Cap. 009 ⎯⎯ Apenas a observando

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Josh B.
30.04.2019
São Paulo

Não nós falamos desse o domingo de Páscoa, há mais de uma semana.

Não me importo com isso, não é a primeira vez que ficamos ignorando um ao outro e com certeza não será a última.

Último dia do mês, o dia em que a empresa fica sempre mais agitada, pois é o grupo do telemarketing correndo pra todo lado, o Rh mais cheio do em dias normais ⎯⎯ já que hoje é o dia do pagamento de geral.

Sentado na minha mesa, eu a observo sempre que tenho oportunidade. Não consigo evitar, é automático. E não é porque eu estou ficando cada vez mais "obcecado" por ela, mas é porque eu sei que hoje é um dia de puro estresse, e dias como esse tem um efeito maior sobre ela, que tem ansiedade em estado alto.

Todos nós temos ansiedade, em alguns são imperceptíveis, parece que nem está lá, e praticamente não faz mal pra essa pessoas. Outros tem um estado médio de ansiedade, é aquela ansiedade perceptível, aquela que a pessoa já tem ideia que tem ansiedade, mas não em um estado "tão" grave. E tem o estado alto, aquele que precisa de remédios pra controlar, o pior de todos.

E Any simplesmente parece ignorar isso, parece lutar contra isso de forma errada. Seja tomando os remédios no horário errado, ou deixando de comer várias refeições importante ao dia.

Ela ainda não tomou café. Ainda não almoçou. E já são três e meia da tarde. Qual é porra do problema dela? É o que eu sempre me pergunto.

Posso odiá-la, posso odia-la mais do que tudo na vida. Mas nunca quero o seu mal, mesmo que fale que desejo isso a ela, é sempre da boca pra fora.

Soltei um suspiro irritado e me levantei da minha poltrona, saindo da minha sala e seguindo até a recepção. De longe observei ela dando voltas pela sua sala, com uma mão sobre a cabeça e a outra segurando alguns papéis.

Segui em direção a sua secretária e parei de frente a ela, direcionando meus olhos para ela.

⎯⎯ Gabrielly já comeu? ⎯ perguntei em um tom sério, a secretária dela me olhou e depois desviou o olhar.

⎯⎯ e-eu não sei, senhor... acho que sim, a um tempo atrás ela saiu do escritório e desceu, talvez ela tenha comido algo.

⎯⎯ mentira! ⎯ a secretária voltou a me olhar ⎯ Gabrielly sim saiu, mas não passou de três minutos. E ninguém come em três minutos.

A mesma engoliu em seco, e ergueu os seus ombros, um pouco perdida, talvez pensando no que dizer.

⎯⎯ olha... Renata, você vai fazer o seguinte. ⎯ coloquei uma das minhas mãos no bolso do meu terno e tirei a minha carteira ⎯ você vai sair dessa empresa, vai até a lanchonete da esquina, comprará duas coxinhas, um pedaço de torta de frango, um suco de laranja natural e algum docinho que tenha morango pelo meio. ⎯ Coloquei cento e cinquenta sobre a sua mesa ⎯ e o troco fica pra você.

Ela apenas me encarou, desviou o seu olhar para a sala de Gabrielly e logo para o dinheiro.

⎯⎯ você me entendeu? ⎯ ela abriu a boca algumas vezes, talvez pra discordar, e eu voltei a repetir ⎯ Estamos entendidos senhorita Renata?

⎯⎯ Sim senhor, estamos entendidos. ⎯ forcei um sorriso. Ela se levantou, pegou o dinheiro e seguiu até o elevador.

Quando enfim o elevador chegou, e ela entrou eu soltei um suspiro, e passei a mão pelos meus cabelos. Virei o meu corpo e encontrei minha secretária me encarando.

𝘼𝙥𝙚𝙣𝙖𝙨 𝙉𝙚𝙜𝙤𝙘𝙞𝙤𝙨 ⟶ 𝗕𝗲𝗮𝘂𝗮𝗻𝘆Histórias para pegar e não largar. Descubra agora