Processão das sombras - Hot

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Desferir alguns golpes em Kakashi era sempre gratificante, embora, no fundo, uma ponta de pena sempre me cobrasse o preço logo em seguida. Quando os primeiros raios de sol ameaçaram cortar o horizonte, decidimos ir para a casa dele, que ficava mais próxima. Entre silêncios cúmplices e olhares cansados, limpamos as feridas um do outro, aplicando curativos com uma intimidade que dispensava palavras.

— Eu vou nessa. Preciso ver se consigo dormir um pouco — balancei a cabeça, levantando-me do chão e limpando a poeira das calças.

Kakashi ergueu os olhos, fixando-os em mim com uma intensidade súbita.

— Durma aqui.

— Acho melhor não confundirmos as coisas — respondi, dedicando-lhe um meio sorriso e uma piscadela cúmplice. — Somos apenas bons amigos que se pegam.

Despedi-me antes que a atmosfera ficasse mais densa. A manhã já havia nascido, mas o sono continuava a me esquivar; a maldita insônia parecia ter fincado raízes em minha mente.

Sem rumo, acabei subindo até o Monumento dos Hokages, sentando-me sobre o topo da cabeça de pedra para observar a rotina de Konoha que despertava lá embaixo.

Ao longe, avistei os fios loiros de Naruto correndo desesperadamente atrás de Sakura, que não hesitou em desferir um soco certeiro no meio de sua cara. Soltei uma risada baixa.

Às vezes, até eu sentia uma vontade avassaladora de esmurrar o Naruto.

Meus olhos, no entanto, desviaram-se do caos e pousaram em Shikamaru. Havia algo intensamente magnético em seu jeito genial, preguiçoso e peculiar. Agora que estava mais velho, ele exalava uma atração inegável.

Os boatos na vila diziam que ele estava saindo com Temari, mas, sinceramente... que mal haveria em sair com os dois? Em deitar-se com os dois?

Meus devaneios foram interrompidos quando desci do monumento e dei de cara com Maito Gai. Com seu habitual entusiasmo, ele me avisou que eu deveria me apresentar imediatamente à sala da Hokage.

Quando entrei na diretoria, encontrei Tsunade com uma expressão severa, os dedos tamborilando na mesa de madeira.

— Apenas espere o Shikamaru entrar e eu explicarei tudo — disse ela, o tom de voz carregado de uma tensão incomum. Apenas assenti, encostando-me na parede.

Segundos depois, o estrategista cruzou a porta. Tsunade foi direta: nós dois fomos escalados para escoltá-la à Reunião dos Kages. Ela confessou que um mau pressentimento a rondava e queria proteção extra.

— Essa reunião é na próxima segunda-feira, correto? — Shikamaru inquiriu, a voz arrastada, mas o olhar afiado. A Hokage confirmou com a cabeça. — Certo. Que horas partimos?

— Às seis da manhã. E estejam dispostos — Tsunade finalizou com um sorriso enigmático que não alcançava os olhos.

Assenti e saí da sala antes mesmo que Shikamaru fizesse menção de se mover. Continuei a vagar pelas ruas da vila, tentando preencher o vazio das horas e o silêncio da minha mente. Foi quando cruzei com Hinata e Kiba.

— Olá! O que estão fazendo por aqui? — perguntei, aproximando-me.

— Estamos indo almoçar. Quer vir com a gente, S/n? — convidou Hinata, com sua doçura habitual.

— Claro, eu jamais recusaria um bom convite — respondi, sentindo o humor melhorar. — Mais alguém vai?

— O resto do pessoal já está esperando no restaurante — Kiba deu de ombros, enquanto Akamaru soltava um latido baixo ao seu lado.

Quando entramos no estabelecimento, o grupo estava quase completo. A ausência de Sasuke, claro, era um peso silencioso no ambiente; desde a sua partida, Naruto e Sakura carregavam uma melancolia constante. Mas, naquele momento, minha prioridade era saciar a fome. Acomodei-me no único espaço vago: exatamente entre Ino e Shikamaru.

A Herdeira Uchiha +18 (EM REVISÃO)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora