato.

— Então foi assim? Uma aposta? Sabia disso, papai? — Encarei-o.

Ele negou com a cabeça, assim como tio Fugaku.

Os meninos começaram a rir, e eu não resisti.

Terminamos o jantar e veio a melhor parte: a sobremesa.

Comemos entre risadas e, quando acabamos, fomos para a sala. Foi quando papai começou a contar sobre o primeiro jutsu que aprendeu.

Eu observava atentamente, escutando cada palavra.

Fazia o mesmo quando meus tios e minha mãe contavam suas histórias.

Era minha maior diversão.

As histórias deles sempre me deixavam animada.

Mas eu sabia que escondiam a parte da guerra.

Eu entendia.

Era traumático.

Mas também sabia que Minato foi um excelente Hokage.

Meu sonho era ser Hokage como ele.

Ser pelo menos metade da ninja que ele foi.

Fim do flashback

Tola eu, achando que poderia ser Hokage.

É mais capaz de Tobirama voltar à vida e me impedir.

Mas acho que não tenho a Vontade do Fogo como os outros Hokages tiveram.

— Está no chão por quê? — perguntou Kakashi.

Levantei num pulo.

— Como você...?

Olhei para a porta.

— Eu chamei, chamei e chamei. — Deu de ombros. — Estava com preguiça de fazer alguma coisa para comer ou gastar dinheiro em um restaurante, então resolvi fazer uma visita.

— A sorte é que tem comida pronta. — Sorri.

— No que estava pensando? Você parecia tão sorridente.

Fomos para a cozinha.

— No jantar de Natal. — Dei de ombros enquanto pegava as coisas.

Coloquei tudo na mesa e peguei um prato para ele e dois copos, um para mim e outro para ele.

Sentei-me e enchi meu copo, observando-o se servir.

— Não vai comer? — perguntou, olhando para mim.

— Estou sem fome. — Soltei o ar pesadamente.

— Certo.

Começou a comer.

— Isso está ótimo.

— Eu que fiz, né? — disse toda convencida.

Ele tossiu e começou a rir.

Acompanhei-o com uma risada fraca.

Acho que ele percebeu que eu não estava muito bem.

Tomei todo o suco, levei o copo até a pia e me sentei novamente ao lado dele.

— Quer falar sobre isso? — perguntou.

Encarei-o.

— Sobre o fato de eu não ter mais minha família? Que, por causa dessa maldição Uchiha, eu quase fui matar o Itachi? Que talvez um dia eu não veja mais nada por causa do Mangekyō Sharingan?

Soltei tudo o que estava guardado dentro de mim.

— Agora respira. — Sorriu. — Tenta não pensar nisso. Em vez disso, faz alguma coisa de que você gosta.

— Lutar. — Sorri.

— Vou arrumar essa bagunça e lavar a louça. Depois a gente sai para treinar.

Terminou de beber o suco.

Ele guardou tudo no lugar, lavou a louça e, então, saímos.

Até que ele tem me ajudado bastante.

A Herdeira Uchiha +18 (EM REVISÃO)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora