"A vingança corrompe a alma...
O homem segurava seu revólver com a mão esquerda enquanto encaixava as balas uma por uma no tambor. Ele olhava atentamente a a cicatriz em formato de um "W" em sua bochecha pelo espelho na bancada enquanto memórias de seu passado borbulhavam como água fervente na sua mente agitada:
Ele estava deitado na sua cama, como de costume, trancafiado no quarto, sem muita opção de entretenimento além de sua própria imaginação. A luz da lua invadia o quarto com seu brilho prateado, iluminando levemente o cômodo obscuro, aquela era a visão que o pequeno menino mais adorava, imaginava, em um possível futuro, que ele iria fugir desse planeta em um enorme foguete e viver naquele satélite natural, totalmente a salvo dos males da Terra.
Interrompendo seus sonhos, um enorme estrondo pôde ser ouvido no casarão inteiro, chamando a atenção do garoto que se aproximou da enorme porta de madeira escura que dava saída para o corredor, aproximando sua orelha um pouco abaixo da maçaneta e escutando atentamente o que quer que estivesse acontecendo. Gritos de vozes conhecidas fizeram os olhos do garoto se arregalarem e os pelos de seus braços se arrepiaram todos, ele se arrastou bruscamente para longe de onde estava, se escondendo embaixo de sua cama, temendo pela sua vida.
Se passaram vários minutos de gritos e tiros enquanto ele tremia de baixo do móvel, até que, em algum momento, um silêncio absoluto e assustador preencheu o cômodo, de repente, o som de passos calmos fazendo a madeira ranger no corredor chegaram as orelhas do jovem, cada um na mesma frequência lenta e aterrorizante. Pareceram anos e anos até que os passos cessaram, a sombra dos pés da figura que ocultava a luz que entrava pela fresta da porta fizeram o pequeno se afastar ainda mais para o fundo da cama, encostando seu corpo contra a parede fria.
As trancas da porta foram sendo destravadas uma por uma, o rilhar da dobradiça rastejava pelo quarto como uma cobra venenosa, a figura misteriosa e assassina agora estava parada, olhando para a cama onde o menino se escondia: "Eu sei que está aí, saia imediatamente" a voz do homem ordenou, fazendo-o, dominado pelo medo, rastear de onde se escondia, e, assim que pode olhar para o assassino, ele se virou para o corredor, girando o seu pescoço para a direita, olhando bem para o menino, mormurando algumas palavras e em seguida indo embora.
Naquele instante, o jovem ficara confuso e saira correndo de seu quarto, mas o homem já havia desaparecido, então, ele caminhou até a sala de jantar, onde os corpos de seus familiares jaziam inertes e sangue escorria para todos os lados, pintando o ambiente de vermelho. Então, já não restava mais dúvida para o garoto: o destino de sua vida dali em diante seria buscar por vingança.
E foi exatamente o que ele vem feito durante os últimos dez anos de sua vida, agora, com 21 anos, estava mais perto do que nunca de conseguir o que almejava. Adotado por Endrigo, sábio homem que lhe ensinara a arte da ciência e da magia, depois dos eventos daquele noite, ele terminara no dia anterior o protótipo de uma ferramenta que seria capaz de lhe dar o que ele queria, tudo que restava para ele fazer agora era se armar com unhas e dentes para matar quem o feriu profundamente. Com um taco de beisebol nas costas, dois revólveres completamente carregados na cintura e uma corda bem resistente, ele pegou o fruto de anos de suas pesquisa em suas mãos: uma esfera de vidro órbitada por três anéis dourados de tamanhos diferentes com inscrições talhadas na sua superfície. Ele girou, um por vez, os anéis, até estarem na posição adequada e lançou para cima.
O protótipo caiu novamente na mão dele, mas agora ele se encontrava em cima de um telhado de um edifício. Imediatamente, ele amarrou uma ponta da corda com força na sua cintura e enrolou a corda, amarrando a outra ponta em uma haste de metal ali presente, em seguida, descarrilou um pouco do cabo, descendo com cuidado do telhado, apoiou os pés sobre a parede, flexionando o joelho e se impulsionando lateralmente, soltando de vez os cabos e descendo em formato de uma parábola, atravessando com força uma enorme janela de vidro, lançando cacos com alta velocidade para todos os lados, dentro e fora do cômodo e pousando com uma cambalhota no chão, deixando as pessoas que anteriormente comiam calmamente totalmente atônitas.
—Está na hora de pagar pelo que fez! —Ele gritou, sacando os dois revólveres da sua cintura.
Ele mirou a arma para o rosto do homem que ele conhecia muito bem há tempos, ele esperava por aquele momento com todo o coração e ali estava, e, sem hesitar, apertou o gatilho de ambas as armas, lançando duas balas em velocidades ultrassônicas que rasgavam o ar por onde passavam, e, em milésimos de segundo, atravessaram o corpo do homem, a primeira cravando-se na cabeça dele, entrando por sua testa, quebrando os ossos do crânio dele e atravessando o seu cérebro, a segunda fincou-se em seu peito, cortando com facilidade por sua pele e destroçando o pulmão direito com facilidade junto de várias costelas, ambas parando apenas no encontro da parede.
As três pessoas restantes no lugar correram imediatamente para longe dele, já ele, calmamente, virou o revólver da sua mão direita até a mulher que estava mais perto dele, disparando contra o joelho esquerdo dela e a fazendo cair no chão com força, as duas pessoas que a acompanhavam exitaram, mas correram sem ajudá-la. Ele se aproximou da mulher que rastejava e gritava pela sua vida, olhou bem nos olhos dela com um ódio indescritível e atirou cruelmente contra a cabeça dela.
Imediatamente após isso, ele largou as armas no chão e disparou em direção aos dois homens restantes, sua velocidade era extremamente superior a daqueles dois porcos gordos que ousavam se chamar de pessoas, sacando o taco de beisebol de suas costas, ele pulou contra o primeiro, derrubando-o com força no chão e, sem deixá-lo reagir, desferiu golpes na cabeça do homem com o taco, a última vítima havia parado, aterrorizada, sabia que não poderia fugir, então apenas observava o seu familiar ser ferido sem conseguir mover um músculo. Foram vários segundos dele atacando a cabeça do velho, ele parecia uma fera selvagem completamente fora de controle e continuou atacando e atacando até que o que sobrará no chão era apenas uma massa de carne, ossos e sangue, sem qualquer pista de que aquilo fora anteriormente uma cabeça.
— Não consegue nem correr por sua vida, não é? — Ele se virou para a última ameaça. — Você é uma criatura podre e desprezível, estou fazendo um trabalho para todos tirando sua vidinha medíocre.
—Quem é... — Ele tentou perguntar, mas ele não lhe deu folga.
...
Com seu corpo coberto por sangue, ele subiu as escadas da casa, caminhando lentamente pelo corredor, dando passos periódicos e precisos, até parar na frente de uma porta. Ele destrancou as travas uma por uma e abriu a porta do quarto pacientemente.
—Eu sei que está aí, saia imediatamente. — Proferiu e imediatamente se virou de volta ao corredor, virando rapidamente para analisar o garoto que saia debaixo da cama, o rosto dele era de assustado e a cicatriz em formato de "W" em seu rosto era visível pela luz que entrava. — Sua família não mais vai abusar ou machucar você, eu prometo.
...mas alivia os traumas do passado."
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A Antologia do Caos
Short StoryEmbora o caos seja a palavra que defina o comportamento humano e a imprevisibilidade da vida, em mundos completamente desordenados e diferentes entre si, há apenas uma constante: o sofrimento.