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  Mattia

Passamos no Drive-thru ao lado e pedimos alguns lanches.

— Um milkshake, uma água, uma porção de batata e dois hamburgueres com refri, certo? – pergunta a funcionária sorridente por trás da janela de vidro.

— Sim, obrigado.

Faço o pagamento e sigo até o estacionamento do próprio lugar.

Parando o carro na primeira vaga que avisto, Aisha liga o rádio. Provavelmente não querendo que fique um silêncio avassalador. Queria mesmo é que ela conversasse comigo, me olhasse, me ouvisse de alguma forma.

Os fones nos ouvidos. Ainda mirando nas coisas do lado de fora. Fugindo do assunto de certa forma.

Eu acho que não vou conseguir NÃO perguntar nada. Sei que ela tem muito a dizer, o problema é que não sabe como.
É sempre assim, se eu pressionar mais um pouco ou eu vou conseguir irritar-la ou conseguir uma conversa confortável e libertadora pra ambos poderem se entender melhor depois de todo embaraço que tivemos.

Eu realmente tenho que ter cuidado onde piso, o terreno dela é sensível dependendo da situação. Mas porquê eu tô demorando tanto pra puxar assunto?! Eu sou tão bom em começar uma conversa. Principalmente com ela.

Acho que só não quero falar besteira. Melhor pensar melhor no quê vou dizer. Mas agora eu me pergunto no quê ela tá pensando nesse momento...

Aisha

Minha mãe vai me matar, ou só me encher de perguntas...talvez os dois.

Mas deixando isso de lado... Mattia tá bem calado. Não vai demorar muito pra começar a falar.

Por mim tudo bem conversar agora. Eu tô mais calma. Mesmo a minha perna ainda estar ardendo. Eu nem ao menos levantei a calça pra ver se cortou muito. Idiotice a minha não ligar a laterna pra ver onde piso.

— Ei* * *lanche* *se tá pronto* – ouço Mattia falar ao fundo e tiro um dia fones da orelha pra entender melhor oquê ele tanto estava dizendo — .....**Certo? – ele fala, mas só ouço a última palavra e fingo que entendi.

— hurum... – falo e balanço a cabeça em um sinal positivo.

Ele sai.

Respiro fundo.

Ele deve pensar que sou uma doida. Não que eu não seja.

Mas digo, por eu ter feito tudo isso. Toda essa confusão. Eu apenas queria sair da rotina. Da mesmice de sempre. A agonia dentro de mim explodiu. esfrego as mãos, uma na outra. Não pelo frio, mas pela ansiedade de querer saber oque iria acontecer dali pra frente. E se aqiele turbilhão de sentimentos voltassem novamente? E se napróxima fosse ainda pior...

Por minutos, que pareceram tão rapidos e intensos, me pego pensando em tudp aquilo e um bocado mais quando o barulho da porta abrindo me interrope bruscamente.

Mattia parece tão pensante quanto eu, ele entra, se acomoda e me olha com certo carinho — Aqui o seu tá... pedi pra colocarem calda de chocolate no seu milkshake porque sei que é do seu agrado...

Seu jeito tão manso e empatico de me tratar, me faz me sentir tão reconfortada novamente. Um sentimento de paz insuportável parece emanar dele, é quase como eu voltasse no tempo, quando costumávamos comer em drive-thrus pela cidade no meio da tarde ou no meio da noite quando o sono passava longe.

Nem percebo que o encarava, atônica. Seu cabelo sedoso e seus olhos brilhando como sempre.

Apenas ignoro o lanche em sua mão, e apenas deixo meus pensamentos sairem em forma de palavras curtas — ...não queria que nada disso tivesse acontecido. Entre nós. Por mim tudo bem nossa amizade se manter pro resto da vida...— desvio o olhar dos seus — ...eu conseguiria viver com isso...

Ele desce, de forma sutil, o lanche ao colo e pousa a mão suavimente sobre a minha. — ...eu não. — Suas palavras soam com firmeza, como se sua certeza fosse total sobre. — Eu admito Aisha, foi erro meu tudo que aconteceu, covardia minha não ter vindo até você antes, de enfrentar minhas dúvidas e dizer tudo que sentia. Talvez todo o mal entendido, toda a confusão não tivesse chegado a tal ponto.

O encaro por alguns segundos, e viro o rosto sentindo a emoção me subir a garganta. A lágrima que se enchia no canto do olho tinha uma composição diferente das várias outras . Tinha um quê de felicidade e alívio contido na alma, preso entre o coração e a mente.

— Te feito chorar e tomar a responsabilidade toda pra sí. Tudo podia ter sido mais fácil pra você. — Ele acaricia as costas da minha mão com seu polegar enquanto fala — Admiro sua força em querer o melhor pra mim e pra todos ao seu redor. Você é uma garota linda, mas seu coração ultrapassa toda a beleza externa. Pra mim Aisha...— Sua mão agora envolve totalmente a minha, e me puxa levemente pra perto, eu me viro ainda tampando a boca com a outra mão, tentando não me derramar em lágrimas de forma exagerada e provavelmente da forma que faria se estivesse só —...você não tem defeito algum, tudo que eu vejo são suas qualidades.

O miro, seus olhos brilham, com um quê de angustia, como se ansiase por uma resposta, mas ao mesmo tempo feliz por ter me dito tudo aquilo. Ele parece ainda mais bonito de perto, sua leve fragrância naquele espaço ocupado apenas por nós.

Posso ver verdade em tudo que diz, ele não gaguejou em momento algum.

E quase como um desabafo, tiro cada palavra da minha boca como se sempre estivessem ali — Eu posso afirmar a você Polibio... é uma das pessoas mais especiais na minha vida, eu mentiria se dissese que não ligaria se nos afastássemos, mentiria se dissese que não choraria, mentiria se dissese que não olharia suas fotos na minha galeria sempre que pudesse — Me pego pensando em momentos onde tudo deu errado, e eu me afastei dele da forma que achei que seria — Eu amo tudo em você, eu choraria todas as madrugadas pensando em cada momento que tivemos e reveria todas nossas fotos juntos, questionaria a Deus e ao mundo o porquê de ter te colocado tão longe de mim Mattia...

Pos segundos senti um peso no meio do peito, por perde-lo, até voltar a realidade. Sentir seu toque em minhas mãos, não mais frias pelo temporal, mas aquecidas pelas suas. O alívio intenso ao olhar em seus olhos, tão pertos. Você realmente está aqui.

Toco seu rosto quase inconscientemente — Eu....— tão perto, meu coração palpita intensamente seu nome — Eu... — Cada vez mais perto, seu hálito quente toca meus lábios por centimetros, encaro seus olhos mais uma vez apenas para dizer oque se mantinha preso entre minhas cordas vocais há tempos.

— Eu te amo.
Nós entrelaçamos em beijo intenso e marcante, quase desesperado por aquele tão esperado momento. Lábios macios e quentes como suas mãos que agora tocam minhas coxas por cima do jeans.

Nossos beijos ficam cada vez mais ímpetos e urgentes, seu sabor fresco, tão acolhedor e avassalador ao mesmo tempo, me faz querer aproximar cada vez mais, minhas mãos tocam seus braços firmes, e sobem pelo peitoral.
Seu calor, seu toque, seus sentimentos, me fazem querer chorar de alegria.

Estava tão concentrada, e ficaria ali por horas o beijando, tocando suas mãos e sentindo seu perfume, mas para lentamente. Nossos olhos se encontram.
— Porquê paramos? — digo meio sem graça, eu realmente estava afim.

Sua mão passa pelos meus cabelos com delicadeza — Teremos tempo meu amor — posso ver um sorrisinho brotar na linha dos seus lábios, enquanto eu provavelmente sorria de uma ponta a outra.

"...amor" ecoou na minha mente até que chegássemos em casa.



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author's note:
Tentarei finalizar essa fic este ano !
Perdão por tanta espera.

ᵗʰᵉ ɴɪɢʜᴛ || 𝗠𝗮𝘁𝘁𝗶𝗮 𝗣𝗼𝗹𝗶𝗯𝗶𝗼Onde histórias criam vida. Descubra agora