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Gwen balançava as pernas e girava na cadeira giratória da Pizzaria, do outro lado estava Robin com seu cabelo amarrado e o uniforme laranja de seu novo trabalho de verão. Ela encarava ele fazendo a massa para uma entrega e caminhava pela cozinha como se fosse dona do local, experimentando secretamente as azeitonas.

– Se não parar de beliscar comida, vai ter que pagar todas as pizzas que comeu esse mês – Finney, também com o uniforme, deu um tapinha na mão  dela  – Você disse que queria ajudar e não acabar com nosso estoque.

– Mas eu ajudei, dobrei as caixas e coloquei todos os temperos em ordem alfabética – ela pegou mais uma azeitona e saiu correu de Finney.

Robin ria vendo os dois correndo pela cozinha. Ele passou molho de tomate, queijo, algumas calabresas em uma metade e na outra adicionou pimentas. O horário de intervalo estava quase chegando, ele colocou a pizza no fogo e se sentou, esperando seus amigas terminarem de correr. Seus pensamentos logo foram para Elena, ela deveria estar no fliperama aquela  hora, estava quase escurecendo, mas ele não precisava se preocupar, sabia que o troglodita que a menina chamava de amiga a levaria para casa. Suspirou, encarando o fogo.

– Olha só essa carinha, são saudades da sua Deusa? – Lily estava com o rosto tão próximo ao dele que seus narizes se tocavam. Espaço pessoal não existia para aquela  menina.

– Com certeza ele tá com saudade – Gwen se aproximou para perturbar o garoto também. Por terem a idade parecida, quando as duas estavam juntas tudo era 100% mais irritante, por isso as duas eram amigas.

– Não, não tô com saudade – empurrou o rosto  dela  com a mão – E ela deve estar com o Hopper.

– Ciuminho – Gwen cantarolou rodando em volta dele como uma criança.

– Finney, elas estão roubando azeitonas de novo – Robin desconversou.

Lily arregalou os olhos para o ruivo e correu, dizendo que era mentira e não pegou nada, mas sua mão estava cheia de azeitonas. Finney a segurou e começou a bagunçar seu cabelo.

– Não. Coma. Nosso. Estoque!

– Mas... É tão bom.

– ... – ele suspirou – Ok, só uma, me dá as outras – ele estendeu a mão.

Finney foi lavar as azeitonas que estavam na mão da amiga, antes de coloca-las na pizza de volta.

– E sim, Robin, você está com saudades da Lena – afirmou sem olhar para o garoto.

– Até você? Ok, eu estou com saudade, mas só porque ela é minha a-m-i-g-a, apenas isso.

– Robin e Lena, sentados numa árvore – Gwen cantou.

– B-E-I-J-A-N-D-O – Lily completou a música e os dois ficaram rodando pela cozinha como dois loucos cantando e cantando.

O alarme de pausa tocou, fazendo a brincadeira parar e os meninos começarem a tirar seus uniformes. Robin continuou com a camisa branca que usava por baixo, era refrescante e passar a tarde inteira perto do fogo precisava de uma roupa leve; Finney entrou no quarto dos funcionários para se trocar, saindo de lá com uma blusa com extras e aeromodelos.

[...]

– Filha da puta, essa vadia quase me matou aqui.

Uma tarde de jogos com Vance Hopper, muitos palavrões, socos na parede e ameaças ao dono do fliperama por pedir silêncio. Era perfeito.

– Então não corre atrás  dela , burro.

Elena estava do outro lado olhando o jogo, esperando fim de jogo para poder ter sua vez. Estavam jogando na máquina nova que foi comprada três dias atrás, ela  precisava de cinco fichas para jogar, quase cinco dólares. Por sorte Vance tinha acabado de voltar da escola, e arrumou muito dinheiro do lanche dos garotinhos – que Elena o faria devolver cada centavo, mas só depois que jogarem, claro.

– Caralho, caralho, caralho – ele socou a máquina com força – Não tô acreditando que essa puta vai me vencer.

– Sobe no telhado, sobe no telhado.

– Tô subindo, El, tô subindo.

– Agora desce e aperta pra girar, ISSO! MACETA ESSA PUTA.

– Agora  ela  vai ver porra.

A fada malvada que era o vilão final do jogo foi morta, finalizando e batendo um recorde novo, Vance logo colocou “VanEl” como nome do recordista e fez um high five com a amiga.

– VanEl? Mas quem jogou foi você –  ela  tomou o lugar dele, colocando suas fichas e tendo sua vez de jogar.

– Você ajudou também, e além disso, a gente é uma dupla.

Lena sorriu, apesar dos palavrões, estresse repentino, passagens pela polícia, boatos sobre assassinato e as más atitudes do amiga,  ela  gostava de estar com ele, os dois se protegiam. Ele não tinha uma boa relação com os pais, e  ela  também não, então ambos sabiam como era ter problemas por causa disso. Claro que Elena tentava mudar alguns hábitos dele, não tinha como mudar uma vida inteira em um só ano, mas  ela  já estava trabalhando em transformar Vance em uma pessoa que não parecesse um serial killer, o cabelo dele estava menos sujo e realçava seus olhos.

Deveria admitir,  ela  fez um bom trabalho em tão pouco tempo, só tinha o problema dos...

– Mata essa vadia, El!

Palavrões excessivos, mas isso melhoraria depois de algum tempo.

– Esta afim de pizza quando sair daqui? Meus amigas tão trabalhando no Angelis agora, pizza de graça para sempre.

– Ver seus amigas nerds? A menina estranha vai estar lá?

– Quem? A Gwen?

– A irmã do imbecil de foguete.

– É,  ela  mesma, vai sim. E não chama o fini-boy assim, ele é legal.

– Ele é um nerd.

– Idai, você é um valentão, e nem por isso pede o dinheiro do meu lanche – Elena se virou para ele, segurando sua mão e sorrindo – Por favor, Vance, vai ser legal. Pizza de graça?

Ele suspirou.

– Certo, pizza de graça – revirou os olhos e os dois saíram de mãos dadas – Mas eu não vou te deixar em casa depois.

– Eu sei que vai, você sempre deixa. Tem medo de alguém fazer alguma coisa com meu precioso corpinho –  ela  colocou as mãos na cintura e piscou, Vance riu com as bochechas ficando vermelhas.

– É, esses escrotos não podem ver um rabo de saia que parecem voltar pra puberdade.

– Ainda bem que tenho o temido Vance Hopper para me ajuda, se não o que seria de mim, está pobre garota indefesa na rua.

– Indefesa? Seu soco de direita quase travou meu maxilar, sua maluca.

– Heh.

[...]

Na pizzaria, os quatro saíram da cozinha e se sentaram em uma mesa, ao mesmo tempo que Vance e Lena entraram na pizzaria. Finney acenou para a amiga, que foi em direção a eles, ele cutucou Robin dizendo “olha, o motivo da sua saudade”, mas o Arellano só olhava para uma coisa. As mãos entrelaçadas deles.

– Oi, trouxe um touro para comer com a gente – Elena disse, levando um soquinho do amiga.

– Oi. – Vance cumprimentou sem vontade, sentando entre Lily e Elena.

– Como foi o trabalho hoje?

Eles começaram a conversar sobre o movimento enorme que a pizzaria estava tendo, precisaram da ajuda de Lily e Gwen para continuar com as coisas, mesmo que  só comessem os ingredientes – Lily contra-argumentou dizendo que ajudou com fofocas novas sobre a cidade –, e falando sobre como foi o resto do dia deles. Robin ficou calado durante toda a conversa, olhando para Lena, que comia a parte apimentada da pizza e ria de Vance por não aguentar comer mais do que um pedaço sem tomar refrigerante.  ela  ria para ele, sorria com ele.

Isso não era justo.

Que droga, porque  ela  não podia fazer essas coisas com Robin? Não que ele gostasse  dela  , mas  ela  passava tempo demais com Vance, e cada vez menos com seus amigas. Ele sentia saudades, claro, não podia negar isso, cada segundo longe dela   sua cabeça automaticamente ia até os olhos de Elena, como ela prendia o cabelo de manhã quando estava com preguiça de pentear, como ela falava em espanhol com ele quando estavam estudando na biblioteca, como suas mãos quase se tocavam, seus cotovelos ficavam cada vez mais perto e seus braços se trombavam de vez em quanto. O cheiro do perfume  dela ...

Merda. Ele estava tão fodido.

– Esqueci de ah... desligar a torneira, já volto – Robin disse aos amigas, que continuaram a conversa.

Ele foi para a cozinha, molhou o rosto e respirou um pouco. Elena era demais, demais para ele, demais para todo mundo.

E ela tinha percebido o silêncio dele, claro que tinha, agora estava entrando na cozinha também, vendo ele completamente vulnerável daquele jeito. Droga, mas que droga, ela sempre sabia.

– Hey, Robin, o que tá acontecendo? – a mão  dela  encostou em seu ombro e ele sentiu o calor por cima de sua blusa de tecido fino.

– Só cansado, muitos clientes.

– Você não parece bem, mal encostou na comida. E sei que você ama pizza de calabresa.

– Eu só... Tô confuso, e meio chateado – ele se virou para .

Robin fez aquele olhar, o olhar que só ele sabia fazer, o olhar que tirava o chão de qualquer garota em um raio de 200km.

– Porque você fica tão bonito só existindo? Mas que droga, garoto – brincou, fazendo ele rir um pouco – Conta pra mim o que aconteceu, vai. Somos nosotros contra los gringos.

– Você e o Vance... Tem alguma coisa? Vocês estão saindo? – ele sabia que ela podia pensar mil coisas sobre isso, mas quis perguntar mesmo assim. Era melhor uma resposta só do que ficar sendo paranoico.

– Não – ela riu – É o que todo mundo diz, eu sei, mas não estamos. Ele é igual a mim, por isso somos tão próximos. Não acho que eu sairia com ele, Vance é tão... bruto. Eu prefiro garotos com menos tendência de serem presos, sabe?

Os dois riram, Robin em parte riu de alívio.

– Certo, é que vocês passam tanto tempo juntos e eu só pensei que, talvez tivessem algo e você não queria me contar.

– A gente conta tudo um pro outro lembra? No dia que eu gostar de alguém você vai ser a primeira pessoa a saber, Arellano chato.

– Álvares besta.

Ele a abraçou, e suspirou naquele abraço, sentindo seu corpo relaxar.

– Vamos voltar lá pra dentro? Eu ainda tô com fome – Elena disse ainda abraçada a Robin.

– Mas tá tão bom assim – ele soava manhoso.

– Sei que minha presença apaixonante é incrível, mas não vai ser tão legal se eu desmaiar de fome, vamos logo – ela o puxou pela mão, entrelaçado seus dedos.

– Exagerada.

– Vaaamos – ela beijou sua bochecha. Robin sentiu seu estômago virar gelatina.

Robin Arellano estava completamente apaixonado, e Elena não fez nenhum esforço para isso acontecer.

Red - Robin ArellanoOnde histórias criam vida. Descubra agora