Detroit
01 de agosto
Minutos antes do acidente...
Era uma noite fresca, a lua iluminava a estrada da principal avenida de Detroit, junto da luz ludibriante da lua, gotas de água caiam do céu formando uma linda obra de arte no vidro do carro, ao som de uma música com e minha companhia favorita, minha mãe.
Sempre amava nossos passeios noturnos, tínhamos o costume de toda segunda comer na melhor pizzaria que existia na cidade, era o nosso hábito e fazia parte do ritual de segundas, não abandonava esse dia por nada, e nunca...
-Muito bem querida, hoje é a terceira segunda-feira do mês, é o seu dia de decidir o sabor da pizza!-Minha mãe fala abaixando o volume do rádio do carro.
-Achei que fosse a sua vez!-Falo contente
-Não é mas se quiser pode ser!-Sugere com um sorriso travesso.
-E se dessa vez, mas só dessa vez eu ceder a minha escolha e a gente decidir juntas?-Sugiro e me viro para ela que dirigia
-Uma boa ideia, mas eu não vou fazer isso na minha vez não!-Minha mãe comenta ambiciosa e começamos a rir, era sempre perfeito está com ela, vejo o sorriso dela enquanto estávamos a caminho, era aquela sensação que me mantinha viva, era isso que me motivava e foi ela que criou a Camille que sou hoje, era a minha paz.
-Eu amo você!-Falo e suspiro, e tão rápido como a luz, o carro que estávamos se chocou com alguma coisa e capotou levando assim a sua vida...
Dias depois...
Foi o dia 01 de agosto que ficou marcado como o fatídico dia da morte dela, Julien era o melhor ser humano que eu poderia conhece, era o minha mãe,aquela que me criou depois que meu pai nos deixou quando eu ainda estava na barriga, e agora já não existia mais aqui, nessa dimensão, meu coração sangrava por isso todos os dias, não existia um único segundo onde eu não desejava sentir-la pela última vez!
Sou Camille Greene, tenho 17 anos e Finalmente esse ano termino o caos que é o ensino médio, sempre fui uma garota discreta, independente e nunca gostei de chamar a atenção e nem atrair olhares, foi a forma que encontrei de me sentir aceita aqui dentro, estava confortável e estava bom, tinha meus amigos de infância e podia até ser tagarela com eles talvez.
Mas agora tudo poderia mudar, na verdade, eu acho que mudou. Minha vida era parada demais, como de todo jovem que pretende entrar em uma universidade ou ser alguém na vida, apenas livros e estudos, não tinha grandes movimentações mesmo morando em uma cidade como Detroit.
Depois que minha mãe se foi, a justiça decretou que eu fosse para minha única família que restou, tia Grace, ela era uma mulher extraordinária e com apenas 35 anos teria a partir de agora que responder legalmente pela minha vida, só podia ser ela, não tínhamos mais ninguém e agora apenas uma a outra, eu sei que ela faria o possível para me fazer sentir em casa, mesmo a quilômetros de distância de onde eu cresci, mas, Ellijay não era uma desconhecida para mim, estava voltando, denovo!
-E então?-Tia Grace fala apontando para a casa quando descemos do carro, eu olho para a faixada, a casa era bem bonita, minha família nunca foi rica, mas os meus avós construíram essa casa a muitos anos atrás assim que tiveram minha mãe e minha tia, minha mãe conheceu meu pai, se apaixonaram e eu nasci, mas quando eu havia completado 5 anos ele nos deixou, foi embora e nunca mais tivemos notícias, talvez seja horrível para algumas pessoas entender a forma que eu consegui bloquear a existencia dele da minha mente, mas fica fácil todas as vezes que eu lembrava que ele deixou uma mulher e uma filha de 5 anos, só assim conseguia entender que não me fazia falta, minha mãe teve força,ela seguiu a vida e depois de conseguir um emprego bom, nos mudamos para Detroit, minha tia Grace ficou e está até agora, a cidade era exatamente do jeito que eu lembrava quando visitava na infância.
-Não mudou nada tia!-Digo e sorrio para ela com um sorriso fraco.
-Isso é bom?- ela me olha confusa e coça a cabeça.
-Na verdade é ótimo!-Digo com lágrimas nos olhos, essa casa tinham muitas memórias e com toda certeza a maior e mais reconfortante era saber que minha mãe viveu nela.- Tudo continua igual.
- Porque não entramos? Quero te monstrar seu quarto!-Ela pega a mala que estava no chão, concordo com a cabeça e entramos na casa, definitivamente nada mudou! Subimos para os quartos e passamos pelo corredor até o final dele onde foi o quarto da minha mãe, tia Grace abre a porta e revela o quarto, meus olhos se enchem de lágrimas e caem no mesmo segundo, piso para dentro totalmente supresa, todas as coisas que minha mãe havia deixado estavam ali, tudo era ela!
-Deixamos tudo do jeitinho que sua mãe deixou antes de ir embora porque sempre que voltavam aqui, ela ficava nesse quarto!- tia Grace caminha para dentro do quarto e passa a mão na colcha da cama, rosa claro com detalhes de renda costurados a mão, ela também estava emocionada.
-Obrigada tia, significa muito para mim ficar no quarto que era dela!-Enxugo a lágrima.
-É seu agora, na verdade tudo aqui é, inclusive a casa, seus avós deixaram para a gente, e agora é eu e você querida!-Ela caminha até mim e pega na minha mão.
-É tão difícil,eu fecho os olhos é...
-Eu sei que é, sinto saudades dela, mas agora só temos uma a outra, e se temos uma a outra significa que não estamos sozinhas!-Ela aperta minha mão trazendo uma sensação reconfortante.
-Eu acho que voltar para Ellijay foi a melhor coisa a se fazer!-Comento e sorrio.
-Eu tenho certeza que sim, você nasceu aqui querida, Ellijay é o seu lugar!-Pisca pra mim em seguida soltamos as mãos.
- Tenho certeza que sim!-Concordo grata.
-Muito bem, eu pensei em fazer um super jantar, mas eu tive que buscar você no aeroporto que tal a gente pedir uma pizza?-Ela franze a testa.
-Pizza é ótimo!-Gargalho reconhecendo seu esforço de me fazer sentir bem, tia Grace chegou a se casar a alguns anos atrás, mas acho que ela não curte a ideia do casamento, não durou muito.
-Ta legal então, teremos uma saborosa pizza!-Ela pega o celular e começa a digitar o número enquanto sai do quarto me deixando ali sozinha com os pensamentos. Não estava fácil, na verdade era difícil pra caramba, mas precisava continuar,mesmo com todos os pedaços e no meu tempo!
Desfaço a mala fitando cada sentimento e volume de coisas que tinham da minha mãe ali, coloco algumas das minhas coisas no meio, respiro fundo e recomeço, com o entendimento, aquele entendimento de que era aqui que eu devia está...
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Alma de Sangue
WampiryApós perder sua mãe em um trágico acidente de carro, a jovem Camille de 17 anos é mandanda devolta para sua terra natal pra morar com sua tia Grace na Georgia. Sabendo sempre ser uma menina diferente, Camille mal esperava que se muda para um lugar...
