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Elena não sabia o que fazer com seu cabelo.
Era isso, esse era o fato. ela não sabia como usá-lo amarrado, sendo que a raiz dele ficava mais alta, a deixando com um capacete enorme, e ainda tinha um lado mais volumoso só que o outro, ou seja, sua cabeça ficava torta. TORTA. Se algum Deus conseguisse a escutar agora, talvez pudesse ensinar a ela um jeito de arrumar o cabelo sem precisar usar aquela  coisa esquisita que sua irmã usava todos os dias, o cabelo de Cher era sempre lindo e brilhoso, os cachos sempre no lugar, mas o seu parecia um ninho de passarinho misturado com uma explosão.

Separou o cabelo ao meio, amarrou em um coque, mas as ligas que usou quebraram, tinha tanto volume naquele monte de fios. Jogou tudo no chão e decidiu que iria para a escola com um lenço amarrado no cabelo, seria melhor do que se atrasar só para arrumar aquele cabelo impossível, vários fios caíram em seu rosto, ela colocou água para arruma-los. Talvez se Cher a ajudasse ela conseguiria, mas nunca pediria, sua irmã sempre ficava ocupada de manhã, era presidente da sala e precisava organizar o caderno de atividades.

Quando finalmente estava aceitável, colocou dois cachos de sua franja na frente, e se olhou no espelho. Ótimo, já servir, era apenas a escola, estava tudo bem. Não precisaria ir parecendo estar saindo de um desfile de moda, nenhum garoto a olhava mesmo.

Desceu as escadas, vendo sua irmã tomando café, Cher não era uma pessoa matinal, tinha certeza disso.

– Bom dia.

– Hola.

E essa, meus amigas, é Cher Álvares, a pessoa com o melhor humor de manhã. Riu e colocou o que tinha do café em um saco plástico em sua bolsa, pães, creme de amendoim, manteiga. Colocou suco em uma garrafa grande e estava pronta para ir a escola.

– Vai fazer um café coletivo na escola de novo, hermana? – Cher a olhou confusa.

– Sim, as vezes Lily não consegue comer antes da aula, então a gente mata a primeira aula... – achou melhor trocar a sentença o quando viu olhar de sua irmã – A gente usa o intervalo para comer – e sorriu no final.

– Se levarem detenção, já sabem, não é?

– Castigo e blá blá blá.

– É, agora vamos. Estou atrasada.

– Mas ainda faltam 40 minutos pra primeira aula.

– Exatamente, estou atrasada, vamos – pegou sua mochila, fazendo a irmã revirar os olhos.

Cher e Elena andavam pela rua de braços entrelaçados, estava frio, era o começo do mês e tudo esfriava em Agosto.  usavam blusas de manga longa e tecidos grossos para ir a escola, mesmo que ainda estivessem usando shorts, afinal, uma coisa não tem nada haver com a outra. A garota se balançava com um cantarolar que estava em sua cabeça, e sua irmã olhava as pessoas na rua, julgando as meninas que iam para a escola com blusas mostrando a barriga e usando piercings enormes no rosto. Nesse momento, Cher se tornava um ícone da moda.

A mais velha começou a discutir sobre as roupas, e quando fazia, não parava nunca. Desejou ter um rádio de bolso, para poder colocar em uma estação em que a música estivesse bem alta, mas enquanto não tinha dinheiro para isso, escutava as reclamações de sua queria irmã. Que belo começo de manhã, não é mesmo?

Uma movimentação estranha na entrada da escola, vários alunos em volta de uma briga. E entrou para ajudar, pois tinha certeza de quem estava participando  dela .

[...]

Um silencio se formava nos corredores, Robin tinha um sorriso debochado nos lábios, parecendo satisfeito, seu olhar estava em Moose, que tinha alguns hematomas no rosto e um corte feio na boca. Finney sussurrou em seu ouvido que era melhor ele tirar aquele sorriso, pois o diretor chamou em sua sala após a briga que os dois tiveram. E como estava envolvida naquilo, também teve que comparecer.

Red - Robin ArellanoOnde histórias criam vida. Descubra agora