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— Precisa de ajuda, Min? — A voz grave e rouca do Felix soou, e eu soube imediatamente quem era.

— Ah... se não se importar... — Eu respondi, sentindo-me um pouco vulnerável.

— Claro que não! Afinal, eu adoro cozinhar. — Felix respondeu com um sorriso.

— Sério? Que legal, eu também gosto bastante de cozinhar. Aprendi muito com minha mãe, que era cozinheira. — Fiquei ali conversando com ele por um tempo, e fiquei contente por ele não ter tocado no que aconteceu mais cedo. Foi muito amigável da parte dele, e eu realmente apreciei.

Passamos o tempo todo preparando o jantar para todos. O Lee e o Han arrumaram a mesa enquanto o resto do pessoal... bem, provavelmente estava inventando alguma brincadeira, com todo aquele caos de risadas e conversas.

— Vamos comer, crianças! — Gritei, e logo todos apareceram na sala. A refeição foi boa, apesar de, claro, o Binnie ter ficado longe de mim. Pelo menos ele podia ter se sentado ao meu lado, mas tudo bem.

— Min, você tem quartos suficientes para todo mundo? — O Felix perguntou enquanto se servia.

— Acho que sim. Só que vocês vão ter que dividir os quartos. Espero não ouvir gemidos durante a noite. — Respondi com um sorriso travesso.

— Eu gemo baixo, não se preocupem. — O Jeongin disse, e o Hyunjin olhou para ele com uma expressão meio de "Mas você não é um anjo?"

— Gente... — O Lee ficou surpreso com a resposta do Jeongin, e todos começaram a rir.

— Fica quieto, Lee, porque quem vai sofrer sou eu, não você. — O Hyunjin retrucou, e todos caíram na risada.

— Deus me livre, podem escolher, mas ninguém vai ficar no meu quarto. O meu quarto é meu e pronto! — O Jeongin se colocou como "dono da situação", fazendo todos rirem ainda mais.

— Eu não posso ficar com você? — O Changbin perguntou, e já sabia que aquilo ia dar merda.

— Sua casa é aqui do lado, sabia? — Eu disse, e todos ficaram me olhando, enquanto o Hyun sorriu para mim e eu retribuí.

— Ah, qual é? Vai ficar assim comigo? Só porque eu disse que não gostava de você? Não sabe aceitar? — Changbin fez uma expressão de desprezo.

— Você tem sorte de ainda estar na minha casa. Primeiro, você é um filho da... Eu tirei a sua virgindade e ainda fica reclamando? Pelo menos retribui com carinho! Eu sei bem que você gostou ontem. Eu até pensei que estava começando a gostar de você, mas depois disso, pode ir dormir na sua casa, que eu agradeço. Agora, por favor, saia da minha casa, porque não quero mais me chatear. — A raiva tomou conta de mim, e eu só me concentrei na expressão do Changbin enquanto as palavras saíam de mim sem filtro. No fundo, ouvi os murmúrios do Felix, do Lee e do Hyunjin como um eco distante: "Iiiiiih", "Gente, que babado", "Meu Deus".

— Sabe, Seungmin... Acho que o Felix estava certo. Eu usei você! — Changbin confessou, com um tom pesado, mas eu estava tão farto daquela situação que mal consegui processar.

— Você é igualzinho ao Haneul! Um filho da... de primeira! — Eu explodi, as palavras saindo com um peso doloroso.

— Ei, Seungmin... — O Hyunjin tentou me acalmar, ciente de que a situação estava saindo de controle.

— Quem é o Haneul? — Changbin perguntou, completamente perdido.

— Seungmin, olha para mim, por favor. Não... Não lembre do que ele te fez, ok? Fica calmo, por favor! Já é a segunda vez em uma noite... por favor, se acalma e não lembra dele, de qualquer jeito. — O Hyunjin falou, tentando segurar minhas mãos. Todos estavam me olhando com curiosidade, querendo entender o que estava acontecendo.

— Changbin, por favor, vai embora. Eu sei que você não quer saber do Seungmin, mas é para o seu bem e, principalmente, para o dele. — O Hyunjin finalmente disse, e, depois de um longo suspiro, Changbin saiu da minha casa.

— Você está bem? — Hyunjin perguntou, assim que a porta se fechou atrás de Changbin.

— Eu... tenho medo, Hyun. — Eu respondi, com a voz embargada, e ele me abraçou. Todos foram até nós e também me abraçaram, oferecendo o conforto que eu precisava.

— Agora, por favor, alguém me explica o que acabou de acontecer? — O Felix perguntou, um tanto confuso.

— O Changbin foi um babaca com o Seungmin. Eu nem sei muito do passado do Min, mas deve ter sido muito ruim para ele reagir assim. — O Lee disse, e ele estava completamente certo.

— Você ainda quer dormir sozinho? — O BangChan perguntou, com uma expressão preocupada.

— Acho que sim, se eu precisar de alguém, eu grito. — Eu tentei sorrir, e todos riram. Era madrugada, já passava das 3 da manhã, e cada um foi para seu quarto.

Entrei no meu quarto e, ao olhar para o quarto do Changbin, vi que a luz estava acesa. Olhei mais de perto e vi que ele estava chorando. Senti um aperto no peito, mas não pude fazer nada. Não podia mandar mensagem para ele. Só que, naquele momento, eu não sabia o que fazer para me sentir melhor.

Fui até a minha cômoda e peguei uma lâmina.

— Eu sei, Hyunjin... Eu sei que te prometi não fazer mais isso, mas... — Eu não terminei a frase, e fiz um corte grande no meu braço. Continuei cortando, sem conseguir parar.

— Aish... esse doeu... — Meus olhos estavam cheios de lágrimas, e o chão estava cheio de sangue. A cena se tornava cada vez mais horrível. Eu estava em um estado tão ruim que parecia que não havia como melhorar. A lâmina escorregou das minhas mãos, agora cobertas de sangue. Meu mundo desabou naquele momento. Caí de joelhos, olhando o sangue no chão, nas minhas mãos, no meu braço. Eu não conseguia resistir. Sempre dói quando lembro do Haneul.

Sabia que naquela noite eu não ia conseguir dormir. O medo de adormecer e ter pesadelos me consumia. O maior medo da minha vida era ele.

Ouvi a porta do meu quarto se abrindo, e sabia que, naquele momento, estava ferrado.

— Seungmin! Você está bem?! — Era o Felix. O garoto que, sem saber, estava sendo a minha salvação. Ele veio até mim, e não demorou para o pessoal estar ali também, perguntando se eu estava bem.

— Você prometeu! — O Hyunjin disse, com lágrimas nos olhos. Ele pegou minhas mãos, mesmo sabendo que estavam cobertas de sangue. Com tanto sangue, ninguém mais se aproximava. Só restaram o Hyunjin e o BangChan no meu quarto.

— Me desculpa, Hyun... Eu não consegui... — Eu disse, chorando, e ele me abraçou, me dando o apoio que eu tanto precisava.

(...)

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