𝑶 𝒑𝒂𝒔𝒔𝒂𝒅𝒐 𝒎𝒆 𝒂𝒕𝒐𝒓𝒎𝒆𝒏𝒕𝒂 | 𝒄𝒂𝒑𝒊𝒕𝒖𝒍𝒐 𝒅𝒐𝒊𝒔

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É engraçado como nos arriscamos para proteger quem amamos. Eu nunca, em sã consciência, flutuaria. Quando fiz a prova pra virar mecânica, já avisei de antemão que sou claustrofóbica. Mas isso nem parece importar agora, já que estou aqui, no meio da escuridão total.

Bellamy: você tá indo bem. Continue assim. - a voz de Bellamy era audível pelo rádio. Também sou capaz de ouvir certo murmurinhos abaixo de sua voz. Parecia ser John, ou Emori. Não sei ao certo. Preciso desparafusar seis pontas de apenas uma barra; duas na ponta, mais duas na outra ponta e duas no meio. Totalizando, seis.

Murphy: me dá essa porra aqui! - um chiado fino e alto invadiu meus tímpanos. Quase fiquei surda, mas logo a conexão se estabilizou, trazendo a voz de John para me acalmar, já que meu coração ameaçava saltar para fora do peito a qualquer instante.
- estão esperando o que pra sair daqui?! - ele gritava irritado.

Monty: Murphy, precisamos monitorar... ‐ de repente não fui mais capaz de ouvir a voz de ninguém. Provável que John tenha chutado todos para longe. Continuei seguindo até a primeira barra. Ela não estava muito longe de mim, logo a alcancei. Tudo estava em total silêncio, o que me fazia questionar o que estaria acontecendo na sala de comando.

Murphy: aí, sabe que daqui da onde eu tô te olhando, sua bunda parece maior? - olha ele aí. Conheço John o suficiente pra saber que ele está com aquele maldito sorriso cínico nos lábios.

Eu: John - desde pequena eu tenho medo de lugares fechados, mas estar no espaço é quase isso, não? Tipo, você não tem noção dá onde está o chão, ou o... teto? Sei lá. Estar presa neste traje também é enlouquecedor.

Murphy: tá legal, desculpe... ‐ senti uma respiração profunda vindo da parte dele.
- olha, até que não é tão ruim quanto parece. Bom, você tá no meio do nada sem nenhum apoio caso o cabo arrebente...

Eu: JOHN! - sério, como fui me apaixonar por isso?

Murphy: sim, você está. Mas pense belo lado bom, se o cabo arrebentar, você vai ficar flutuando no lugar mais maneiro que eu já vi. Aí eu me jogo junto e a gente transa no espaço! Já imaginou?! - droga. Estou no meio do espaço com oxigênio contado, mas estou aqui, rindo das palhaçadas dele.

Eu: eu acho que morreriamos antes de termos um orgasmo - entro na brincadeira. Duas pontas já foram. Me agarro a barra e sigo até o meio, ainda nervosa pela altura. Acho que John percebe, pois sinto ele tentando me acalmar.

Murphy: aí, você se lembra de quando éramos crianças e resolvemos invadir a sala do chanceler? Pra roubar aqueles tacos espaciais que só ele ganhava?

Eu: claro que me lembro! ‐ falei animada.
- você insistiu em dizer que aquilo era tratamento especial e que precisávamos pegar os tacos como "punição". - ri ao lembrar da cena.
- e eu, idiota, cai no seu papinho.

Murphy: é... você sempre cai... - debochou ele audacioso. Nascer na arca não foi fácil. Tudo era contado, pra tudo tinha regras e etc... mas... tive sorte de ter meus irmãos e John ao meu lado. Eu acho que... não conseguiria sem eles.

Eu: Murphy - chamei e recebi apenas um "hum" em resposta.
- você acha... que vamos conseguir chegar em casa? - ele riu leve ao ouvir meu questionamento, me deixando confusa. Pronto, agora só faltam trinta pontas. E depois mais trinta e seis para o outro lado da perna de pouso.

Murphy: burra.

Eu: ah, qual é?! Estávamos tendo um momento legal, pra que estragar?! Olha, Muphy, você é IM-POS-SÍ-VEL. Tá me ouvindo? IM...

Murphy: você é minha casa. - oh, por essa eu não esperava... droga, minhas bochechas estão queimando. John sendo fofo é a coisa mais... fofa do mundo. Aposto que não tem ninguém na sala de comando com ele, pois demonstrar sentimentos assim, quase que palpável, não é algo do fetio dele, então duvido muito que há alguém lá para testemunhar.

The 100: Jonh Murphy Onde histórias criam vida. Descubra agora