Capítulo XXXIV

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Pov' Eva

CONTINUAÇÃO...

- O que que você tá fazendo aqui Jonas? _ Pergunto totalmente desinteressada.

- Meu pai veio até a cidade a negócios, e precisou que eu viesse com ele, então... Pensei em vir aqui pra falar com você. _ Ele responde totalmente sem jeito. Eu apenas o encaro por alguns minutos calada. Ele não mudou nada, suas sobrancelhas grossas e definidas, na qual eu sempre achei um charme dele, seu corpo e estilo de roupa o mesmo.

- Tudo bem então... Entra fica à vontade, eu vou aqui no quarto rapidinho e já volto. _ Falo abrindo a porta e dando passagem a ele, que caminha diretamente para a sala.

Desço as escadas e visto um robe ficando mais confortável, afinal ficar de camisola e sem calcinha na frente do seu ex não é nada agradável.

Depois de devidamente coberta, subo as escadas e o encontro sentado no sofá, observando tudo calado.

- Você aceita algo pra beber? Um chá, café, água... _ Pergunto assim que chego na sala.

- Tem aquele chá de maçã com hortelã? _ Meu sabor de chá preferido, e ele sabe.

- Você sabe que tem! Esse continua a ser meu sabor de chá preferido... _ O respondo com um meio sorriso, no qual ele retribui.

- Então eu aceito uma xícara! _ Ele diz, ainda com um meio sorriso nos lábios.

Imediatamente caminho até a cozinha, e coloco a água pra ferver, preparando as duas xícaras de chá, já com os saches, coloco dois porque gosto bem forte. Sirvo duas colheres de açúcar na dele, porque sei que ele gosta doce, e a minha é sem mesmo.

Enquanto aguardo a água ferver, penso no que pode ter trazido Jonas aqui depois de tanto tempo. Apesar de ter perdoado sua traição, e ter aceitado pelo menos ter uma relação amena com ele, desde que o mesmo foi embora para outra cidade, nós nunca mais havíamos trocado uma palavra se quer, nem mesmo por mensagens ou redes sociais.

Saio dos meus pensamentos quando vejo que a água já ferveu. No mesmo instante sirvo nas xícaras, pego as mesmas e retorno para a sala. Entrego uma pra ele, e sento na poltrona que fica a sua frente.

- E então... o que devo a honra de sua visita, depois de tanto tempo? _ Pergunto com um certo tom de ironia, e ele solta um sorriso sem graça.

- Vai parecer muito estranho se eu disse que estava com saudades? _ Responde ainda demonstrando estar sem graça. Eu serro os olhos em sua direção, achando tudo isso muito estranho.

- É... Vai sim, na verdade tudo isso é muito estranho! _ O respondo, gesticulando, apontando pra ele e pra mim. - Depois de tanto tempo, sem trocar ao menos uma palavra se quer um com outro, nem por mensagem... Você deve concordar comigo, que você aparecer aqui na minha porta, é no mínimo estranho Jonas! _ Concluo, olhando pra ele.

- Eu sei! A verdade Eva, é que eu me arrependo amargamente de tudo que fiz contigo. Se eu tivesse o dom de voltar no tempo, e mudar tudo, eu assim o faria. Fui um cuzão com você, e nem de perto eu consigo imaginar o que você sentiu quando tudo aquilo aconteceu. Sinto que vou carregar essa culpa de ter te feito tão mal, e de ter te perdido pra sempre, mesmo com você dizendo todas as vezes que me perdoa, porque sei que te amo, e sempre vou te amar. _ Ele fala tudo, me olhando nos olhos. Eu apenas escuto, calada e chocada com o que eu acabo de ouvir.

- Er... Não vai falar nada Ev'? _ Pergunta meio sem graça, coçando a nuca, depois de alguns minutos em completo silêncio de ambas as partes.

- Desculpa, é que eu realmente não sei o que te dizer Jonas... Depois de tanto tempo, você vem até a minha casa e me diz todas essas coisas, mas eu te pergunto com sinceridade, porque? Por que eu juro que não te entendo... Nós tínhamos uma relação incrível naquela época, e apenar do meu jeito mais tímido e recatado eu sempre tentei te dar o melhor de mim, mas não foi o suficiente. Você me traiu da forma mais covarde que existe, foi falso e mentiroso descaradamente. Eu também te amei Jonas, demais... Mas quando eu me deparei com a cena de você transando com uma das minhas melhores amigas, bem alí na minha frente... Posso te garantir que foi o momento exato que você mesmo matou todo o amor e sentimento bom que eu sentia por você! Hoje, só resta mesmo o respeito, que eu tenho e preservo por qualquer ser humano. Já te amei, haaa' e como amei! Não só como namorado, mas como amigo e parceiro, mas hoje olho pra você e posso dizer com clareza, que não sinto mais absolutamente nada por tih!!! _ O respondo, olhando em seus olhos, com o tom de voz calmo e frio, e em seguida dou um gole no meu chá. Ele parece chocado, apenas respira fundo, e abaixa o olhar para a xícara. Parece decepcionado, diria até que triste, mas eu não me comovo nem um pouco! Só eu sei o que ele me fez sofrer, eu demorei, mas superei.

Playing with fireOnde histórias criam vida. Descubra agora