Um velho inimigo conhecido.

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A conversa com Dekin me fez pensar bastante, não diria que foi esclarecedora, mas me fez lembrar de tempos bons, não os amenos ou ruins, e sim bons

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A conversa com Dekin me fez pensar bastante, não diria que foi esclarecedora, mas me fez lembrar de tempos bons, não os amenos ou ruins, e sim bons.
Me surpreendi quando ele disse que esta tendo lembranças, orientei pra ele ir falar com Benjamin, se for ruim apague-as se for boa, que ele consiga organizar e assim aproveitar lembranças de coisas boas.

Estava sentada no banco encarando o balcão e saboreando os últimos goles do meu uísque. Acho que já deu por hoje, duas almas já se foram e pra mim foi gratificante, por hoje estou satisfeita.
Mas parece que alguém mais irá jogar, escutei a porta ser aberta e virei o último gole.

__como é bom finalmente conhecer o bar.__o uísque desceu como vidro em minha garganta.__como é bom te ver, Beatrice!

Não pode ser! Ele não, não depois de tanto tempo, não agora e não aqui.

Me levantei tentando soar calma e ao me virar o mesmo estava parado na porta, as mãos pra trás, trajado todo de preto e o cabelo bem penteado pra trás.
A barba bem feita e os olhos que um dia existiu pureza, agora é o mais regado em ódio.

__o bar está fechado, e você não é bem-vindo aqui!__o encarei e ele riu.

__é assim que trata velhos amigos?

__não, é assim que trato velhos inimigos.__ergui a mão esquerda e fios de luz do sol se enrolaram no pescoço do mesmo.

__vejo que ainda é ágil.__sua voz soou atrás de mim e o que via sumiu como fumaça, senti um furo na nuca e cai de joelhos.
Virando a cabeça o encontro agachado encima do balcão.

__bom, agora temos 5 minutos, antes dos seus poderes voltar.__ele saltou segurando meu cabelo e me erguendo do chão.
Segurei seu pulso, e joguei meu corpo pra cima e pra frente, cruzei os mesmos em seu pescoço forçando o mesmo.

Ainda segurando meu cabelo ele firmou bem mais e andando rapidamente alguns passos meu corpo bateu com força no balcão, nem por isso soltei e senti o ar faltar.

__você está preso Talon Lihan!__avisei faltando um pouco pra desacorda-lo.

__é mesmo?__quem prendia sumiu como fumaça e estava novamente enfrente a porta.

Não pode ser!

__quando estamos há tempos nesse ramo, aprendemos alguns truques legais. Gostou?__ele sorri sádico.

Ele estralou o dedo e rolei pro lado esquerdo e fugi dos dardos que vieram na minha direção.
Me levantei correndo desviando dos ataques dele e chutei uma mesa me escondendo atrás da mesma.

Ele anulou meus poderes, não consigo usar, meus olhos correram pelo local onde eu conseguia enxergar.

__está com medo Beatrice?__ele gargalhava e isso me irritou.

Levei a mão ao meu par de saltos no meu pé e tirei duas adagas.
Era esse o som que faz, soa como um salto de sapato e não passa de um disfarce.

__devia ter aprendido mais.

__você não aprendeu, você roubou os ensinos da agência!__me virei encarando a mesa e cravei uma das adagas na mesma forçando pra levantar e usar como escudo.

Corri na direção do Talon o prensando contra a parede e a mesa. Com a outra levei na direção dele, mas não caiu de novo nesse truque.
Quando estava quase acertando a ilusão a minha frente, virei um pouco o tronco arremessando a mesma nele em pé sobre o balcão.
Puxei a outra e corri até o mesmo e novamente dei uma rasteira pra trás jogando Talon no chão e cravando a adaga em sua barriga.

A primeira pegou no ombro e ele conseguiu usar a ilusão pra tentar me golpear e eu quem o golpeei novamente.

__está aprendendo, mas tenho outro truque.__ele em meio a expressão de ódio assovia e senti algo enrolar meu pescoço e me puxar me enforcando contra a parede, outra argola prendeu meus tornozelos e pulsos.

Ele sentou com a mão na barriga, onde perfurei da última vez, e com toda certeza está doendo, já que puxei a adaga quando fui puxada pelo pescoço.

Não posso soltar ela, preciso dela pra avisar a agência.

Ele andou até mim e acariciou meu rosto, encarava ele com todo ódio em mim.

__novamente a escolha está em suas mãos.__suas mãos foram pra minha cintura.__eu só quero vingança.

__eu te quero morto!__praticamente rosnei.

Ele levou o indicador até meus lábios e nada mais disse, e ele sorri.
O sangue dele pingava no chão e só não é visto na roupa pelo preto delas.

__você, ou toda agência e Dekin?__o encarei e ele deu de ombros.__se me encontrar ao por do sol no nosso lugar preferido, eu mato você e partirei e nunca mais me verá, se não for? Bom, ai derrubo toda A.D.A e por fim mato Dekin. A escolha é sua, e só você pode decidir. Não era pra chegarmos aqui, era pra você ter morrido naquele dia, mas não! Então agora é a prova final, você ou todos que é importante pra você.__ele se afastou um pouco.__a escolha é sua.

Sorri e ele franziu o cenho e escutando meu pulso estala ignorei a dor e quebrei a adaga na parede.

__vagabunda!__ele se curvou e levou as mãos na barriga e no ombro.

Ele está vulnerável e o sinal foi enviado.
Senti as argolas apertarem bem mais meus pulsos, tornozelos e pescoço.

Ele não conseguiria me manter presa e fugir, é um ou outro.

E ele opinou por me soltar e fugir, tolo!

Ao ter meu corpo despencado, não me dei ao luxo, agarrei a barra da sua calça e virei o corpo acertando um chute em seu rosto e passei o braço por seu pescoço o enforcando e cruzei as pernas no seu quadril.

__acabou!__a voz voltava aos poucos meio ferida.

__por enquanto.__sua mão bateu no chão repleta de sangue.

Fogo! Chamas tomaram o bar, mas os gritos de socorro e súplicas, os choros eram daquele tempo, eu não posso voltar pra lá! Senti uma cabeçada e meu corpo enfraqueceu, deitei no chão cobrindo a cabeça ofegante, o fogo tomava o bar, fumaça entrava em meus pulmões e meus olhos queimavam.

__continua fraca.__eu não conseguia abrir os olhos.__não se esqueça do que disse.

Abri os olhos que ardiam como brasa, nada! Não tinha ninguém aqui.

__socorro.__escutei um som de cima e notei o teto desabando.

Fechei os olhos me encolhendo de medo.

__nɔ!

Escutei passos rápidos e uma mão tocar meu braço me puxando pra um abraço, abri os olhos em lágrimas e nada, não tinha fogo, não tinha fumaça, o teto não caiu, e os braços que me envolviam era Benjamin.

Minha respiração estava ofegante, eu tremia muito e chorava descontrolada.

__ele te colocou numa ilusão, já passou!__ele me abraçou mais forte.


A Dupla do Cortejo.Onde histórias criam vida. Descubra agora