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Maude dirigia pelo fim da tarde na estrada de Figure Eight

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Maude dirigia pelo fim da tarde na estrada de Figure Eight.

O sol começava a descer no horizonte, pintando o céu em tons de laranja e rosa que se refletiam no para-brisa, e a estrada de terra se estendia à sua frente, ladeada por árvores que balançavam lentamente com o vento. Ela estava dando uma volta para compensar o tempo sem dirigir.

O carro pegou uma curva mais fechada, e Maude sentiu o impacto antes de ver o que tinha acontecido. Um baque seguido por um resmungo abafado, e ela pisou no freio com tanta força que o carro derrapou levemente na estrada de terra, o corpo sendo jogado para frente contra o cinto de segurança. O coração disparou no peito, e ela ficou imóvel por um segundo, os dedos ainda apertados contra o volante com tanta força que as juntas ficaram brancas, a respiração presa na garganta. Depois, com um movimento rápido e automático, desligou o motor, abriu a porta, e saltou para fora do carro, com uma urgência.

Ela viu o garoto no chão, um loiro se erguendo lentamente, a mão esfregando o ombro onde tinha caído com uma expressão que oscilava entre a dor genuína e a encenação. A moto dele estava caída ao lado, o guidão torto e a pintura arranhada, e Maude sentiu uma onda de culpa lavar seu peito enquanto corria em sua direção. O garoto era loiro, com olhos azuis claros que pareciam brilhar, um sorriso torto já se formando nos lábios mesmo antes de ele se levantar completamente. Ela o reconheceu, era JJ Maybank, um dos pogues, o garoto que vivia nas periferias da ilha e que sempre parecia estar no meio de alguma confusão. Dono de uma péssima reputação entre os habitantes da ilha.

── Aí, quebrei minhas costas. - ele choramingou, a voz exagerada, teatral, enquanto puxava a moto do chão com um esforço que parecia mais encenação do que necessidade real. ── Acho que nunca mais vou andar. Vai ter que me carregar no colo, moça bonita.

Maude sentiu o alívio substituir o pânico quando viu que ele estava inteiro, que não havia sangue visível, que os ossos pareciam estar no lugar certo apesar da queda. Ela se aproximou, e estendeu a mão para ajudá-lo, mas ele já estava de pé, ajeitando a camisa rasgada com um movimento descuidado, como se o acidente tivesse sido apenas um pequeno contratempo em seu dia.

Perdition • Rafe CameronHistórias para pegar e não largar. Descubra agora