Allison é uma forte mulher, resolvida e muito bem-sucedida, mas se vê presa em uma vida pacata, onde tudo que faz é realizar com perfeição a profissão em que se dedica tanto e sentir falta da época em que era livre, despreocupada e cheia de vida. O...
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Allison Monroe
Estou realmente devastada que minhas tão esperadas e queridas férias estão no fim, quase nem acredito que um mês se passou e em dois dias eu volto para o escritório. Amo o meu trabalho, mas estarei mentindo se disser que não estou gostando desse tempo longe, todo o meu físico e psicológico vem agradecendo. Mas mesmo assim, na minha humilde opinião de pessoa caseira, a melhor parte de viajar é a hora de voltar para casa. É bom sair da rotina, conhecer novos lugares e descansar longe de tudo, mas a sensação de retornar para o seu lar, onde tudo é familiar e te traz conforto é reconfortante.
Já faz umas duas horas que cheguei na minha casa, não quis voltar de Cancun muito em cima da hora para ter um tempinho na segurança do meu lar, e nesse meio tempo já desfiz as minhas malas – tarefa que eu odeio, devo dizer – já tomei um longo banho e agora estou diante da tarefa mais difícil e que eu vinha postergando. Estou sentada no meu sofá olhando seriamente para o objeto em cima da minha mesinha de centro como se ele fosse um dos meus piores inimigos.
O meu celular.
Já faz um mês que eu não me atrevo a sequer tocar no aparelho, e só de imaginar na quantidade de notificação pendente que deve ter, me faz ter um ataque de ansiedade. Não quero liga-lo, mas sei que preciso, então respiro fundo e aperto o botão power, a tela do aparelho se ilumina, iniciando.
Um show de horrores começa, notificação atrás de notificação, sem se quer me dar uma pausa. Depois de uns bons dez minutos de barulho, ele parou de vibrar, mas esperei mais dois por precaução e então o desbloqueei para ver o que me aguardava.
90% das mensagens e ligações era em relação ao trabalho, havia mensagens de clientes, de Hannah, do meu chefe, centenas de mensagens de Jackson perguntando sobre processos e outras centenas dele me xingando. Havia também várias mensagens e ligações de um número desconhecido e insistente que logo descobri ser de Benjamin. Aparentemente ele precisava falar comigo.
Meu coração se acelerou quando vi que também havia chamadas perdidas de Harry, mas nenhuma mensagem. Provavelmente queria apenas falar algo para que eu me sentisse menos envergonhada, algo como: ''Tudo bem Alli, acontece, fico feliz que tenha me contado, você é muito corajosa''. Legal da parte dele, mas nada vai funcionar, só o tempo quando ele se mostrar eficiente e eu esquecer de tudo. Suspirei desanimada.
Não, isso ficou para trás. Meu tempo em Cancun fez muito bem para mim. Eu me diverti de verdade, me mimei como merecia, cuidei de mim mesma. E diferente do que eu pensava, não me arrependo de ter me aberto para Cole Smith, um completo estranho. Ele foi um excelente ouvinte, nunca me julgando, e foi muito compreensível. Conversou comigo, me fez rir, ele era muito divertido e não tentou nada impróprio, ele foi muito doce. Fizemos algumas coisas durante a semana e depois ele teve que voltar para Carolina do Norte, de onde ele é.
Fiquei feliz por ter me aberto com alguém, senti que era o que eu precisava para deixar tudo para trás e seguir em frente, sem dramas, sem frustrações. Não é porque voltei para casa que devo parar de progredir.