No dia combinado, retornei ao consultório de Diane.
Ela estava com o meu papel na mão e iniciou o atendimento com uma pergunta que mexeu em uma ferida ainda aberta em mim. Já se passaram alguns anos, mas ainda ouço em minha mente o som do tiro que levou a vida do meu melhor amigo.
Diane: Quem foi Ryan? Qual a importância dele na sua vida?
Andy: Durante muitos anos eu pensei que Ryan era o grande amor da minha vida. Nós crescemos juntos. Ele foi meu melhor amigo durante toda a vida. Foi meu confidente, meu primeiro beijo, meu primeiro sexo. Ele era a única pessoa que sabia o que se passava na minha mente e no meu coração, mesmo sem eu dizer qualquer palavra.
Diane: E por que você acha que ele deixou de ser o seu grande amor? Porque ele morreu?
Andy: Não. Eu percebi isso antes mesmo de ele morrer. Eu amei Ryan, mas acho que nunca me apaixonei por ele. Eu o amei de uma forma que doaria um órgão para salvar a vida dele se fosse preciso. Eu o amei como se ele fosse uma parte importante da minha própria alma. Mas eu nunca senti meu coração acelerar por ele. Nunca senti um desejo incontrolável de ouvir sua voz, ainda que fosse para não dizer nada importante. Nunca me arrepiei por sentir seu corpo junto ao meu. Nunca passei o dia inteiro contando os minutos para que pudéssemos estarmos juntos. E Robert me faz sentir tudo isso. Mesmo agora, que eu estou brava e com raiva dele, eu sinto tudo isso só de imaginar que iremos nos encontrar. Robert não sai do meu pensamento. Eu não consigo controlar minha respiração e meus batimentos cardíacos quando estamos próximos. Acho que isso me faz ter certeza de que, da forma mais errada, eu ainda o amo. Por esse motivo, eu sei que o Ryan não foi meu grande amor, mas sim uma das pessoas mais importantes na minha vida.
Nesse momento percebi meus olhos lacrimejando por sentir ainda mais a falta do meu grande amigo.
Diane: A morte do Ryan ainda é algo que você pensa?
Andy: Quando Ryan morreu, eu vi a minha vida parar. Eu não conseguia viver uma vida em que Ryan não estivesse. Mas eu sabia que se eu gastasse toda a minha energia no trabalho, de certa forma, eu conseguiria sentir que ainda estava viva. E assim eu fiz. Dediquei longas horas ao trabalho. Algumas semanas depois, eu e Robert começamos o nosso relacionamento e acho que a presença dele ao meu lado fez a dor de perder Ryan ir amenizando. Aos poucos, eu parei de pensar nele com tanta frequência. Robert me fez sentir segura. Mesmo ele não sendo Ryan, eu sabia que Robert era o meu novo melhor amigo. Era a pessoa que não mediria esforços para qualquer coisa que eu precisasse. Quem estaria comigo em qualquer situação não importando qual fosse. Mas agora, que estamos separados, eu voltei a ter pesadelos com a morte de Ryan. Na minha cabeça, ainda ouço o som da arma disparando, o choro do garotinho Milo, a cena do Ryan caído ao chão e as minhas mãos cheias de sangue do meu melhor amigo não saem da minha cabeça.
Diane: E por que você acha que os pesadelos retornaram?
Andy: Todas as noites eu estou com dificuldade para dormir. Fico pensando em tudo de errado que fiz com o meu casamento. E nessas horas eu me lembro de Ryan. Ele sempre estava disponível para me ouvir. Não importava a hora, o momento... ele simplesmente parava tudo para ser o meu ponto de apoio. Eu sinto tanta vontade de ter ele por perto ao menos por um instante. Apenas para ele me xingar por todas as coisas erradas que eu fiz e depois me dar aquele abraço que significa que ele vai me ajudar a concertar toda a minha bagunça, mesmo que ele nem soubesse o que poderíamos fazer. Mas ele sempre me dizia que, no final, tudo daria certo.
Diane: A saudade é algo que não tem cura. A gente precisa aprender a conviver com ela. Vou te passar algumas orientações para ajudar a melhorar o seu sono. Ao final do dia, escreva tudo o que ficar incomodando a sua mente. Crie um diário ou papeis avulsos que poderão ir para o lixo logo depois. O importante é você esvaziar a sua mente. Feito isso, faça uma prece não só para o Ryan, mas para todos aqueles que você sentir vontade. E por último, coloque uma música para relaxar e se possível, tente meditar. Sua mente estará mais leve e provavelmente sua qualidade de sono também será melhor.
VOCÊ ESTÁ LENDO
A Terapia
Fanfic"Fale com alguém... Robert, um terapeuta, um terapeuta junto com o Robert..." (Diane) Como seria se Andy tivesse seguido os conselhos de Diane e buscado uma ajuda profissional? Pensando em como teria sido se isso tivesse acontecido...
