O show de talentos

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O acampamento Young Spirit, em Easthan, é para onde todos os jovens que terminam o ensino médio na Silver e Pearson High School vão no fim do verão para passar duas semanas. Todos dizem ser as duas melhores semanas de suas vidas quando saem de lá, isso porque nós vamos sozinhos. Não há pais por perto ou supervisores. Bom, tem os donos do acampamento, mas eles não contam.
Os boatos dizem que o acampamento foi criado pelo casal mais louco que existe. Eles dizem para os nossos pais que vão nos controlar e nos dar atividades vinte e quatro horas por dia, mas na verdade nos deixam livres e permitem que façamos o que quisermos, dentro de algumas regras, claro. Os únicos adultos que ficam no acampamento são dois salva vidas, um instrutor, uma cozinheira, e um líder do acampamento que na verdade não faz muita coisa. Como Sook diz "ele só está ali para garantir que todos voltem vivos para suas casas".
Sook já foi para esse acampamento no ano passado. Eu pedi para minha mãe que me deixasse ir porque queria uma folga de tanto ir e voltar do hospital. Eu já estava tão acostumada a estar sempre no hospital que não pensava no dia em que aquilo terminaria e em como terminaria, mas terminou. Meu pai morreu e eu não fui ao acampamento. Não fui a lugar algum. Nem mesmo ao enterro.

- Quando chegarmos lá - eu digo me aproximando de Sook - você compra alguma coisa no meu cartão para eu comprar um fone de ouvido no seu.
- Claro. O que foi que aconteceu com os seus mesmo?
- Minha tia não queria que eu cantasse no carro porque meio que queria que eu treinasse pra não cantar perto da minha mãe..
- Nunca entendi esse "apreço" - Sook faz aspas no ar para enfatizar sua ironia - de sua mãe pela música.

A primeira vez que Sook veio em casa e conheceu minha mãe, de cara elas não se deram bem. Isso porque Sook começou a falar de como seus pais apoiavam ela e seu sonho de se tornar atriz e como ela amava as aulas de teatro. E minha mãe que nunca gostou desse meio artístico provavelmente achou que Sook seria má influência para mim. Mas, fora isso, as duas se falam normalmente no nível mais básico o que já é bem melhor do que se minha mãe me proibisse de andar com ela.
Minha mãe tenta me afastar ou me proibir de tudo, mas tudo que ela quer para mim, ela consegue. E tudo que ela quer que não aconteça para mim, ela também consegue. Mesmo que seja de tanto falar no meu ouvido até que eu desista da ideia que tenha tido. Algo que ela não conseguiu fazer referente à música, por mais que ela fale ou brigue, isso ela não vai afastar de mim. Mas quanto aos fones.. é melhor evitar discussões.
Assim que o meu professor de canto - da aula de música que minha mãe não sabe que faço - começou a pedir que eu comprasse algumas coisas que poderiam parecer suspeitas quando minha mãe olhasse o extrato do cartão de crédito, eu passei a trocar de cartão com Sook, foi ideia dela, claro. Eu compro o que preciso no cartão dela que sua mãe não checa ou vigia, e ela compra suas coisas no meu. Sook sempre compra roupas e minha mãe não liga muito que eu faça compras sozinha contanto que não me veja vestindo nada muito inadequado, então não se importa.

- Eu também não, mas enfim.. acabou que joguei meus fones pela janela.
- E o jantar como foi? - pergunta enquanto entramos em seu carro.
- No geral a única novidade foi que na hora dos discursos eu fiquei com raiva então pedi a ajuda de Ryder e… bom.. nós cantamos juntos. Mas não foi nada demais.

Minha mente vagueia para aquele momento no palco entre mim e Ryder. Os olhares trocados, aquele sorriso encantador e malicioso. Aquele seu olhar diretamente para minha boca que me fez prender a respiração… tudo aquilo pode ter sido muita coisa, mas com certeza não foi "nada demais", mesmo assim eu torço para que seja porque minha vida já é confusa demais para adicionar mais esse tipo de confusão.

- Está dizendo que eu perdi a cena histórica de você pedindo a ajuda de Ryder para alguma coisa?

Eu olho para ela com o semblante cansado e reviro os olhos.

- Não é como se ele tivesse uma doença contagiosa, Sook!
- Mas parecia quando você falava dele pra mim. "So, ele é tão implicante" - ela começa a imitar a minha voz - "So, eu queria que ele sumisse", "So, por favor me mate para não ter que vê-lo novamente"..
- Chega - eu levanto a mão direita indicando trégua - eu já entendi, obrigada.

Na batida do amor Histórias para pegar e não largar. Descubra agora