Capítulo 2

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                     Um quase desastre

Ao passar da semana a segunda-feira havia finalmente chegado e para Angel e muitas outras pessoas significava acordar cedo para ter aula. Como a garota não poderia sair de casa, seus pais contrataram uma professora particular para ela que já sabia sobre a peculiaridade de Angel, a mulher se chamava Mikaela e ia para a casa dos Mansi diariamente para ensinar a jovem, e hoje não poderia ser diferente.

Angel contava os minutos para o relógio bater 12:00 e finalmente poder descansar. Ela gostava de ter aula com a professora Mikaela, mas nesse momento preferia estar lendo seus queridos livros, além disso, a garota já nem estava prestando atenção ao que a mulher falava. Quando o relógio enfim marcava meio-dia Angel se levantou apressada de onde estava sentada para se despedir de sua professora.

— Não se esqueça de estudar o novo livro de matemática — A menina assentiu anotando mentalmente para fazer o que a mulher disse e a levou para a porta de sua casa. Ao fechar a porta após se despedir de Mikaela a garota soltou um suspiro de felicidade por finalmente estar livre de sua aula. Imediatamente a jovem começou a se dirigir para a biblioteca, mas no caminho ela ouviu um sussurro vindo de perto da janela da floresta.

Angel... — Quando ela escutou seu nome caminhou devagar para a janela, mas ao olhar por ela não via nada mais do que as folhas das árvores balançando conforme o vento batia, pensando que havia sido apenas a sua imaginação a menina voltou para o trajeto inicial.

Já na biblioteca a garota vasculhou diversas prateleiras em busca de um bom livro, porém, não havia achado nenhum, apenas quando ela olhou para uma das mesas que estavam lá, Angel viu um livro que parecia ter sido recém-comprado. Ansiosa para lê-lo a menina se jogou em uma das poltronas, mas antes que pudesse abri-lo seu celular tocou.

— Filha, aqueles meus amigos vão dar uma passada na nossa casa hoje. Não saia do seu quarto quando eles estiverem aí — Identificando a voz no celular como sendo a de seu pai a jovem concordou e logo depois deles conversarem mais um pouco desligou a ligação. A garota suspirou lembrando dos "amigos" incrivelmente chatos de seu pai e quando ia guardar o livro que estava segurando notou um papel preso em sua contracapa.

"Eles mentem" era o que estava escrito no papel, no momento em que Angel o pegou para examinar melhor ele simplesmente desapareceu de sua mão. A menina olhou ao redor confusa com o que acabara de acontecer e se perguntou quem que estava mentindo e sobre o que mentia, além de tudo isso, quem havia posto esse papel em seu livro? Eram muitas perguntas sem respostas evidentes, por isso a garota decidiu se preocupar com isso em outra hora, afinal seu pai e o amigos poderiam chegar a qualquer momento.

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Angel estava em seu quarto quando ouviu passos e vozes vindo do corredor, aparentemente seu pai e os amigos dele haviam chegado. A jovem se encontrava em um dilema, pois passara tempo demais ignorando a sua fome e agora estava começando a ficar fraca, contudo, ela não poderia se arriscar saindo do quarto, mas esse era o único jeito.

A menina esperou as vozes ficarem distantes e abriu a porta do quarto se certificando que não tinha ninguém por perto antes de tentar sair, porém, ela se esqueceu de uma coisa óbvia. Como as asas da garota eram enormes sempre ficavam presas na porta se ela não as encolhesse e foi justamente isso que ela esqueceu, após um momento de raiva devido à sua má memória a menina saiu correndo depressa em direção a cozinha.

Chegando lá ela pegou dois pães rapidamente e se virou para voltar, porém, ela viu um dos amigos de seu pai passando pelo corredor e desesperadamente se abaixou do lado do balcão para se esconder, o que foi uma tarefa difícil afinal o balcão não era muito grande e as asas dela eram enormes. Concluindo a sua missão após o homem ter entrado no banheiro sem percebe-la a jovem se levantou e correu mais uma vez em direção ao seu quarto, já conseguia até ouvir a sua televisão fazendo barulho, entretanto, quando ela estava quase chegando o homem abriu a porta do banheiro e a viu.

— Você é a Angel né? Nunca havia lhe conhecido — A garota virou nervosa e concordou, sua cabeça borbulhava pensando em desculpas para evitar um desastre e era perceptível o quanto ela estava com medo de ser pega.

— O que é isso nas suas costas? — O nervosismo aumentou e suas mãos suavam frio, até que ela teve uma ideia que poderia salvar a sua pele.

— V-você gostou? S-são para um concurso de cosplay que estou participando — O homem pareceu convencido pela mentira de Angel e elogiou o quão "bem feitas" estavam as asas dela antes de ir embora, a jovem soltou um longo suspiro de alívio e imediatamente se trancou dentro de seu quarto.

Como a janela do quarto era de frente para o jardim ela conseguia ouvir a conversa de seu pai e foi assim que a garota percebeu que iria levar uma baita bronca pelo ocorrido.

Ao Bater das AsasHistórias para pegar e não largar. Descubra agora