1° Capítulo

72 7 0
                                    

Deixem A Estrelinha 🌟

O vento soprava seus cabelos através da janela do motorista; Seus olhos eram sempre atentos na estrada, não deixando passar nada; trazia em seu vestuário o inseparável boné e em seu rosto sua expressão séria de sempre. Vinte e sete de anos de vida foram suficientes para ela saber que fazia o que mais amava no mundo: Dirigir.

O silêncio era algo prazeroso para ela, contudo não o obtinha. Suas duas irmãs e cunhada eram mais barulhentas do que uma sala inteira de garotas do primário.

- Poderíamos ligar a rádio? É hora das quarenta mais pedidas da semana. -Sabina, que estava na boléia junto com Joalin, pediu, já conhecendo a resposta de Any.

- Não. - A garota disse solenemente.

- Você é uma chata. - Diarra falou em um resmungo, capaz de ser ouvido por Any.

- Eu sempre digo a vocês para ficarem na cidade e não virem comigo. -Any disse ainda séria- Vocês vêm porque querem.

- Não custava nos deixar ouvir a rádio por algumas horas.

- Meu caminhão, minhas regras.

- Papai adorava ouvir a rádio -Sabina tentou, tendo um longo suspiro de Any como resposta.

- Eu sei...-disse Any com nostalgia na voz.

- Ele deixou o caminhão para você porque sabia que você amava dirigir. Ele queria você feliz e não amarga desse jeito -O silêncio se instalou por algum tempo até Any falar algo

- Meu caminhão, minhas regras. -Repetiu com Veemência.

- Podemos então assistir algum DVD na TV aqui na boléia? - Any ficou quieta e logo assentiu. Suas irmãs sabiam que Any era chata em relação ao silêncio, por esta razão instalaram uma televisão na boléia, que é a parte onde Sina geralmente dormia, localizada logo atrás dos bancos. As meninas abriram mais a pequena cortina e se enfiaram lá atrás, para logo ligarem a TV.

Any desligou a TV da frente e suspirou. Era possível ouvir a TV de trás dali, no entanto o russo era menos irritante. Seus olhos focalizaram no belo horizonte, vendo o sol se pondo e em contraste com tal imagem havia algumas árvores com verde tão lindo que se dava inveja.
Começou a assobiar baixinho, ouvindo a risadinha das garotas logo atrás de si.

- Estariam vendo pornô novamente? -Perguntou baixinho para si mesma.

Sabina amava trazer pornô e assistir com Joalin, para então ir para a caçamba, que é onde dormiam e transa loucamente com Joalin enquanto Diarra dormia na boléia, tendo Any ainda no volante.
Muitas vezes as garotas se empolgavam e os gemidos eram capazes de serem ouvidos ali na frente.

Preferiu mudar de pensamento ao lembrar dos gritos e fez uma careta. Deu um suspiro ao lembrar que era contente por sua irmã finalmente ter encontrado alguém que a amasse. Ela não daria a mesma sorte, era solitária demais para isso.

Estava a cerca de quase quatro anos sem transar e não fazia questão do sexo, contudo, vez ou outra Any não resistia e, pela madrugada, ligava a TV no volume zero, quando a cabine já estava trancada e ela tinha certeza que nenhuma das garotas poderia flagrá-la. Admitia que o conteúdo daqueles DVD'S eram bons, diferente de tudo que já vira antes. Nada aparentava falso como em pornô mesmo. Era uma história toda baseada em cima de um casal e o sexo era algo que rolava naturalmente, e isso era algo que os DVD'S de Sabina tinha em especial.

Assistia a curta-metragem, se saciando dos desejos do seu próprio corpo e logo em seguida dormia satisfeita, acordando no dia seguinte como se nada tivesse acontecido.

Já fazia cerca de um mês que não se masturbação e sentia seu corpo mais tenso que o normal, decerto que hoje à noite faria algo em relação a isso.

Estralou o pescoço assim que parou em um semáforo, ainda estavam na cidade. Não fazia nem uma hora que haviam saído de casa e aquela viagem seria mais longa do que a maioria dos últimos meses. Seus dias na estrada, pois iria para a outra ponta do país, contudo, parariam em alguns hotéis ao longo do caminho, atrasando um pouco a viagem. No total de dez dias de viagem e mais dez de volta, se contasse com dois dias que ficaria no local de destino, seriam vinte e dois longos dias com suas irmãs falantes.

As garotas nem sempre viajavam com ela, mas na viagens mais longas elas iam. Todas tinham seus próprios negócios e por isso não atrapalhava deixar tudo quando quisessem. Diziam que adoravam se aventurar, já que, se dependesse de Any, as veria apenas no Natal e em seus aniversários.

Desde que seu pai falecera, Any havia se isolado de maneira assustadora e tal afastamento gerou um grande baque em suas irmãs, que eram muito unidas desde sempre.

A caminhoneira parou no posto de gasolina mais próximo e abasteceu todo o tanque, atrasando quase uma hora, pois Sabina alegava não viajar sem levar um estoque vantajoso de bobagens para se comer, sendo os salgadinhos os seus
preferidos.

- Assim os vinte e dois dias se tornarão vinte e duas semanas -Any resmungou

- Desculpa velha ranzinza -Sabina zombou. O ruído do mastigar de seu salgadinho fez o músculo do maxilar de Any se destacar em seu rosto. Ela odiava profundamente aquele som.

- Não sou ranzinza, apenas preciso entregar isso em uma data certa. Esse é o meu trabalho, não é uma brincadeira.

- Tudo bem. É agora que ligaremos a rádio? -Sabina tentou, tendo a risadinha de Diarra ao fundo

- Meu...

- Já sei, já sei. Seu caminhão, suas regras. -Sabina disse, se recostando nos braços de Joalin.

- Muito mais fácil quando entendem isso, viu? -Any disse sorrindo de maneira contida, ajeitando seu boné em sua cabeça.

- Any já pensou em jogar fora esse boné? -Joalin questionou

- O que? Por que?

- Porque existe há anos e está mais desbotado que couro de pica de alemão -alegou.

- Hey, respeite meu boné.

- Eu sei que você ama bonés, mas pelo menos leve ele então. Noto a beirada suja daqui. -Any corou e assentiu derrotada.

- Vou lavar, mamãe.

E assim seguiram a viagem. Vez ou outra Any explicava para as garotas sobre algum lugar por onde passavam, já que ela conhecia a estrada de cabo a rabo.

Destino InCerto (HEYANY/ANYOON)Onde histórias criam vida. Descubra agora