donations / regrets

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A decisão estava tomada, decidiu no mesmo dia, de noite, que faria o que NamJoon disse, mas de um modo anônimo, com doações anônimas. Ao voltar pra casa, dentro do metrô, fez os panfletos com fotos de Butter e contando um pouco de sua condição, planejando mandar para o médico, com o pensamento de que se ele divulgasse, os funcionários levariam a sério e ajudariam.

Se espreguiçou, deitando no grande sofá, com os olhos fechados. Ouviu o som de seu celular e gemeu frustrado, era uma mensagem da colega irritante.

"Aquele cachorro não é seu?"

— E como ela sabe? — como se Park estivesse lendo os pensamentos dele, logo chegou outra mensagem.

"Vi no seu instagram um tempo atrás"

Aquilo fora ainda mais surpreendente, eles não se seguiam na rede social, Jungkook ao menos se lembra de passar seu arroba a ela. Não questionou, sequer respondeu, não queria prolongar assunto com Jimin, apesar de se sentir mal por não responder, Jungkook simplesmente não sabia o que dizer e estava muito cansado pra qualquer interação com a garota.

Resolveu checar se estava tudo bem com seu pai, era muito cedo para o mesmo estar dormindo, então subiu as escadas, começando a ouvir de longe o som da TV do quarto do Sr. Jeon. Jungkook abriu a porta e viu seu pai sentado, com Butter em seus pés, o animal sequer notou que a porta fora aberta, parecia estar num sono profundo.

— Não é melhor deitar na cama, hm? — se aproximou, falando com a voz mansa, não queria que ele se assustasse.

Ele não respondeu e Jungkook já se desesperou antes mesmo de esperar, abrindo a porta de forma brusca e entrando no quarto com pressa, se aproximando do pai e tocando no braço dele.

— Filho?

A voz rouca e quase inaudível do idoso foi escutada e Jungkook suspirou aliviado, notando que a respiração dele estava ainda mais fraca.

— Vamos ao hospital.

04h45

Era manhã do outro dia, fim de madrugada, o sol se fazia presente aos poucos e Jungkook tentava não dormir no duro banco da recepção do hospital, estava pensando seriamente em se deitar naqueles bancos e tirar pelo menos alguns minutos de sono antes de ir para a clínica. Pra piorar, teria que passar em casa para ter certeza que Butter ficaria bem sozinho durante o resto do dia.

— Jeon Jungkook? — a enfermeira o solicitou e ele se levantou, reclamando baixo da dor causada pelo longo tempo que ficou sentado. — Seu pai está bem, mas não sabemos por quanto tempo. Você deve saber sobre a diabetes, mas todo o resto é, com certeza, psicológico. O Senhor Jeon é novo e fisicamente saudável. Recomendamos um psiquiatra, o mesmo que está conversando com ele neste exato momento.

Seu pai receberia alta no mesmo dia, Jungkook recebeu a conta do hospital e do psiquiatra que ele sequer tinha contratado. Não fora apenas uma conversa? Ele quis chorar por inúmeras razões, a conta, o estado de seu pai e de Butter.

E Park Nyala, sua colega de trabalho irrita, fez questão de adicionar mais um motivo à lista de Jeon.

— Infelizmente, Jeon Jungkook, eu e você trabalhamos juntos. Juntos! — o homem mal entrara na sala e já tinha a Park falando em seus ouvidos, sequer guardou sua bolsa, sequer se sentou, ela com toda certeza fazia de propósito. Ele tentou ignorar, indo em direção ao seu pequeno armário.  — Então, tente, pelo menos uma vez na semana, chegar na hora. Você consegue fazer isso?

— E você consegue não ser irritante por pelo menos um segundo? — fechou a porta com força, a assustando. — Você não vê? Todos os dias enchendo a merda do meu saco, qual o seu problema, garota? — se virou pra ela e se aproximou, mas ela não recuou, apenas o olhou com mais ódio no olhar e cruzou os braços como se fosse mil vezes maior que ele.

FLAMINGOS ❥ JJKHistórias para pegar e não largar. Descubra agora