Secredos sobre mim?

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Fui acordada pelo som de alguém sussurrando bem perto, mas, de início, não consegui identificar de quem eram as vozes.

— Você acha que é o momento adequado para dizer a ela? — perguntou uma voz masculina.

— Ela precisa saber. Passou metade da vida odiando alguém que nem fez nada. Eu me lembro desses dois juntos, Gaara... Além de primos, eram melhores amigos — rebateu outra voz, que me soou extremamente familiar.

— Tsunade, agora não. Pense antes de falar, procure respostas primeiro. Parece até que não sabe que ela mesma vai atrás de respostas se acabar não morrendo — rebateu Gaara, com um tom de voz severo.

— Tá. Eu vou atrás de respostas — ela cedeu, retirando-se do aposento.

Ouvi Gaara bufar, frustrado. Ele parecia estar com raiva. O que de fato aqueles dois estavam escondendo de mim?

— Acordou de bom humor, hein? — brinquei, bocejando enquanto me espreguiçava.

— Eu te acordei? Desculpa — ele pediu, sentando-se na beira da cama.

— Não, tudo bem — respondi, sentando-me também. — Escutou algo que não queria?

— Sim — ele limitou-se a dizer, esboçando um leve sorriso.

— Acho melhor eu ir. Ver se não encontro ninguém nu na minha cama de novo — comentei, levantando-me.

— Eu te acompanho. Vai ser legal ver a cara de espanto deles — Gaara propôs, levantando-se logo em seguida.

Ele me acompanhou até o quarto onde eu estava hospedada. Abri a porta de supetão e dei de cara com os dois, já devidamente vestidos, trocando um beijo.

— Eu jurei que pegaria vocês aprontando algo — Gaara comentou, entrando no quarto comigo.

— E olha que a mais velha aqui sou eu — Temari zombou, lançando um olhar cúmplice para Shikamaru.

Peguei minha mochila e notei que tudo já estava devidamente arrumado.

— A Tsunade deve estar nos esperando — avisei, caminhando até a porta.

— Já estou indo... — Shikamaru respondeu.

Saí dali sem olhar para trás. Logo Kankuro também apareceu e todos descemos juntos. Aproximei-me de Tsunade e fiquei conversando com ela por um tempo. Pouco depois, Shikamaru se juntou a nós e iniciamos a nossa jornada de volta para casa.

Achei que o clima entre nós ficaria estranho depois da noite anterior, mas me enganei. Shikamaru fazia questão de puxar assunto e agia com total naturalidade. Ótimo. Ele era igual ao Kakashi, que pelo menos sabe disfarçar bem. Porque vou te falar, a pior coisa do mundo é lidar com homem emocionado.

Pelo ritmo que estávamos ditando na caminhada, achei que demoraríamos muito mais para chegar. Assim que pisamos na vila, despedi-me da Hokage e de Shikamaru e rumei direto para a minha casa. Já passava da uma da manhã. Quando fiz menção de enfiar a chave na fechadura para destrancar a porta, percebi que alguém já havia feito isso por mim de dentro para fora.

Entrei na residência já em posição de combate, totalmente preparada para o pior. Mas, graças a Deus, era apenas o pessoal do Time 7. Como todos os integrantes do meu próprio time original haviam sido mortos em combate, eles tinham virado a minha base. Uma história familiar trágica, mas é bem assim que as coisas rolam no mundo ninja.

— Obrigada, gente — sorri, genuinamente tocada.

É bizarro nascer no mesmo dia do seu primo? Pois eu achava que sim. Ver o Time 7 ali reunido, com Naruto segurando um bolo decorado em mãos, fez-me lembrar imediatamente do meu aniversário de 10 anos ao lado de Itachi, comemorado na casa dele.

— Feliz 21 anos! — todos exclamaram em uníssono, animados.

Flashback

— Parabéns pra você... — Mikoto cantarolou, sorrindo docemente. — Nesta data querida...

Olhei para Itachi e depois para o bolo que estava disposto sobre a mesa. Havíamos achado uma total tolice fazer dois bolos separados. Apagamos as velas juntos e logo começou aquela típica chatice de decidir para quem iria o primeiro pedaço.

— Eu juro que não sei para quem vou dar o meu — Itachi dramatizou, segurando o prato.

— Eu sou a sua mãe — Mikoto argumentou, fazendo um bico fingido.

— Mikoto! — Nobara exclamou, fingindo espanto com o ciúme da amiga.

— Você está assim porque sabe que vai ganhar o dela — Mikoto rebateu, fechando a cara de brincadeira para o meu pai.

— Não mesmo! — interrompi, rindo. — Este primeiro pedaço vai para... — Respirei fundo, fazendo um suspense dramático. — ...mim! Eu mereço, né?

Sasuke caiu na risada ao meu lado, exibindo aquela expressão fofa que só ele tinha quando criança.

— E o meu vai para o Sasuke — Itachi anunciou, deixando o drama de lado e abrindo um sorriso enorme.

Sasuke pulou de alegria e correu para pegar o prato. Sorri diante daquela cena.

— Tá, agora é sério. O meu primeiro pedaço de verdade vai para o papai — anunciei, entregando a fatia a ele.

— Este ano a gente poderia comprar apenas um cartão de Natal para elas de aniversário, já estaria de ótimo tamanho — meu pai brincou com o tio Fugaku, adotando uma carinha vingativa.

Eu e Itachi nos encaramos na mesma hora. Ele entendeu o recado sem que precisássemos proferir uma única palavra. Cortamos o segundo pedaço imediatamente.

— Mãe linda, aqui ó — Itachi entregou o dele para Mikoto.

— Você merece, gata. Faz tudo por mim — emendei, entregando o meu pedaço para a minha mãe.

Ela fez uma careta engraçada com a nossa bajulação, mas logo me deu um beijo carinhoso no topo da cabeça e me apertou em um abraço forte, gesto que foi repetido pelo meu pai.

— Agora eu vou dormir, porque estou com muito sono — Sasuke anunciou, escalando o colo de Fugaku.

— E quando é que você não está com sono? — Fugaku resmungou com carinho, ajeitando o filho caçula nos braços.

— Boa noite, Sasukezinho — acenei para ele.

— Boa noite. Feliz aniversário — ele respondeu, mandando um beijo no ar.

Tio Fugaku subiu as escadas para levá-lo para a cama, mas não demorou a retornar para a sala. Terminamos de abrir os presentes com eles e era cada coisa linda, principalmente os mimos que havíamos ganhado dos nossos amigos de equipe. No entanto, a comemoração acabou cedo, já que no dia seguinte teríamos missão logo pela manhã.

— Tchau, Itachi. Feliz aniversário — desejei, apertando-o em um abraço apertado. — Espero que os próximos anos sejam exatamente iguais a este. Nossa família feliz e você sempre ao meu lado.

— E vai ser, eu prometo — ele respondeu, soltando-se do abraço e estendendo o dedo mindinho para mim.

E foi exatamente ali que selamos a nossa promessa de dedinho.

Fim do Flashback

A Herdeira Uchiha +18 (EM REVISÃO)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora