O Lee abriu os olhos lentamente, sentindo a superfície fria sob a sua bochecha. A escuridão aos poucos foi trocada por uma visão embaçada, mas que logo foi ganhando foco.
Jaehyun reconheceu estar em um lugar que mais parecia uma caverna, onde somente uma grande vela no chão mantinha alguma mínima iluminação. Ele se colocou sentado, percebendo que não havia nada o preendendo ali. Ao seu redor, somente paredes e um espaço aberto onde uma porta deveria existir. Nenhum móvel ou objeto existia ali.
O Lee apoiou o antebraço sobre o joelho dobrado, abaixando sua cabeça. Apesar da tontura ter passado, seus movimentos continuavam lentos. Aquilo era ruim.
Segundos depois, a mulher de preto apareceu na entrada exalando confiança.
— Vejo que acordou, senhor Lee. — ela abaixou-se em sua frente, verificando-o com cuidado. Ela ainda usava máscara e um grande chapéu, mas dessa vez seu vestido era curto, tendo sua borda quase tocando a longa bota, deixando apenas cerca de dois centímetros de sua pele pálida à mostra.
— O que fez comigo? — ele perguntou com a voz falha.
— Você não precisa saber.
Jaehyun ficou em silêncio.
A Kang colocou-se de pé e caminhou de um lado para o outro na sala, claramente contente com aquela situação onde Lee Jaehyun, um dos principais investigadores do Instituto de pesquisa e controle, estava a seus pés, completamente incapaz de executar o mais simples ataque.
A verdade era que não eram as unhas da Kang que continham veneno. Quando ela as adentraram a pele de Jaehyun em seu último ataque, a penetração apenas facilitou que ela fizesse uma magia direta, um método que ela aprendeu em alguns livros antigos de bruxaria que não chegaram a ser queimados.
— Onde eu estou? — Jaehyun quebrou o silêncio, mas perguntou contra gosto, olhando sempre para baixo.
A Kang parou em seus passos, encarando algum ponto na parede à esquerda de Jaehyun.
— Foi aqui que me escondi por anos — começou ela, soando como se estivesse contando algo sentimental para si. — Você tem ideia do que é ser condenada por um mundo inteiro mesmo sendo inocente? Eles querem me ver morta.
Jaehyun concentrou-se na sua capacidade de força. Embora devesse continuar demonstrando fraqueza durante a recuperação, ele estava ansioso para ter pelo menos algum avanço. O Lee olhou de relance para a Kang, ainda mantendo sua cabeça abaixada para que ela não notasse. Ela parecia distraída o suficiente, portanto ele se preocupou menos que ela desconfiasse da agonia presente nele.
— Eu cresci como uma pura e ingênua inocente. Alguém que lamentou por muito tempo sua própria existência. Mas então... quanto mais eu cresci, mais tive a certeza de que era hora de dar um motivo para eles me temerem.
Jaehyun moveu suas mãos, abrindo e fechando por vezes seguidas, verificando a posição do rosto da Kang e tendo certeza de que seus movimentos suspeitos estariam fora do campo de visão dela.
— E então havia meu pai. Eu não consigo me lembrar do rosto daquele traste até hoje, mas jamais esquecerei aquele que me atormentou desde o meu nascimento. Ele só não me matou com as próprias mãos porque minha mãe não o permitiu, eu sei disso. Ela morreu como uma boa mulher, mas meu destino não será o mesmo que o dela. Jamais.
— Então você está viva mesmo. Você é a Madame de Preto das lendas nos livros antigos. — comentou o Lee, atraindo a atenção dela para si. — Então diga. Por que está me contando tudo isso?
A mulher o encarou em silêncio. Logo ela deu alguns passos na direção dele, sua expressão demonstrava desprezo. Ou até mesmo, ambição.
— Porque você vai morrer aqui, Lee Jaehyun.
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Blood Scent
FanficNa chegada da semana de Halloween, uma misteriosa mulher a qual todos os vampiros da região acreditavam ter morrido centenas de anos atrás ressurge em meio às sombras. Todos eles temiam que ela fosse a mulher da antiga lenda, a madame de preto que p...