Hoje havia sido um dia daqueles, após Aaron me dar a chave do carro para ir embora, eu nem cogitei me oferecer para espera-lo, e assim eu estava caminhando em direção ao carro pensando que talvez hoje seria um bom dia para pedir pizza.
Sinto os pelos da minha nuca se arrepiarem, olho ao meu redor e não vejo nada, dou mais alguns passos com a sensação de estar sendo observada, olho novamente para todos os lados, mas não vejo nada, aparentemente é só paranoia mesmo. Quando vou abrir a porta do carro, sinto uma pancada na minha cabeça e tudo fica escuro.
_Você me ama Aaron Hotchner. –Eu dizia para um homem jovem a minha frente.
Isso não foi a única coisa, de repente um turbilhão de imagens passavam pela minha mente desde quando nós conhecemos, quando ele trabalhou para minha mãe até muito tempo depois.
_Você Emily Prentiss, aceita Aaron Hotchner como seu legitimo esposo? –O padre me perguntou.
Eu respirei fundo, de acordo com minha mãe essa seria a resposta que mudaria o resto da minha vida, Aaron me olhava apreensivo, eu disse sim e fui transportada para outra memória.
_Ele é lindo! –Aaron disse enquanto eu segurava pela primeira vez nosso primogênito, seu sorriso era encantador, e mais uma vez fui transportada para outra lembrança.
Eu estava olhando Alex dormir, quando sinto alguém me abraçando por trás, ele logo diz:
_Vigiando nosso menino?
Faço que sim com a cabeça.
_Estava pensando se ele gostaria de ter um irmãozinho. –Respondo enquanto repouso a mão em meu abdômen.
Ele rapidamente me vira, fazendo-me ficar de frente com ele e pergunta com os olhos brilhando:
_Você está falando sério?
_Claro. –Eu respondo.
Ele sorri e me puxa para um beijo cheio de amor.
_Quando você ia me contar que estava planejando entrar na UAC? –Ele me pergunta enquanto seguro um monte de caixas.
Eu sorrio antes de responder:
_Em minha defesa, eu não sabia que era para aqui que Strauss tinha me transferido.
Ele me olhava cético, duvido que acreditasse no que eu estava falando, mas em partes era verdade.
_Minha supervisão ficara por conta de Gideon, mas os outros não precisam saber. –Esclareci o que poderia vir a ser um problema futuramente.
Ele me olhou com um sorriso de lado e então ofereceu a mão para um aperto enquanto dizia:
_Então prazer em lhe conhecer agente Prentiss. Pode escolher uma mesa vaga lá em baixo.
Eu sabia o que tudo aquilo significava, nós iriamos manter segredo do restante da equipe, exceto Gideon que já sabia quem eu era, o que me parece que só facilitou para que ele não gostasse de mim, uma vez ele me confessou que trabalhar tão junto com Aaron em um emprego como esse, um dia seria um problema.
_Eu não vou te deixar Aaron. Nós vamos pega-lo. –Eu disse apertando seu braço.
_Não Emily, é perigoso. Você tem que ir sob proteção também. Você tem que proteger nossos filhos. –Ele disse pondo a mão na minha barriga e completou –Eu te prometo que sempre estaremos juntos.
Dito isso ele me beijou.
Várias outras imagens e momentos passavam pela minha mente, eu não sabia como, mas de alguma maneira eu sabia o que eram.
_Você prometeu que não faria mais isso Emily. –Era a voz de Aaron, e ele estava desapontado comigo.
Eu havia executado mais uma missão disfarçada e dessa vez as consequências foram enormes.
_Aaron... –Eu tentei me defender.
Mas ele me interrompeu.
_Não Emily. É sua vez de me escutar –Ele disse enquanto eu o encarava, forçando-me a não me despedaçar a sua frente. –Você mentiu para mim todo esse tempo Emily.
Em sua voz eu sentia o desapontamento, mas a única coisa que eu podia fazer era me defender, mas a cada palavra eu me quebrava por dentro:
_Você não sabe o que aconteceu Aaron.
Ele me encarou com asco, algo que eu jamais pensei que veria enquanto eu vivesse.
_Sério? Você mentiu para mim. –Ele dizia zangado.
Eu não conseguia encara-lo por mais tempo, e desviei o olhar antes de confessar:
_Eu precisava fazer isso.
Era verdade, eu havia sido convocada para essa missão e não poderia recusar, mas isso não ajudou, ele tomou minha confissão como se eu gostasse do que eu fiz
_Claro Emily, você sempre teve que ser a melhor. –Ele disse em um tom ressentido.
O que ele queria dizer com isso? Eu nunca quis ser a melhor, pelo menos não nesse sentido que ele está pensando.
_Eu fui designada para aquela maldita missão. –Eu confessei, mas sei que ele não acreditou, prova disso foi o fato dele revirar os olhos e completar:
_Mas poderia ter me contado, eu tinha o direito.
Quando ele disse isso meu coração quebrou.
No fim eram tantas brigas que em um momento de fraqueza e para minha própria proteção sugeri o divórcio, o qual para minha infelicidade ele aceitou.
Vi e ainda senti as inúmeras vezes que tentei me aproximar dele depois do divórcio, mas meu orgulho sempre foi maior do que a necessidade de pedir perdão e me declarar, e no fim acabei por perde-lo, não só a ele, como meus filhos também.
Oh sim, agora me lembro e ainda sinto toda aquela raiva de quando vi ele apresentar Beth para a equipe e ainda por cima para nossos filhos, dizendo ser uma amiga, eu sabia que não era somente isso, pelo menos não ficaria assim para sempre. Então não demorou muito para eles namorarem como eu previa, não suportando mais aquela situação pedi a Strauss que me remanejasse, claro ela tentou me fazer ficar, mas só por obrigação mesmo, ela me confessou que a unidade antiterrorismo precisava de alguém com minhas habilidades, e mesmo sabendo o que o combate ao terrorismo me causou, eu aceitei.
_Ei acorde, chegamos. –Escutei alguém me chamar.
Minha cabeça ainda doía, não sei se era pela pancada ou pelas minhas memorias estarem voltando. Meio zonza eu respondo:
_Quem é você?
Meu sequestrador fica bravo com minha pergunta.
_Por que você faz isso Clary? Por que finge me não me conhecer? Você sabe que toda vez que faz algo de errado, eu sou obrigado a punir você. –Ele disse isso pegando uma corda e me amarrando.
Não! Isso não poderia estar acontecendo, eu caço esses monstros não são eles que me caçam, mas se eu quero sair daqui viva terei que dançar conforme a música.
_Clary está na hora de comer. –Ele diz trazendo comida para mim, sinto meu estômago revirar com isso.
_Eu não estou com fome. –Digo tentando me manter calma.
_Por que as coisas sempre tem que ser do seu jeito Clary? –Ele diz irritado, ao mesmo tempo em que arremessa o prato no chão e após me dá um tapa no rosto.
O tempo passa, já estou cansada o suficiente que mal percebo quando caio no sono mais uma vez. Não sei o que é pior, ficar cativa de um assassino em série ou apenas com o fechar dos olhos os piores momentos da minha vida assolam minha mente.
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Acordando para a vida
FanfictionO que aconteceria se você ficasse em coma e esquecesse a vida que você viveu nos últimos quinze anos? Talvez você ficaria louco ou depressivo, mas não Emily Prentiss. Enquanto tentar se redescobrir, ela cuida dos filhos que há muito tempo estavam af...
