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Hoje foi o dia em que Maude decidiu que iria ser a filha que seus pais merecem.
Mas isso não significa que seria uma filha comportada como antes. Não queria o que os pais consideravam "boa", e sim, ela devolveria toda a frustração que seus pais a fizeram passar ao longo dos anos.
Muitas pessoas diriam a ela que isso é errado. Honre aos seus pais, muitos diziam. Mas quanto aos pais, pelo menos, tratarem seus filhos com um mínimo de respeito. Essa parte precisa ser tratada com a mesma importância, afinal, qualquer relação é uma mão de via dupla. Não adianta apenas um dos lados puxar a corda, quando o outro não está dando a mínima.
O sol nasceu frio hoje. Era um tempo gelado, a brisa arrancava arrepios que o sol não conseguia aquecer o suficiente. Maude está sentada na mesa do café da manhã, à frente de sua mãe, seus olhos estavam fixos no pão de forma torrada no prato de porcelana, intocado. O pão estava ficando duro, o café já não tinha mais a fumaça que subia antes, gelando.
Beth, diante dela, comia em silêncio. Sem uma palavra. O único barulho entre as duas, era o som crocante das mordidas que a mulher dava em seu pão torrado.
── Quantos maridos a mãe da sua amiga já teve? - Beth quebrou o silêncio, sua voz saiu baixa, mas firme. Seus olhos encontraram o da filha por um breve momento, antes de voltar a focar em seu café.
── Ahm, são namorados. Marido foi só um. - respondeu, coçando a garganta, suas sobrancelhas se franziram. ── Porque?
── Porque não é apropriado uma moça de família respeitosa andar com uma garota.. - Parou, largou os talheres que bateram no prato de porcelana com um tilintar, e levantou seu olhar novamente. Agora manteve. ── que tem os ensinamentos de uma mulher que passa de homem em homem, relação em relação.
Maude sentiu as mãos soarem frio, o coração batia acelerado. Engoliu em seco, sentindo um nó formando-se em sua garganta. Ela queria responder, queria questionar as palavras da mãe, defender a amiga e dizer tudo que estava preso dentro de si. Mas se calou. Apenas soltou um longo ar de seus pulmões, mantendo a respiração instável, mas as mãos tremiam levemente pela frustração.