Mesmo com a forma rigorosa a qual o rei de Cong Chuá se dirigiu ao filho naquela carruagem sufocante, a rainha desobedeceu às ordens do marido e levou duas vezes ao dia comida para o príncipe durante o seu castigo. Ela sabia que não era o suficiente, contudo, não eram muitas as vezes em que conseguia pegar comida escondido da cozinha e levar para Seungmin sem que fosse pega por guardas ou qualquer outro criado.
O herdeiro permaneceu no castigo durante três dias e até se surpreendeu por não ter ficado uma semana trancafiado. Quando seu pai ficava bravo, costumava puní-lo, muitas vezes indiretamente. A pusilanimidade o levava a desviar das responsabilidades como pai, assim sendo, ele servia apenas ao reino e para o reino. Seungmin admirava isso, mesmo odiando o quanto ele havia se afastado.
No terceiro dia, acordou com as batidas constantes na porta de seu quarto. Ele havia trancado antes de sair para a floresta com Hyunjin de madrugada e ficou tão aéreo pela declaração que o outro havia feito que se esqueceu de girar a chave novamente. Se lembrava que quando voltou para o castelo, ainda sentia o toque dos lábios do Hwang.
— Você parece muito bem para quem ficou sem alimento por três dias. — Disse rudemente o rei em seu trono, após Seungmin ter se reverenciado diante de sua presença no centro do palácio. Não houve resposta do outro. — Aprendeu a lição?
— Afirmativo, Sua Majestade. — Mentiu com o olhar baixo.
Queria dizer a verdade, mas se negasse qualquer fala do rei, receberia mais castigos.
— Nunca me desrespeite de novo, Príncipe Kim Seungmin.
— Onde está a minha mãe? — Questionou, realmente confuso sobre a ausência da mulher ali.
— Está se preparando para ir à aldeia. — Seungmin arregalou os olhos em tamanha surpresa, logo perguntando o porquê da ida inesperada. — Ela vai falar com um alfaiate confiável que se recusa a vir para o castelo. Os guardas a seguirão.
— Eu posso ir também? — Questionou esperançoso. — Pensava que os preparativos fossem começar apenas mês que vem.
— O compromisso dela é apenas convencê-lo a nos ajudar. De qualquer jeito, é melhor você tomar um pouco de sol depois do seu castigo. Então, sim, pode ir.
Seungmin sorriu e após sumir da vista do rei, correu até sua mãe completamente animado e disposto. Ele a encontrou no extenso corredor perto da torre mais alta do castelo.
— Seungmin! — Sorriu a mulher, abraçando o filho. — Como você está?
— Bem agora que saí daquele quarto. — Respondeu sorrindo.
— Seu pai não desconfiou de nada? — Questionou preocupada e o Kim mais novo negou. — Ótimo! Quer ir à aldeia comigo?
— Óbvio! Faz tempo que não vamos lá juntos! — Começou a andar ao lado da mãe, contagiando toda a sua felicidade para a rainha.
Seungmin ficou um pouco incomodado com os quatro guardas que os seguiam — eles andavam com suas lanças coladas no peito, com a ponta para a esquerda, prontos para qualquer tipo de ataque — naquele sol fervente. Provavelmente pensavam que iriam de carruagem, mas a rainha sempre gostou de andar pela estrada de terra e passear pela ponte antes de receber toda a atenção da aldeia.
— Por que está indo encontrar aquele alfaiate? Adiantaram os preparativos do casamento?
— Oh, vejo que seu pai contou o que quis fazer. — Sorriu pequeno. — E sim, adiantamos um pouquinho. Esse alfaiate é um dos melhores e serviu ao rei quando você era pequeno. Porém, por algum motivo, os seus serviços foram cessados. Vamos ver se agora ele abre uma exceção para o seu casamento.
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Pedrinhas Sobre a Ventana - Hyunmin/Seungjin
FanfictionEm 1889, os reinos costumavam tratar casamento como um ato obrigatório, principalmente o rei e a rainha. Seungmin era um dos príncipes mais disputados entre os reinos, ele era o centro do universo e uma isca para a monarquia. Se casar aos vinte anos...