Deixem A Estrelinha 🌟
A noite já havia chegado e com ela a brisa fria chocante. Os vidros do caminhão estavam embaçados e Any só enxergava algo devido ao farol que iluminava a estrada deserta. Suas irmãs não fecharam a matraca nem por um minuto sequer, bombardeando Heyoon com perguntas impessoais.
Foi de forma estressante que Any descobriu que a garota, infelizmente, falava demais e deduziu que colocar quatro garotas falantes no mesmo lugar não era, definitivamente, uma boa ideia.
Diarra coçou seus olhos e bocejo logo após um momento de silêncio e Any agradeceu mentalmente por isso, já sabendo o que viria à seguir.
-Any, será que eu poderia ir dormir? -Diarra questionou.
Any apenas assentiu e estacionou assim que pôde. A enorme porta foi aberta e Joalin e Sabina aproveitaram para ir também, no entanto as garotas congelam no lugar ao lembrar de Heyoon.
- Droga. Não tem onde ela dormir lá atrás. -Sabina falou, fazendo Heyoon franzir o cenho.
- Vocês dormem lá atrás? -perguntou surpresa
- Sim. Temos três olheiros lá atrás. Aqui na frente não tem condições de dormirmos todas. -Sabina disse.
- Ela pode dormir aqui na frente comigo. Ela dorme na boléia enquanto dirijo e quando eu estacionar durmo no banco -Any sugeriu
- Ótimo. Então boa noite, meninas. -Sabina disse. As três se despediram, indo para a caçamba do caminhão.
Any fechou a porta e reparou que Heyoon tremia e, por esta razão, se reclinou e pegou uma blusa de frio sua, que estava na boléia e estendeu a peça para a jovem logo ali.- Tome isto. Fará ainda mais frio pela madrugada -A mais nova aceitou e colocou a blusa em si no mesmo momento. Estava congelando de frio já tinha umas boas horas e agradeceu a mulher pelo gesto, afinal a blusa fina que estava em sua cintura no momento em que conheceu Any havia sido posta e nem assim o frio havia ido embora.
- Quantos anos tem? -Heyoon perguntou aflorando sua curiosidade e sentiu o cheiro gostoso, que estava na blusa que Any lhe ofereceu, adentrar-lhe os sentidos.
- Vinte e sete, e você? -Any perguntou, voltando a ligar o caminhão, andando bem mais devagar dessa vez, pois as garotas estavam sem cinto lá atrás.
- Vinte e seis -os olhos da motorista se desviaram para a garota, analisando meticulosamente seus traços.
- Não parece. -disse solenemente- Poderia, por favor, pegar a caixa de isopor onde estão os líquidos para mim? -pediu apontando para a boléia. Heyoon acentiu e se debruçou no banco, puxando a caixa para mais perto de si.
Os olhos de Any foram para o belo traseiro da moça; seu vestido havia subido poucos centímetros e a mais velha balançou a cabeça, desviando os olhos nos mesmos instante.
- Aqui está -Heyoon disse, se sentando direito novamente no banco. Any abriu a caixa com uma das mãos, sem tirar a vista da estrada e pegou algo no canto de sua porta; logo o colocou sobre seu colo e agarrou algumas pedras de gelo com sua mão. Levou o preparado até o rosto de Heyoon e o pressionou suavemente sobre o olho arroxeado.
- Mantenha ele aí. Ajudará a melhorar. -ela disse, olhando para a estrada novamente. Os olhos castanhos encararam a caminhoneira e um pequeno sorriso brotou em seus lábios.
- Muito Obrigada -ela disse de forma doce, segurando o preparado em um de seus olhos. - Por tudo.
- Não tem de quê -Proferiu batendo seus dedos no volante como se estivesse reproduzindo o som de alguma música-Pode descansar quando quiser, dirigirem por mais umas duas horas -Heyoon acentiu, sentindo seu corpo agradecer mentalmente, pois a moça beirava a exaustão.
Ela foi para trás e se deitou ali. Seus olhos passearam pelo lugarzinho; não era tão pequeno quanto parecia. Caberiam duas pessoas ali tranquilamente, por isso as meninas usavam como assento durante o dia sem se sentirem sufocadas ou desconfortáveis.
Heyoon se aninhos mais em si, ainda segurando a bolsa de gelo e logo a sua bolsa de pelos subiu ali com ela, dando duas voltas no próprio corpo antes de se deitar junto à Heyoon, ronronando satisfeita.
Os olhos Castanhos eram curiosos e vez ou outra pousavam na expressão serena da garota atrás de si através do retrovisor. As duas passaram até que rápidas e Any então desligou o caminhão, se certificou de trancar as portas e se virou para Heyoon.
Ela observou os traços delicados de seu rosto, apesar dos ferimentos. Havia tempos que não via uma garota tão linda quanto aquela. Se perguntou o que ela estaria fazendo indo tão longe, se estava de carro.
Alguma aventura, talvez? Visitar algum namorado? Não tinha como saber apenas imaginando.Retirou delicadamente a bolsa de gelo da pequena mão e a colocou no canto, fechando as cortinas para a garota ter mais privacidade e apagou as luzes do caminhão. Suspirou se lembrando que havia se programado para aliviar-se aquela noite, no entanto não seria capaz de fazer isso até chegarem em um hotel.
Any percebeu que a temperatura estava realmente fria, mesmo dentro da cabine, e quando estava prestes a se cobrir com seu pequeno cobertor ouviu um murmúrio lá atrás. Preocupada, a garota de olhos Castanhos abriu a cortina, se deparando com Heyoon abraçando o próprio corpo.
Any mordeu o próprio lábio e suspirou derrotada, pegando sua própria coberta e a colocando sobre o pequeno corpo ali. Como poderia ser tão trouxa por uma completa desconhecida? Deveria usar o cobertor e deixar que a garota se virasse com a blusa, contudo, não importava a carranca que vestia em seu rosto, ela sempre seria trouxa, de fato. Pensou
Voltou a fechar as cortinas e se aninhou no próprio corpo, se deitando nos braços da frente, que eram unidos e por isso pôde se deitar tranquilamente. O banco não era tão confortável e macio quanto sua cama ali atrás, e provavelmente aquele estúpido gesto de gentileza acarretaria em uma bela dor nas costas.
Analisou as estrelas por alguns instantes através do vidro do caminhão e fez seu agradeceu diário a Deus antes de se entregar ao descanso.

VOCÊ ESTÁ LENDO
Destino InCerto (HEYANY/ANYOON)
FanfictionAny Gabrielly é uma caminhoneira; levava a sua vida na tranquilidade das estradas de todo o país. Aos seus vinte e sete anos não se via fazendo outra coisa senão dirigir, exatamente como seu pai a ensinara. A garota possui mais duas irmãs adotivas...