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Rainha Nyra
Berrando de uma maneira insuportável e desnecessariamente aguda, a por hora rainha de uma parte das terras do Caos, destruía a louça da janta depois de servida a mesa.
O barulho do vidro se estilhaçando no chão deixava os criados muito enfurecidos com o tamanho desperdício.
_ COMO ELES OUSARAM?_ o pobre conselheiro que acabará de dar a notícia a fêmea tentava encontrar as palavras._ AQUELES IMUNDOS DESTRUIRAM MEUS NAVIOS? DESTRUIRAM MEU PORTO?
_ Não foi exatamente o grupo que destruiu._ o homem de pele verde disse._ O grupo todo batalhou com os soldados do porto e os civis foram com eles.
_ Como podem ter ido com eles?_ ela franzia a testa indignada._ Foram por conta própria?
_ Si...sim, senhora._ o coitado se tremia.
_ E quem destruiu os navios e o porto?
_ Eles disseram que foi uma mulher... De poder azul, ela derrotou grande parte dos homens.... E transportou todos de volta para não se sabe onde.

A rainha gritou mais uma vez se debatendo furiosa, o conselheiro deu um passo para trás com a histéria.
_ A FILHA DE KLUDD, FOI ELA!
_ Tudo indica que ela voltou, majestade.
_ Foi ela quem tirou minha estatua então?Ela vai vir tirar meu trono de mim...._ agora a mulher sussurrava._ Ela vai vir atrás de mim... Ela deve saber a verdade...
_ Não podemos afirmar isso, majestade.  Eglantiny jamais procurou saber sobre essa história e Não acredito que de repente alguem tenha sussurrado isso no ouvido dela. Vamos manter a calma _ ele escolheu as palavras erradas.
Nyra gritou pelos sentinelas que estavam na porta para prenderem o conselheiro, o pobre foi arrastado até o calabouço sem entender o que tinha feito.

Correndo, Nyra mandou soltar seus monstros e soldados a procura de Eglantiny.
Parada na sacada assistindo as bestas indo em direção a cidade, ela gritou:
_ NINGUÉM ESTA A CIMA DE MIM! NINGUEM ROUBA MEU TRONO!

Eglantiny
Eu estava de madrugada muito infeliz. As três meninas que carregamos para cá estavam começando a se acostumar. Mas não saiam da minha cabeça a situação que se encontravam, passei por isso no castelo de Kludd e me mata por dentro saber que elas passaram pela mesma coisa.

Agora eu estava na cozinha derramando lágrimas enquanto amassava uma quantidade absurda de batatas. Não tínhamos batatas na nossa imensa plantação, mas ouvi uma das crianças que vieram da última vez dizer que tinha saudade de purê de batata, então eu estou aqui chorando e fazendo purê de batata para todo mundo já que finalmente nossas batatas foram colhidas.

Dei uma fungada antes de ir pegar os temperos para o purê, queria me controlar e parar de deixar as lágrimas caírem, mas sempre me lembro de Azriel. Estou com saudades e agora não é como se eu fosse vê-lo e poder ter ele para mim, então dói mais.

Respiro fundo e me acalmo.
Muitas coisas passam pela minha cabeça esses tempo e infelizmente tenho que começar a superar Azriel logo, sei que ele tentou me amar, sei que com certeza ele não fez isso por mal e sei que gostou de de mim por um momento, mas não como eu gosto dele.
Foi a primeira pessoa que deixei entrar na minha vida e aprender como é gostar de alguém verdadeiramente. Só tenho que deixar tudo isso passar e não me afundar nessa grande mágoa.

Como um pouco da batata depois de pronta e reservo o restante para o almoço de amanhã. Ficou muito bom.
Caminho de volta para o quarto aproveitando o silêncio, daqui a pouco os sentinelas trocariam o turno, então essa hora não deveria ter alguém andando pelos corredores.
Mas gosto de andar quando não estou com sono, e gosto de me acalmar cozinhando, temos que descontar as coisas em algo.

Escuto passos de alguém andando rapidinho por um dos corredores, isso atrai minha atenção já que o toque de recolher foi dado a tempos. A quem estou julgando, se eu estava fazendo batatas de madrugada.

A pessoa tentava ser furtiva e despercebida mas ainda assim, consegui ouvir seus sapatos batendo na cerâmica do chão enquanto virava o corredor.
_ Quem quer que esteja passeando agora, já pode parar de fugir, sei que está aí.
Os passos pararam, pude sentir a vergonha dela quando deu a volta para falar comigo.
Era uma menina, uma das filhas do soldado que venho treinando.

Corte de Amor e Caos - AzrielOnde histórias criam vida. Descubra agora