Um livro e seus mistérios
Um lugar silencioso, aparentemente vazio e com uma atmosfera estranha. Essa era a definição da casa dos Mansi em uma manhã de quarta-feira que ao que tudo indica era para ser comum. Do lado de dentro da residência só se podia ouvir o barulho do vento batendo nas janelas fechadas e as preocupações de uma garota de cabelos pretos e asas enormes.
Tudo estava muito esquisito desde a hora em que Angel foi dormir. De noite, era possível ouvir vozes alteradas vindas do quarto de Anne e Hiago, porém, eram difíceis de se entender. Na manhã, nenhuma alma viva apareceu para tomar café, além da jovem. Teoricamente Hiago e Anne só poderiam estar em seu quarto, mas eles não faziam nenhum som. A casa consequentemente permanecia com um ar sombrio.
Por mais que tivesse achado incomum o comportamento de seus pais, Angel sabia que era melhor não se meter em qualquer coisa que eles estivessem fazendo, contudo, ela não deixaria sua inquietação cair tão facilmente.
Buscando mais uma vez por curativos para seu querido "hóspede", a menina estava caminhando em direção à alguns armários que guardavam tranqueiras e remédios. Ao passar em frente o quarto de seus pais, o silêncio antes instaurado na casa foi quebrado quando a garota ouviu sua mãe chorando. Preocupada, Angel colocou sua orelha na porta para tentar ouvir melhor e percebeu que sua mãe estava chorando enquanto conversava com seu pai.
A menina logo bateu na porta apressadamente, deixando para trás a preocupação de não interferir em assuntos dos seus pais e pensando em muitas situações possíveis. Divórcio? Morte de um parente? Algo maior? Foram pensamentos que passaram na mente de Angel antes que Hiago abrisse a porta.
O homem tinha uma face cansada, com olheiras profundas e um olhar distante, como se estivesse pensando em algo. Atrás de Hiago estava Anne sentada em sua cama com olhos inchados de tanto chorar e uma cara pálida.
— Pai? Está tudo bem com vocês? — A garota perguntou olhando com certa preocupação devido à cara de seus pais, nunca vira eles assim.
— Vai ficar tudo bem Angel, a sua mãe teve problemas com memórias antigas e eu estive aqui tentando consolá-la. Você não precisa se preocupar — Hiago havia colocado a mão no ombro de sua filha tentando transparecer para ela que ele podia cuidar da situação, mas a jovem ainda queria conversar com Anne.
— Pai, me deixa falar com ela. Quero tentar confortar a minha mãe — Angel insistia e tentava convencer Hiago de deixa-lá entrar, mas o homem não cedia tão facilmente. Enquanto os dois discutiam, Anne havia começado a prestar atenção na conversa deles, esperando seu momento de interferir mais uma vez.
— Minha filha, eu já disse que sua mãe não quer... — Hiago foi interrompido de repente por Anne, que apareceu atrás dele e segurou seu ombro fazendo com que ele se virasse e olhasse para ela.
— Está tudo bem amor, quero conversar com a Angel — O homem olhou no fundo dos olhos de sua esposa e logo assentiu, dando um beijo em sua bochecha e passando pela sua filha sussurrando uma desculpa pela discussão anterior. Deixando assim às duas sozinhas para poderem conversar.
Entrando no quarto e fechando a porta, às duas mulheres se sentaram na cama uma do lado da outra. A garota não perdeu tempo e colocou uma de suas asas ao redor de Anne, tentando ao máximo confortar sua mãe, a mulher em questão deu um sorriso, agradecida pelo gesto dela.
— Sabe filha, hoje não é um bom dia para mim. Revivi memórias que gostaria de ter apagado da minha mente há muito tempo — Anne manteve seus olhos fixos em suas mãos enquanto falava.
— Que memórias? Se não for incomodo perguntar — Angel permaneceu olhando para sua mãe com certa curiosidade, ela nunca havia descoberto nada sobre o passado de nenhum de seus pais. Ela sabia apenas que eles são donos de uma editora que ficava distante da casa e que vieram morar por aqui quando Anne estava grávida de Angel. Além das histórias que ouvia sobre seus avós por parte de pai, pessoas que ela nunca chegou a conhecer.
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Ao Bater das Asas
RomantikUma casa silenciosa, por vezes barulhenta. Um jardim com uma floresta fascinante que a chama. Os únicos lugares que Angel Mansi conheceu por enquanto. Por conta do deslumbrante par de asas que ela carregava em suas costas, seus pais a proibiram de s...
