3. Welcome to Seattle Grace Hospital

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Bruna's Point Of View.

Seattle recebeu-me com o seu característico tempo chuvoso. Cachoeiras estavam caindo em todos os lugares, mas surpreendentemente ao entrar no Seattle Grace Hospital, senti que um calor agradável e familiar me acolheu. Era uma sensação estranha, considerando que eu estava em um lugar onde tantas vidas foram salvas e foram perdidas, mas pela primeira vez em muito tempo eu senti a paz interior que pensei ter perdido.

Quem sabe talvez eu tenha a chance de ficar aqui, porque afinal de contas Liana estava com Mariana, segura e protegida, então ela não precisava de mim.

Fui até a recepção, onde várias enfermeiras sussurravam sem parar, com rostos tristes e preocupados.

— Dra. Andrade está devastada. — disse uma delas. — Ela não ficou longe da cama do filho nem um único momento.

— A médica não dormiu por três dias? — outra perguntou, com espanto genuíno.

— Bianca é uma mãe excelente. — a enfermeira falou com confiança em sua voz, e as outras concordaram com o que foi dito. — Tenho certeza que ela não irá se separar de seu filho, muito menos estando doente. — desta vez ela usou um tom gentil e compassivo, quase maternal. A enfermeira era velha o suficiente para ter sido parte do hospital durante muitos anos. Portanto, assim como toda enfermeira, ela estava ciente de todos os detalhes da vida de cada médico. — Eu nunca tinha visto a Dra. Andrade assim tão destruída, pelo menos não desde a morte da Dra. Kalimann, e já se passaram mais de sete anos.

Algumas enfermeiras inclinaram a cabeça em respeito e tristeza, enquanto outras murmuravam o quão infeliz foi para todos no hospital a perda de uma incrível cirurgiã, colega e amiga. Enquanto isso, eu estava realmente surpresa ao saber que a Dra. Kalimann tinha sido tão especial para todos os funcionários do hospital, e aparentemente ela ainda era, mesmo depois de tantos anos morta.

— Bianca e Rafaella foram o melhor casal de todo o hospital.

— É verdade, nem mesmo McDreamy e Vitoria Grey ou McSteamy e a pequena Grey tiveram a química que aquelas duas tiveram em todos os momentos. — eu levantei a sobrancelha involuntariamente ao ouvi-las. Não era muito comum, mesmo no nosso tempo, para as pessoas não julgarem ou mostrarem que elas apoiavam abertamente o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Quando elas começaram a contar histórias sobre o que tinha sido um casamento perfeito (me peguei prestando muita atenção às suas palavras), eu decidi que era hora de intervir, porque não importa o quanto eu amasse as "histórias" que as enfermeiras estavam narrando, ainda tinha uma criança que precisava de mim.

Limpei a garganta e em um instante eu tinha quatro pares de olhos fixos em mim, senti um caroço se formando em meu estômago. A verdade é que eu não gosto de muita atenção.

— Desculpe, mas qualquer uma de vocês poderia me dizer, por favor, onde encontro a Dra. Camila Shepherd?

A enfermeira, que tinha usado o tom maternal quando falou da Dra. Andrade, olhou para mim sorrindo calorosamente.

— Você tem um compromisso com ela?

— Não, mas eu tenho certeza que ela está esperando por mim.

— Oh! Nesse caso eu sinto muito, mas sem um compromisso...

— Nenhuma notícia do Canadá? — perguntou alguém ao meu lado. Sua voz era profunda e firme, no entanto o mais predominante era a sua ansiedade. Quando me virei para me apresentar, eu a reconheci por causa de uma das fotos que tinha mostrado para Liana no dia anterior. Embora ela estivesse no fim dos seus 40, era uma das médicas mais ardentes e sensuais que eu já tinha visto na vida.

remember me. || rabiaOnde histórias criam vida. Descubra agora