Capítulo 8

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Eu fui até o quarto logo após o aviso da enfermeira e me organizo para entrar na sala, vi minha mãe com sua cabeça enfaixada após para a cirurgia, seus cabelos foram raspados para ser feito o procedimento. Ela estava com os olhos fechados e eu não quis falar nada, só observava seu rosto tranquilo por alguns minutos. Fiquei com medo, pois uma das sequelas poderia ser ela não recordar de pessoas ou de algumas coisas, quando ela abriu os olhos e passou o olhar no teto da sala, depois me encontrou ao seu lado e ficou me observando em silêncio por alguns segundos, ela encarava e deu um pequeno sorriso, eu me derreti.

— Oi filha...— Sua voz era muito baixa e fraca.

— Oi mãe...eu disse a senhora que tudo ficaria bem! Deu tudo certo ta boa ?— Falei baixo olhando em seus olhos. E foi naquele momento eu sabia que eu fiz o certo, pois ela era o que eu tinha de mais importante.

Passei cerca de meia hora com ela, olhei sem entender. Ele não precisava estar lá ate agora, não tinha necessidade para tanto.

— Tem muita intimidade com o Doutor! — Ele falou, sério.

— Ele operou e salvou minha mãe Ryan! — Falo incrédula.

— Tenha cuidado com a forma que vai agradecer. — Continuou.

 — Não seja ridículo! Um completo ridículo! — Começo a me irritar.

O que ele estava querendo com aquilo? Não estava entendendo porque toda aquela ironia. Que por sinal estava começando a me ofender ! Saímos pelo hospital, minha mãe precisava descansar e ela tinha médicos e enfermeiros a todo minuto.

— Vamos para o hotel que reservei… vai descansar.- Ele abre a porta do carro.

— Hotel? Eu tenho a casa da minha mãe aqui, não preciso de hotel!- Falei irritada.

— Vamos para o hotel Sarah!- Ele disse ficando irritado.

— Eu não vou a lugar nenh... — Estava falando alto e fui interrompida.

Quando olhei de canto, um homem com uma câmera de lente gigantesca estava ali olhando atentamente e tirando fotos. Respiro fundo, sabia o meu papel ali. Aproximo-me dele, toco seu rosto carinhosamente, a barba por fazer arranhava levemente na palma da minha mão. Aproximo meu rosto dele.

— Não vamos discutir amor... — Falei olhando em seus olhos.

— O que você esta fazendo? — Ele prende a respiração.

Aproximo-me, selando os lábios algumas vezes entre alguns sorrisos. Toco sua nuca e ele fechou os olhos com a respiração um pouco ofegante.

— Vamos, hotel então! — Dei outro selo e entrei no carro.

Ele ficou parado, parecia estar em estado de choque. Olhei para ele apressada e cansada.

— Você não vem? Anda! — falei tirando-o do transe.

Ele entrou no carro um tanto quieto, antes de entrar olhei para o lado e deve ter notado o homem a fotografar e entendeu a situação. Ele pediu para demonstrar e foi o que eu fiz, afinal graças ao acordo minha mãe estava bem e em recuperação. Seguimos para o hotel escolhido, chegamos e um quarto foi reservado. Sabia que Portland não era Seleta e ficarmos em quartos separados poderia ter a informação vazada, fariam especulações e o nosso noivado se tornaria duvidoso. Entendi perfeitamente, só queria entender como faríamos aquilo.

Quando chegamos na maior suíte do hotel, tinha uma sala com sofás e varanda, o quarto enorme também. Só aquela suíte era bem maior que o meu apartamento. Um homem que ali trabalhava deixou nossas malas na entrada da suíte e escuto ordens de Ryan para servir o jantar ali no quarto. Pego a mala tirando tudo que preciso e caminho até o banheiro. Tomei um banho relaxante, agradecendo mil vezes por estar tudo bem com minha mãe. Pela primeira vez em alguns dias conseguia respirar um pouco mais aliviada. Sai do banheiro com o roupão amarrado no corpo e uma toalha nos cabelos, levei um susto quando vi ele mexer em sua mala ali no quarto. Estava sem camisa, usava apenas a calça e minha respiração parou ao observa-lo.

— Bem… eu... — Estava nervosa — Preciso me vestir… é... 

Ele me olhou como se tudo aquilo fosse normal. Pegou as suas coisas e passou por mim em direção ao banheiro.

— Sim, claro! Fique a vontade. — Ele fechou a porta.

Que homem é aquele? Nos meus 22 anos, por incrível que pareça nunca me aproximei de um homem nem o vi na intimidade assim tão relaxado. Sempre fui tímida e meu primeiro namorado me traiu com uma amiga da escola, fiquei com um medo absurdo de um dia me entregar a alguém e receber o mesmo, tinha outras prioridades atualmente.

Então coloquei um vestido solto de alças, marcando levemente a cintura, mas bem fluido e com uma estampa floral. Os cabelos molhados e penteados e estava confortavelmente pronta. Depois a porta se abriu e ele estava de toalha e eu me virei de costas sentindo meu rosto corar ao máximo.

— Qual é? Nunca viu um homem de toalha Sarah? — Ele ironizou.

Fiquei em silêncio sem jeito de responder que sim, realmente nenhum homem tinha aparecido tão intimamente a minha frente.

— É serio? — Ele perguntou surpreso — Agora sou eu que preciso me vestir. —

Entendi perfeitamente e sai do quarto, quando cheguei na sala bateram na porta e o jantar iria ser servido. Colocaram todos os pratos escolhidos por Ryan em uma mesa bem a frente da porta de vidro que dividia a varanda. Deixando uma vista linda e calma da cidade.

Ele apareceu na sala, usava uma calça de moletom e uma camisa branca, parecia ter notado meu desconforto. Sentamos um a frente do outro e nos servimos.

— Amanhã pode ficar com sua mãe, mas depois terá que voltar. Marquei um jantar na casa dos meus pais para lhe apresentar, isso é mais que necessário! — Falou enquanto saboreava a comida.

Aquilo me fez parar imediatamente, o quanto eu teria que ser fria para enganar a família dele, mostrando ser uma noiva completamente apaixonada e louca para casar com ele. Respiro fundo e aproveito a comida pacientemente. Queria ficar com minha mãe, aquele casamento em um mês era uma loucura.

— Não se preocupe com sua mãe, vou deixar uma equipe capacitada para cuidar dela da melhor forma possível. Depois do casamento pode vir ficar com ela alguns dias. — Ele explica.

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Jantamos tranquilamente, ao menos nosso convívio parecia ter começado bem. Quando terminei, escovei os dentes e coloquei o pijama folgado como costumava dormir, ele apareceu no quarto e pegou uma maleta com alguns eletrônicos. Olhei para a cama confusa, como seria para dormir ali, pois não tinha toda essa intimidade. Aquilo estava me deixando corada, ele me olhou e de forma despreocupada falou parecendo adivinhar os meus pensamentos.

— Não se preocupe, eu vou dormir no sofá! — Ele segurava as coisas em direção a porta.

— Antes eu... — Dei alguns passos em direção, mas mantendo uma certa distância –Quero lhe agradecer, mas uma vez pelo que fez, tão rápido. 

Ele se virou para mim, deu alguns passos em minha direção e eu senti seu cheiro só de se aproximar mais um pouco. Estávamos perto da cama, ele deixou o notebook ali encima. Ficou me observando com o semblante sério e tocou meu rosto. Mordo o lábio bastante nervosa com aquela situação, ele rapidamente se aproxima, sua outra mão me puxa pela cintura e seus lábios vem aos meus. Deixei-me levar, sua língua tocava a minha espalhando o sabor delicioso do seu beijo. Levo minhas mãos, a sua nuca e ele me aperta ao seu corpo. Seu membro rígido coberto pela calça de moletom estava tão evidente. Eu estava começando a sentir a calcinha ficar molhada, era uma sensação única. Era errado, mas não conseguia parar. Ele me empurrava para a cama sem parar o beijo, me fazendo cair sobre ela, minhas pernas se afastaram e ele encaixou seu corpo ali. Eu sentia ele dura e enorme, estava perdida entre os beijos intensos quando Ryan parou, os olhos arregalados e me olhou fixamente atordoado. Meu rosto corado, o coração acelerado, ele saiu apressado de cima de mim e eu fiquei ali deitada, coloquei as mãos no rosto de modo a entender o que aconteceu, meu Deus seria um ano assim? Como resistir?

A porta do quarto bateu e eu não tive nenhuma reação, passei os dedos sobre meus lábios inchados do seu beijo sedento, ainda podia sentir o seu gosto. Deitei na cama e me encolhi ali, dormi logo após.

Casada por acasoOnde histórias criam vida. Descubra agora