Boa leitura 🔥
Charlotte se olhou mais uma vez no espelho, certificando-se de que estava bonita, ou ao menos apresentável, já que sempre era tomada por aquele tipo de insegurança acerca de sua aparência quando iria sair com ele. Ela riu nervosamente, passando as mãos pela saia rosa estampada e conferindo a leve maquiagem. Decidiu-se que, quanto mais checasse, mais insegura ficaria, então era melhor parar logo com aquilo.
De qualquer forma, já estava quase na hora combinada e ela não queria deixá-lo esperando. Saiu do cômodo com um sorriso feliz estampando o rosto de boneca e rumou para o quarto de Catherine, querendo dar um beijo na mãe antes de sair de casa.
Desde o incidente do baile de formatura, Catherine mantivera a sua palavra, Charlotte não vira a mãe sob efeito de remédios até então. É claro que havia os dias piores, em que as mudanças de humor dela eram contínuas e dificeis de lidar, mas Charlie sabia que era parte da abstinência, e até para isso Cath finalmente concordara em procurar ajuda médica.
Aos pouquinhos, ela sentia a mãe mais participativa em sua vida, entrando em seu
quarto, perguntando-lhe discretamente sobre seus gostos, seus livros preferidos, seu gênero musical. Charlotte sorriu, empurrando a porta do quarto de Catherine com cuidado. As coisas já haviam melhorado, e ela tinha a situação de
que melhorariam ainda mais.
Tudo finalmente ficaria bem.
No entanto, bastou adentrar o quarto da mãe naquele final de tarde para que as pernas tremessem em um prenúncio de que a terna
esperança iria ruir. Vários vidrinhos de remédios encontravam-se vazios em cima da cama. Não! Aquilo não poderia estar acontecendo! Marie tinha jogado os remédios fora, ela assegurara Charlotte daquilo.
Os passos vacilaram, e Charlotte escrutinou o quarto com os olhos, vendo a luz da suíte acessa. Não, não, não... aquilo não poderia estar acontecendo. Ela não estava preparada... Se desse o próximo passo, o que encontraria? Eram muitos remédios. Remédios demais.
O corpo pequeno pendeu para trás, um gesto inconsciente de autopreservaçāo. Queria correr, sair dali, fugir da verdade iminente que encontraria. Mas não podia, justamente, porque eram remédios demais. Catherine poderia precisar dela. Poderia precisar... de um hospital
Charlie soluçou com a resolução, aproximando-se da porta do banheiro, os
olhos ardendo, externando aquele sentimento estranho que comprimia seu peito. E se ela tivesse chegado muito tarde? Seus olhos se arregalaram e ela entrou no banheiro em um rompante, chamando a atenção da Catherine, que devolveu os olhos arregalados que a filha lhe cedia.
– Charlie?
– Mãe?
O cabelo de Catherine estava uma desordem completa, e os olhos cor de mel lacrimejantes e vermelhos. Mesmo assim, ela não parecia dopada ou coisa pior. Charlie aproximou-se com cuidado, tentando compreender o que acontecia ali.
– Eu menti, filha. – A voz vacilou, e Catherine fugiu do olhar da caçula, mirando o vaso sanitário e o que acabara de fazer. – Eu tinha mais. Eu tinha muito mais.
Charlotte sentiu o coração apertar e aproximou-se mais da mãe que, subitamente, pareceu muito pequena dentro do cômodo branco. Seguindo o olhar dela, finalmente entendeu do que se tratava.
– Mamãe… – sussurrou assustada, vislumbrando inúmeros comprimidos dentro do vaso sanitário. – A senhora não..
- Eu queria, Charlie. – respondendo a pergunta não feita. – Por Deus, eu precisava. Mas eu não posso... Eu simplesmente não posso fazer isso comigo. Fazer isso com você.. de novo.
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Network of Secrets 2
ActionWang Yibo, nascido à sombra da criminalidade, possuía um futuro brilhante traçado por seu tio: o comando da máfia chinesa. Só que isso tudo muda quando ele começa a receber fragmentos do diário de sua mãe, o que traz uma nova reviravolta. A vingança...
