Capítulo 8

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Gil havia acordado cedo naquele dia. Não eram nem seis horas da manhã em Austin quando ele pegou seu telefone e ligou para a amiga loira no Brasil para entender o que estava acontecendo.

O telefone chamou quatro vezes até que ela atendesse a ligação com o rosto amassado de sono e uma xícara na mão.

— Gil? O que houve? – Sua voz rouca denunciava que ela havia acabado de acordar.

— A Juliette está aí contigo?

— A Juliette? – Sarah arregalou os olhos. – Não! Por que a Juliette estaria aqui?

— É isso que eu to tentando entender. Ontem eu te liguei pra contar uma novidade bombástica e a Juliette atendeu a chamada dizendo que retornaria depois e desligou na minha cara!

Na noite anterior, as duas voltaram para o apartamento de Sarah em silêncio depois de serem interrompidas por Rodolffo no banheiro assim que o show acabou. A loira foi imediatamente trocar aquela roupa por algo mais confortável e quando voltou, Juliette estava capotada em sua cama. Ela provavelmente havia confundido os celulares e atendido a ligação de Gil naquele meio tempo.

— Sim, ela está aqui mas ainda está dormindo. – A loira admitiu porque infelizmente não colaria a desculpa de que havia sido uma ligação cruzada.

— Eu sabia que vocês voltariam a ser amigas! – Gil comemorou baixinho. – O que ela foi fazer aí?

— Ela só veio entregar aquelas chaves que você deu pra ela quando ainda morava aqui e acabou ficando para dormir, já estava tarde. – Sarah mentiu.

— Ah, entendi. – Gil estava um pouco decepcionado com o contexto. – Mas já é um começo que vocês estejam conseguindo dividir um espaço sem iniciar uma briga a cada segundo, não é? – Ele disse aquilo mais para si mesmo do que para a amiga.

— Acho que sim. – Sarah suspirou. – Mas e aí, qual era a novidade?

— Ah, é verdade! Ontem eu comprei minha passagem de volta ao Brasil, final do ano eu passo as férias juntinho de vocês!

Sarah comemorou com um gritinho. Os amigos conversaram por mais uns minutos e encerraram a ligação para que pudessem preparar o café da manhã.

Juliette acordou com algo molhado tocando o seu rosto. Estava pronta para xingar o que é que fosse aquilo que ousou atrapalhar o seu raro momento de repouso, mas desistiu assim que abriu os olhos e se deparou com um cachorrinho peludo que olhava para ela com animação. Tentou retribuir a festa do animalzinho com a mesma empolgação que ele lhe oferecia, mas tudo o que conseguiu naquele momento foi um leve carinho na cabeça, era como se seu corpo não obedecesse seus pensamentos.

Seu corpo estava dolorido como se tivesse sido atropelada por um trator e sua cabeça latejava tão forte que lhe fazia perder os sentidos. Se levantou com dificuldade e caminhou até o closet de Sarah para trocar aquelas roupas que vestia desde que saiu do Rio de Janeiro.

Sarah viu quando a paraibana sentou encolhendo-se na cadeira, completamente calada e com as mãos tampando os olhos, não parecia estar se sentindo bem. Ficou um tempo observando a cena incerta do que deveria fazer.

— Você precisa de um remédio? – A loira perguntou, quebrando o silêncio.

— Sim, por favor. – A morena respondeu quase sussurrando.

Sarah entregou um comprimido e um copo d'agua a ela, que tomou e voltou para a mesma posição retraída.

— Obrigada.

Juliette sabia bem o que estava acontecendo com seu corpo, não era ressaca, era exaustão. Ela já havia experienciado aquilo algumas vezes durante a semana e sabia que bastava esperar e voltaria ao normal.

Catarse - SarietteOnde histórias criam vida. Descubra agora