Gaiola de ouro.

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Harry Potter olhou para as grades de ouro que o prendiam e soltou uma risada amarga. *Diga o que quiser, mas Voldemort cumpre suas ameaças.* Agora, ali estava ele, o "Menino Que Sobreviveu", o "salvador profetizado do mundo mágico", trancafiado em uma jaula de ouro maciço. Alguns diriam que era por sua própria culpa—afinal, o assassino de seus pais já havia avisado inúmeras vezes: se Harry insistisse em tentar fugir, isso aconteceria. E ele pagou para ver. 

A porta do quarto se abriu, e Tom entrou. Diferente da parte principal—que preferia o título de Lord Voldemort—, Tom aceitava seu nome com naturalidade. A decisão de torná-lo o carcereiro de Harry surgira após uma série de incidentes: Draco ajudá-lo em uma fuga, Avery tentar estrangulá-lo até a morte e, o pior de todos, Rabastan Lestrange insinuar que poderia violentá-lo sem consequências. A fúria de Harry fora tão intensa que, mesmo com sua magia selada, ele canalizara o poder de Voldemort através do vínculo da horcrux e explodira a cabeça de Rabastan em pedaços. 

Depois disso, Voldemort concluíra que o único capaz de controlar Harry era ele mesmo. Então, dera um corpo à horcrux do diário e literalmente jogara Harry em seus cuidados. 

Isso havia acontecido quatro anos atrás. 

— Gostando das novas acomodações? — Tom perguntou, sorrindo. 

— Vai se foder, Riddle. 

Tom suspirou e se jogou na poltrona favorita de Harry—aquela que, junto com vários de seus pertences, ficava do lado de fora da gaiola. Harry cerrou os maxilares. Ele sabia muito bem que o idiota fizera aquilo de propósito, deixando apenas a cama dentro da jaula. 

Não sabia dizer quando os objetos do quarto—originalmente impostos como parte de sua prisão—haviam se tornado *suas* coisas. Quando a cela se transformara em *seu* espaço. Mas eram dele, e somente dele. Riddle não tinha o direito de tocar em nada sem sua permissão. 

Tom fez um beicinho—que Harry *definitivamente* não achava adorável—e pegou um dos livros da estante. Era um romance clichê sobre uma bruxa e um lobisomem em um amor proibido. Harry tinha vários daqueles, apenas para se distrair do tédio. Não ligava muito para aquele em específico, mas ver Tom manuseando-o com tanta naturalidade fez uma fúria intensa queimar em seu peito. Ele sentiu Voldemort espiar através de seus olhos, interessado, antes de se afastar. Harry ignorou. 

E isso não dizia muito sobre como ele se acostumara àquela situação? 

— Não toque nas minhas coisas! — Harry berrou, sacudindo as grades. 

Tom bufou, mas obedeceu, colocando o livro de volta. 

— Não me culpe por estar entediado, amor. Foi você quem teve outra ideia estúpida de fuga, e agora estamos condenados a ficar aqui olhando um para a cara do outro. Poderíamos estar passeando pelos jardins ou nadando na piscina, mas não. Harry Potter fez pirraça, e agora estamos de castigo. 

— Você não pode me culpar por tentar fugir! Isso não é vida, é uma prisão, Tom! 

Como em todas as vezes que discutiam o assunto, Tom parou e o encarou com frieza. 

— Você tem tudo o que poderia querer. Liberdade para vagar pela mansão e pelos jardins. Qualquer coisa que deseje, nós providenciamos. Tudo está aqui, Harry. 

Harry riu, afastando-se das grades. 

— Tudo, menos minha magia. 

Tom suspirou, levantando-se e se aproximando. 

— Já conversamos sobre isso. Você pode tê-la de volta se jurar nunca nos abandonar. 

— Isso não é vida! 

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