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Maude Schmitt sempre foi invisível para os próprios pais. A garota foi criada sozinha dentro de uma casa fria, sem afeto, e sabia que esperar por quem nunca vem é esforço de tolo.
Os pais dela se mudaram pra lá quando ela tinha uns 15 anos, porque era um lugar aconchegante e seguro para morar com a família, e eles sempre foram paranóicos demais.
Evan e Beth Schmitt eram donos de uma advocacia bem conhecida na ilha, a única, para ser mais exata. Eles acabavam não ficando em casa na maior parte do tempo, e deixavam a filha sob cuidados da governanta da família.
Maude se sentia como mais uma daqueles figurantes, sua vida era da escola para casa e de casa para a escola. Mas no caminho, ela sempre passava em frente à um pequeno restaurante de família, onde o filho dos donos tocava piano para entreter a clientela. Ela tinha que parar alguns minutos só para ouvir ele terminar a melodia.
Ela achava o toque simplesmente fascinante. Havia algo na forma como os dedos deslizavam que fazia o piano deixar de ser apenas um instrumento, parecia ganhar voz própria, cantar sentimentos que palavras jamais conseguiriam expressar. Era esplêndida em toda a sua glória, capaz de prender sua atenção sem esforço.