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Metros e metros eram ultrapassados em uma velocidade absurda. O coração da Kang palpitava agressivamente durante o trajeto. Tudo o que ela desejava era que Jaehyun estivesse bem e que esperasse por ela.

— Eu estou chegando... por favor, fique vivo.

Minutos depois, sua avançada visão já lhe permitia avistar os altos do Instituto, mas ele estava diferente. Quanto mais metros ela corria, mais ela podia enxergar um cenário totalmente novo: o topo havia se tornado um largo piso e diversos vampiros vestindo preto estavam nas beiras do local. Todos estavam armados com espadas e outros grandes objetos cortantes. Atrás deles, uma grande engenhoca de madeira possuía correntes de ferro.

Seulgi tomou fôlego e, furiosa, saltou metros e metros para cima assim que chegou perto o suficiente. Ao pousar no centro do local, teve inúmeras pontas de lâminas apontadas a si instantaneamente. Com um joelho e uma mão no chão, ela praticamente rosnou ao ver o sorriso calmo do dono do local, que caminhava para fora da multidão em sua direção. Seulgi manteve seus olhos raivosos no Lee mais velho a todo o momento enquanto imaginava centenas de mortes diferentes para ele.

— Senhorita Kang... Que bom revê-la novamente. Sem aquele seu visual misterioso agora é bem mais fácil notar seu rosto bonito. — dizia sorrindo a todo o momento.

— Solte ele. — rosnou a Kang.

O senhor Lee fez uma expressão de surpresa.

— Oh, soltar ele? Como? Ele não está preso, madame. Ou você se esqueceu que ele foi a primeira pessoa a se candidatar para a sua caça?

O Lee sorriu de forma provocativa, causando ainda mais irritação em Seulgi.

— Está blefando.

— Você foi atraída por ele até aqui. Acabou, entregue-se de uma vez.

Seulgi lembrou-se das palavras de Joy. Ela claramente havia dito que ele estaria preso, então estaria ela mentindo? Outra possibilidade seria o próprio instituto ter mentido sobre o destino de Jaehyun. Mas... Mentir para um deles? Isto seria possível somente se Joy não fosse uma pessoa confiável.

Depois da rápida reflexão, Seulgi colocou-se em pé devagar, cerrando os punhos enquanto mantinha a cabeça baixa. Ela silenciosamente estudou o local onde estava. Havia praticamente um exército de vampiros ali, em todo o redor, tanto na frente quanto atrás. Mesmo se atacasse o senhor Lee diretamente, ele também estava cercado por mais vampiros armados. Mesmo não querendo admitir, no fundo ela sabia que ela ainda estava viva por causa da momentânea piedade do Lee, o que chega até mesmo a ser estranho.

— Eu só não imaginava que ele iria tão longe... Ele de fato cumpriu bem com seu disfarce. — o Lee comentou novamente. Seulgi sabia exatamente o que ele estava querendo dizer, mas não podia se deixar levar por conversa boba. Mesmo assim, como ele poderia saber... Aquilo?

Seulgi respirou fundo, apertando seus punhos ainda mais. As risadas provocativas ao redor a faziam ter noção de que o objetivo ali era a ver humilhada. Mas não, ela não podia ceder.

— Como poderíamos prender um vampiro tão poderoso como o Lee? Ele estava em ótimo estado quando chegou. Mas admito que é muito ingênuo da sua parte ter acreditado que ele realmente amava você...

— Cala a boca... — a voz de Seulgi saiu trêmula e baixa. O que, infelizmente, foi de extrema satisfação para o mais velho.

— Ele é um profissional. Ele já fez trabalhos muito piores. O caso de vocês não foi nada comparado aos de seu passado. Você já perguntou a ele sobre isso? Você fez?

Seulgi apertou os olhos. Uma nuvem densa parecia estar ocupando sua cabeça, a impedindo de pensar direito. De repente, um golpe acertou suas costas e ela caiu de bruços, metros de onde ela estava. Gargalhadas ecoavam de toda a parte, mas Seulgi não havia se machucado apesar do impacto.

Lentamente, ela se apoiou sobre os cotovelos e olhou para trás. Johnny, alguém de rosto desconhecido para a Kang, sorria vitoriosamente. Ela o encarou por um momento, mas logo teve seu maxilar voltado para a frente, o qual havia sido segurado pelo próprio Lee mais velho. Ela o olhou com desgosto, a fúria queimando em cada parte sua.

— Eu devia ter te despedaçado da mesma forma que fiz com a sua mãe, demônio. — e então o rosto dela fora acertado com um forte soco.

O impacto a fez tombar para o lado. Mais e mais risadas ecoavam em seus ouvidos. Algo forte despertava dentro dela. Poder acumulado, ódio, angústia. Era como se seu peito estivesse prestes a se rasgar.

Seulgi lentamente se colocou em pé novamente. Alguns vampiros nas laterais receberam comandos do Lee os quais ela não pôde escutar. Aqueles sorrisos estúpidos. Todos pagariam. Um por um.

Antes que eles pudessem se aproximar, provavelmente para a espancar ou lhe trazer mais humilhações, Seulgi gritou extremamente alto com a voz rouca. Todos ali vacilaram em seu passo, parecendo hesitantes em se aproximar. Seulgi direcionou suas duas palmas cada uma a cada grupo que antes havia tentado se aproximar. Uma cortina de fogo gigante e assustadora saiu de cada uma de suas mãos no mesmo instante. Vampiros de todos os lados correram pelo meio do fogo, armados e desarmados, para a atacar. No entanto, os que possuíam espada tiveram suas armas transformadas em pó, e os não armados foram acertados por uma rajada forte de vento que os derrubou muito metros ao longe. Por trás, alguém tentou a perfurar com uma longa lâmina, mas Seulgi girou seu corpo para desviar e, rapidamente, puxou a arma, golpeando com toda a sua força contra o pescoço daquele vampiro, arrancando a primeira cabeça das muitas que ainda pretendia cortar.

Ataques de todas as direções eram investidos contra ela, mas ela era rápida o suficiente para desviar de todos eles e contra atacar. Rochas surgiam, sendo movidas por ela e se quebrando ao bater contra o corpo de seus oponentes. Apesar de os números não parecerem diminuir, Seulgi não estava cansada, muito pelo contrário, aquela era a primeira vez que ela sentia tamanho poder em mãos, muito maior até do que quando estava em seu covil. Sua dor foi transformada em força. Ela estava mais forte do que nunca.

Seulgi movia dezenas de espadas ao mesmo tempo, fazendo-as acertarem diversas partes dos corpos de seus inimigos. Poucas vezes ela conseguia arrancar algumas cabeças fazendo aquilo. Outras vezes ela era obrigada a ter um combate corpo a corpo, no qual ela desviava sabiamente na maior parte das vezes e, vez ou outra, subia nos ombros alheios para arrancar suas respectivas cabeças com suas próprias mãos.

De repente, em meio aos ataques e defesas, Seulgi avistou o senhor Lee adentrando o Instituto, metros acima daquele campo de batalha. Ela intensificou suas investidas e em cada vez que ela derrubava dezenas de vampiros de uma vez, mas ela se satisfazia vendo as caras temerosas deles, percebendo que ela não era alguém fácil de se derrubar.

Mas como não havia tempo, Seulgi os distraiu com mais chamas e saltou, alcançando a entrada por onde o Lee passou, rodeado por vampiros que mantinham sua segurança. Seulgi quebrou a porta fechada e correu para dentro, onde havia um espaçoso salão dourado. Ela e o Lee trocaram olhares de ódio brevemente, antes de Seulgi ser rapidamente atacada por mais ou menos seis fortes vampiros.

O senhor Lee raivosamente voltou a virar de costas, ouvindo os sons da luta atrás de si enquanto imaginava que Seulgi jamais seria capaz de derrotar seus poderosos guardas pessoais. Mas, ora, o que ele não sabia era sobre os efeitos colaterais que suas provocações haviam causado nela. Ele havia despertado seu lado mais demoníaco, e sua consequência foi recebida no momento em que ele olhou para trás e viu apenas a Kang em pé, rodeada de cabeças arrancadas espalhadas pelo chão. Ela sorriu de forma macabra, segurando pelos cabelos uma das cabeças, exibindo como se fosse um troféu.

— O próximo é você.

E então, ela avançou.

Outra batalha, e talvez sua última, estava prestes a acontecer.

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