Capítulo 5 - O Rei do Sol

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Estávamos no cento do grandioso salão do trono. Minha mãe, a rainha Selene, estava sentada inquieta a dedilhar freneticamente seu queixo enquanto me observava fixamente. Ao seu lado esquerdo estava o general da guarda real lunar, o General Soma, enquanto que ao lado direito um homem alto de cabelos cor de fogo, trajado com uma suntuosa túnica dourada que evidenciava seu belo físico.  

Lágrimas escorriam sem parar de meus olhos, porém eu não conseguia pronunciar uma palavra sequer. Não sei por quanto tempo permaneci na mesma posição ajoelhada no chão diante do formoso trio. Apesar de minha mãe e o general terem feito diversas perguntas a mim, era como se estivessem falando outro idioma e minha mente estava longe vagando no vazio.  Ao meu lado Ártemis permanecia ajoelhada aguardando que lhe fosse concedida a vez de falar algo ou que lhe dirigissem alguma pergunta. Ao lado de Ártemis, Endymion pairava no ar ainda congelado.

"Bom, vejo que a princesa não está bem!" disse o homem desconhecido.

"Sim, concordo. Acredito que esteja em choque. O que houve com certeza a abalou fortemente. Aguardo suas ordens Majestade." disse o general agarrando com força o cabo de sua espada.

"Infelizmente não sabemos as circunstâncias. Precisamos ouvir todos os envolvidos. Ártemis não conseguiu visualizar toda a situação claramente, apenas que o príncipe estava a seduzir Serenity. As leis lunares são claras, não podemos condenar ou penalizar ninguém sem provas. Como a princesa está fora de si no momento, não temos escolha a não ser ouvir do próprio príncipe o que houve. Ártemis, por favor, solte-o." disse a rainha.

"Sim, Majestade!" e Ártemis fez um pequeno gesto com sua mão esquerda. 

Endymion foi fortemente em direção ao chão com a força da gravidade, fazendo-o cair de joelhos. Olhou desesperadamente para a frente e ao redor. 

"Perdoe-me, Majestade! O que houve? Onde estou?" disse fazendo reverencias rápidas.

"Príncipe Endymion! Está em uma audiência real sendo acusado de tentar seduzir a força minha filha, a princesa deste reino! Não existem muitas opções, portanto deve agora contar a verdade dos acontecimentos desta tarde em que ficaram a sós. Será enfeitiçado, portanto não poderá mentir ou ocultar qualquer detalhe! Então diga-nos o que fez com a princesa!" ordenou solene e pacificamente a rainha, apesar de ser possível ver em seu olhar sinais de irritação.

"Majestade Grande Rainha Selene Serenity! Me perdoe! Não me lembro de ter encontrado a princesa ou cometido qualquer crime! Eu jamais ousaria prejudicar a princesa pela qual sinto tanto afeto! Eu juro pela minha vida que não me lembro de nada! Eu não me lembro, não me lembro..." disse desesperadamente e levou as mãos ao rosto durante um choro desvairado e aflito.

"Recomponha-se príncipe Endymion! Como assim não se lembra? Ártemis houve alguma luta ou acidente envolvendo o príncipe?" disse a rainha.

"Não Majestade. Apenas envolvi Vossa Alteza em um feitiço de paralisia. Não houve nada que pudesse causa qualquer amnésia ou luta."

"Muito bem. Endymion deve estar dizendo a verdade pois está sob efeito de meu feitiço. Talvez sua perda de memória seja sinal de algum feitiço que possa ter ocasionado sua conduta com a princesa. Qual a última coisa da qual se lembra príncipe Endymion?" perguntou o homem de cabelos cor de fogo.

"Vossa Majestade Hélios, grande rei do Sol, minha última lembrança é de ter saído da Terra em minha carruagem para a visita ao palácio Lunar. Não me recordo de mais nada depois disso. Fico extremamente honrado por acreditar em minhas palavras." disse Endymion ajoelhando em apenas um joelho com lagrimas escorrendo de seus olhos e a cabeça abaixada.

"Rainha Selene, acho que possa se tratar de magia das trevas. Precisaremos investigar mais a fundo." disse Hélios aos sussurros próximo aos rosto da Rainha Selene.

"Concordo meu querido irmão. Está claro que o príncipe é inocente, porém diante do estado mental de Serenity deverá deixar o reino imediatamente. Soma, por favor tome as providências sem causar qualquer alarde. Príncipe Endymion, em breve o convocarei novamente." disse a rainha.

"Novamente imploro seu perdão Majestade! Virei imediatamente após seu chamado! Princesa Serenity, eu...." e ficou paralisado ao finalmente perceber meu estado de choque.

"Acompanhe-me, Alteza." disse o general Soma fazendo um gesto para que o príncipe o seguisse para fora do salão. 

"Hélios, acha que devo convocar as guerreiras protetoras dos planetas? Temo que a princesa seja o real alvo das trevas." disse a rainha Selene buscando ser discreta. 

"Infelizmente Selene, concordo que o alvo seja Serenity, mas convocar as guerreiras pode trazer a tona que a princesa precise de proteção e instigar ainda mais o inimigo a agir. Ela deverá ser protegida discretamente. O que acha de Ártemis e Ápolon permanecerem aqui por algum tempo?" Hélios e Selene conversavam olhando a todo momento para mim. 

"A solução perfeita! Os céus me agraciaram com sua presença exatamente quando eu mais precisava meu querido irmão!" disse alegremente a rainha.

Hélios era o irmão mais velho de minha mãe, sendo o governante e protetor do Sol. Acredito que só o encontrei anteriormente quando era muito nova, então vê-lo novamente após tanto tempo e em estado de choque e confusão mental fez com que eu demorasse a reconhecê-lo. Ele lentamente se aproximou de mim e chamou meu nome na forma de sussurro. Minha mente que vagava no imenso vazio encontrou um caminho de volta, e após piscar meus olhos duas vezes olhei para frente e encontrei os belos olhos castanhos de Hélios.

"Tio Hélios?" eu disse.

"Olá Serenity!" e abriu um sorriso largo.

Me tornei a princesa da Lua!Onde histórias criam vida. Descubra agora