《Livro único》
Em um universo distinto do nosso, onde realidades semelhantes se entrelaçam, desafia-se o conceito de destino. Entre essas linhas paralelas, conheça a história de Siena Halfeti. Nesse mundo peculiar, Siena é forjada desde cedo para se...
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Quando vou para meu quarto sinto que tem alguém me seguindo, então, para não entregar a minha rota para o mesmo a troco em uma tentativa falha de despistar a pessoa.
— Já estou ficando cansado. — A voz que já reconheço, mesmo a escutando pela primeira vez hoje, me faz parar.
Aruna meio cambaleando vem até mim com um sorrisinho que se abre ao me ver parar em meio a um corredor, que mais a frente dá para as escadas que levam a biblioteca.
— Achei que não fosse parar nunca. — Ele reclama fazendo um bico que sei se não estivesse bêbado demais para sentir qualquer coisa, ele mesmo sentiria a vergonha alheia que estou sentindo.
— E o que o príncipe do reino mais poderoso quer comigo? — Perguntou jogando a cabeça para o lado o imitando, coisa que ele não percebeu, é claro.
— Um beijo e a minha noite terminaria perfeita. — Aruna se aproxima de mim, ele segura os meus ombros e devagar, coisa que eu acharia que um bêbado seria incapaz de fazer, ele me prende contra a parede.
Sinto ele começar a beijar lentamente e molhado o meu pescoço, como não sou de ferro aperto sua camisa vermelha que fica por dentro da paletó bordado com brilhos, pedrarias, correntes e muitas coisas que eu não consigo denominar nem identificar, mas que ficaram harmoniosa de alguma forma.
Sei que provavelmente se ele não estivesse embriagado como está, duvido que ele estivesse aqui e se estivesse seria para começar um plano estúpido de me distrair da competição.
— Vamos principezinho, me conte o que sabe sobre os outros competidores e você, que lhe darei tudo que quiser. — Resolvo jogar enquanto tenho o meu pescoço sugado pelos lábios finos dele.
— Tudo? — Ele afasta o rosto da minha pele, e tudo que vejo nele é um brilho de excitação.
— Tudo. — Sussurro com um ronronar perto dos lábios dele, que tentam capturar os meus para um beijo, mas sou rápida em me afastar jogando minha cabeça para trás encostando na parede.
As mãos frenéticas de Aruna começam a passear pelo meu corpo enquanto mais um vez ele corre beijos e chupões pela pele do meu pescoço, terei que lembrar de cobri-los depois pois sei que ficará com marcas.
— O que sabe, hum? — Aperto minhas mãos em suas costas ao sentir ele lamber o lóbulo da minha orelha que que está descoberto dos brincos.
— Neil é mais rápido do que você possa imaginar. — Ele para o que está a fazendo para me responder, e com isso um beijo e depositado em minha testa. — Zion como você já deve imaginar só tem força, ele é uma mula manca, sem querer ofendê-las é claro. — Um beijo na ponta do meu nariz é dado não contenho um risinho com o gesto. — Mavin apesar de ser bem misterioso, sei que é muito inteligente, ele entende tudo de lógica. — Um selar na minha bochecha esquerda é dado.
— E você? — Pergunto vendo ele sorrir ladino.
— Eu sou um ótimo estrategista, se quer ganhar uma guerra me chame, quer sair de um labirinto sem se perder uma única vez fique ao meu lado. — Sorrio para a resposta dele, o que um bêbado com tesão não faz para ter uma mulher? Bom, ele beija agora a minha bochecha direita, mas mais perto dos meus lábios. — E você é a garota que foi comprada pelos pais para essa composição... — Meu corpo inteiro gelou, com as palavras ditas por ele.
Sem esperar nenhum segundo a mais o empurro de perto de mim, sinto que o mataria com as minhas próprias mãos, mas ao ver o olhar confuso dele sei que foi o que ensinaram a ele sobre mim, que não sou nada mais do que uma garotinha perdida em meio a uma competição bruta e que iram me esmagar na primeira oportunidade.
— Espero que todos vocês pensem que sou apenas a garota comprada para essa competição, pois vai ser mais divertido acabar um por um durante essa competição. — Aruna arregala os olhos em surpresa, ao terminar o que tinha para dizer eu saio em direção ao meu lugar favorito desse lugar, até mesmo que meu quarto, a biblioteca.
Empurro a porta do local que está iluminado por luzes mágicas em sua maioria amarelada, mas tem alguns pontos coloridos com verde, lilás, rosa e azul.
A biblioteca tem o mesmo seguimento do castelo, paredes escuras, grandes janelões, pé direto duplo, luminárias excêntricas de vários tamanhos e formatos, livros em prateleiras altas e por cima das mesas quadradas e redondas espalhadas por toda a parte, mas o que mais me agrada é o mezanino que possui sofás, e mais prateleiras de livros, essas que fiz questão de pôr os meus favoritos apenas para lê-los quando tivesse tempo de vir até aqui, deitada nos acolchoados antigos.
Subo sem pressa alguma a escada estreita que dá para o pavimento superior e quase caio quando chego no topo do mesmo, não por me desequilibrar, mas por dar de cara com Mavin sentando em uma das poltronas lendo distraidamente um dos meus livros favoritos, se não o meu favorito.
— O que faz aqui? — É o que sai da minha boca antes que eu filtre os meus pensamentos.
Mavin levanta o olhar para mim, ele arruma a própria postura na poltrona enquanto seu corpo se vira para ficar em uma posição mais confortável para me fitar, isso tudo durou alguns milésimos de segundos, mas em minha cabeça durou uma eternidade.
— O que se faz em uma biblioteca além de ler livros, senhorita? — Ele questiona o que deveria ser óbvio para mim, e é, só que minha língua foi mais rápida do que a minha mente como já falei.
— Muitas coisas. — E mais uma vez falo sem filtrar.
— Tipo o que? — Vejo ele arrumar mais uma vez a posição onde está sentado como se estivesse interessado no que falarei depois.
— Tipo jogar caras esquisitos do mezanino abaixo. — Ele rir, sim, ele rir alto do que eu disse.
Mavin se põe de pé, mas não se aproxima de mim, apenas me fita com o olhar estreito me avaliando. Estou com vontade de socar a cara desse metido de merda.
— Soube o que disse para minha irmã. — Um riso soprado sai de mim ao escutá-lo.
Eu deveria saber que a mimadinha contaria a ele o que eu falei.
— Certo. — O que digo dando de ombro, então me aproximo de umas às estantes enquanto finjo procurar um livro.
— Certo? Você ameaçou ela!
— Não foi bem uma ameaça, foi mais um aviso para aquela...
— Aquela, o que?
— Preconceituosinha de merda.
— Você é mesmo a tola que imaginei que seria, insulta a princesa de uma das cortes e cai na lábia do príncipe Aruna. Uma tola.
— Não perca seu tempo me imaginando príncipe, aliás não é da sua conta o que faço ou deixo de fazer. E se está tão preocupado quanto a mim e o príncipe Aruna deveria rever seu conceito de vida para fofoqueiro medíocre. Agora, quanto a sua irmãzinha, diga para ela ficar bem longe de mim, odeio quem se acha melhor que os outros apenas por ter um posição considerada melhor, aliás faça isso também não quero contaminar sua família por ser uma bastarda. — Quase não respirei enquanto falava, meu sangue ferve em minha veias.
Mavin nada diz, apenas pisca algumas vezes como se estivesse processando tudo que eu disse e então desce a escada e saí da biblioteca me deixando sozinha.
Me sentindo sufocada e injustiçada, deixo que minhas lágrimas caiam pela primeira vez nesse dia.
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