Allison é uma forte mulher, resolvida e muito bem-sucedida, mas se vê presa em uma vida pacata, onde tudo que faz é realizar com perfeição a profissão em que se dedica tanto e sentir falta da época em que era livre, despreocupada e cheia de vida. O...
Eu tomei uma decisão, uma decisão muito importante. Eu vou viver! Não sobreviver, vou viver mesmo. E por incrível que pareça, há um tempo eu sabia como isso funcionava, eu vivia.
Começou no início da adolescência, quando os meus pais começaram a me dar liberdade aos poucos, saídas com Emma por exemplo, cinema e parques, mas logo ganhei a confiança deles e pude conhecer as tão sonhadas festas de adolescentes.
Óbvio que viver não se resume a isso, é claro que não, eu não sou simplória para pensar dessa forma, mas eu sabia como aproveitar até as coisas mais simples dessa vida. Posso dizer com certeza que soube dar valor a tudo que tinha, eu soube tirar proveito de todas as oportunidades. Eu era genuinamente feliz.
Acontece que em algum momento eu me perdi, a minha vida pacata ofuscou todo o brilho da juventude, eu alcancei os meus objetivos, ainda estou alcançando, mas entrei numa rotina tão sem graça e tão forte que é difícil de sair. Descobri a pouquíssimo tempo que estar em uma zona de conforto não significa que você esteja feliz, então arrisco dizer que fiquei um pouco depressiva.
É difícil pensar que foquei tanto em uma só parte da minha vida que isso virou o centro de tudo, ou melhor, se tornou a única coisa que tenho. Precisei de anos para entender que preciso de mais.
Já fui muito sonhadora, minha mente voava e ia longe, eu era criativa, cheia de vida, gostaria de saber onde essa parte da Allison se enfiou. Quero encontrá-la e não a perder novamente. Foi quando tive uma nova epifânia. Tudo bem que o meu histórico de epifanias não é dos melhores, mas dessa vez estou bem confiante.
Uma das valiosas lições que minha mãe me deixou, é que a vida passa num piscar de olhos. Ela morreu jovem, mas me consolo sabendo que ela aproveitou cada segundo seu, e é isso que pretendo fazer.
Claro que falar e fazer são coisa completamente diferentes, a epifânia aconteceu ontem e hoje estou de volta ao escritório correndo para resolver pendências. Férias são incríveis, mas tem sua parte ruim também. Por mais que eu tenha deixado tudo organizado quando saí, e deixei minhas coisas com os colegas de escritório, eles também tinham suas tarefas e coisas novas surgem o tempo todo, por isso voltei com a minha mesa cheia de trabalho. Meu plano é, colocar tudo em ordem e então finalmente irei organizar minha vida pessoal e cuidar mais de mim e do meu psicológico. Até já liguei para uma psicóloga. Irei fazer terapia.
Por enquanto preciso dar entrada na ação trabalhista do sr. Joe Blocker que veio atrás do escritório tarde demais, por isso está perto de prescrever. Só que para ajudar na minha urgência, falta documento. Claro que falta, sempre acaba faltando.
-Droga – juntei a entrevista do cliente que foi feita pelo Jackson e fui em direção a mesa de Hannah enquanto lia, correndo o risco de tropeçar em algo, é só que não tenho tempo a perder – Hannah, o senhor Blocker ainda não trouxe os holerites e o termo de rescisão? – acontece que o preço por querer ser tão habilidosa foi um chute na mesa da recepção que moeu o meu pobre dedinho – Aí.